domingo, janeiro 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Um vídeo sobre o sentido da vida, baseado no livro "Anônimo Incógnito". É "dedicado àqueles que encontram um sentido na vida toda vez que coçam o nariz de um amigo sem braço..."

Duração: 3 minutos e 51 segundo.


Fonte: Youtube - http://www.youtube.com/watch?v=fgMRTxS9Wfg
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sexta-feira, janeiro 25, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A noite passa soturna e fria enquanto a cidade (São Paulo) comemora 454 anos de existência. Aqui, em meu mundinho periférico, as horas se vão, em vão. Morrem em lenta agonia. O tempo se arrasta. O sono não vem. Para onde terá ido? Talvez à Paulista ou ao Mercado Municipal comemorar, por lá, o aniversário da cidade. Foi sem me avisar e, em meio aos festejos, esqueceu-se de voltar. Insônia... Ouço, agora, o primeiro cantar do galo anunciando as luzes do arrebol. Noto que, aos poucos, esse canto é abafado pelo ruído da cidade, que ganha vulto, se agiganta e passa a incomodar. As estrelas, que há pouco brilhavam, tornaram-se pálidas e do céu fugiram. Cederam lugar às aves que ruflam as asas e voam e bailam e cantam e encantam e saúdam o novo dia que nasce e floresce.

"Sampa" comemora e me presenteia com um feriado. Por esse presente esperei inquieto e, agora, diante dele, me aquieto. Degusto-lhe as primeiras horas como se estivesse saboreando algo inteiramente novo, de sabor misterioso. Mistérios me fascinam e emudecem. Calado me ponho a ouvir-lhe a voz, em minha mente, na forma de pensamentos que fluem livremente, qual rio de montanha: ruidoso e firme, sinuoso e bravo, em forma de corredeiras e cascatas, na busca de um caminho que conduza ao repouso, ao mar.

Penso...

Os caminhos da vida são misteriosos... Eles nem sempre são curtos, fáceis prazerosos e seguros. Tendem a ser uma trilha marcada pela insegurança: Surpresas e sustos, admiração e espanto, prazer e pesar. Um avançar constante rumo ao desconhecido, que nos espreita com olhos curiosos, ora compassivos, ora ameaçadores.

Os caminhos da vida são marcados pela incerteza... E nessa incerteza reside boa parte de sua beleza. Afirmação contraditória essa! Mas, se o caminho fosse reto, sem curvas, previsível; se tudo se desse tal e qual planejado; se não houvesse imprevistos e riscos, não sei se valeria a pena trilhá-lo... Talvez a experiência de vida seria por demais restrita: seqüência monótona e enfadonha, rotina maçante e sem viço, solo pobre e impróprio para semear e cultivar a criatividade.

Os caminhos da vida são tortuosos... São rios de montanha que se movem como serpentes: cheios de curvas, retorcidos, coleantes (a vida não corre em trilhos, como os trens). E é aí que residem sua beleza e glória, sua poesia e música, sua dor e delícia, seu prazer e sua aflição: uma surpresa aqui, contrapondo-se a um susto acolá.

Os caminhos da vida... É preciso aprender a percorrê-los, fluir nesse rio de maneira responsável. Ser responsável é mais que cumprir compromissos e obrigações. É ser capaz de "responder" prontamente aos desafios da vida.

E a noite se foi e o dia está indo. Nuvens cinzas e garoa marcam o aniversário de São Paulo. Feriado! Planos traçados aos quais o rio da vida não se deixa submeter. Surpresa (ou melhor, susto): vou para o trabalho. Os caminhos da vida são assim: misteriosos, incertos, tortuosos - rio de montanha. Neste feriado, esperava remanso, e ele se me apresentou na forma de cachoeira... Adeus feriado!

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sábado, janeiro 19, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Se você está a fim de rir um pouco, assista ao vídeo abaixo. Marco Luque é hilário ao interpreta o motoboy "Jackson Five". Pena que só dure três minutos...


Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=20aByx59uY8
sexta-feira, janeiro 18, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O que você enxerga na figura ao lado? Qual é a "verdade" que ela encerra? Vou responder, mas não agora. Antes, quero tecer alguns comentários sobre um e-mail que recebi hoje, de viés religioso, que discorria sobre o tema desse artigo. O assunto "verdade" sempre desperta em mim grande interesse e, desta vez, me motiva a escrever e postar aqui minha opinião a respeito. Sei, de antemão, que estou adentrando num labirinto do qual, muito provavelmente, sairei do jeito que entrei, isto é, sem saber ao certo por onde andei. Afinal, o que é a verdade? E o que é verdade progressiva?

Há muito venho procurando por uma resposta satisfatória. Reconheço, até aqui, a minha frustração. Disseram-me, algures, que "não existem respostas, apenas escolhas". Se assim for, então cada um poderá escolher sua própria verdade. Grupos de pessoas poderão eleger para si a verdade que lhes seja mais apropriada ou conveniente entre as tantas que existem, por exemplo: a verdade dos católicos, a dos evangélicos, a dos espíritas, a dos muçulmanos e por aí vai. Mas ao concluir dessa forma não estaria eu a confundir "verdade" com a "crença de algo é verdade"?

Crer que algo é verdade não torna esse algo em verdade. Há consenso quanto a essa afirmação. Posso crer, por exemplo, que a Lua seja feita de queijo, porém, o que a Lua é independe de minha crença pessoal. O mundo inteiro pode acreditar que a Lua seja um enorme queijo suíço, mas essa crença, ainda que se torne popular e universal, não mudará a natureza da Lua. A crença não legisla sobre a verdade.

Durante séculos a humanidade foi acumulando informações sobre o planeja Júpiter. Quando, porém, Galileu o observou através de uma luneta, enxergou algo inusitado: quatro luas até então desconhecidas. A verdade a respeito do planeja Júpiter foi acrescida de novos ingredientes. A isso damos o nome de "verdade progressiva". Galileu não inventou esses quatro satélites. Eles sempre estiveram lá. Nós é que não os enxergávamos, por pura limitação de nosso aparato visual. Com o advento do telescópio, nosso campo visual foi ampliado e passamos a enxergar o que antes não víamos – repetindo: verdade progressiva!

Imaginemos agora uma situação absurda: vamos supor que, ao tentar observar Júpiter pelo telescópio, Galileu constatasse que ele nunca existiu, que se tratava apenas de uma ilusão de ótica (estou realmente forçando a barra neste exemplo). Nesse caso, sua descoberta não deveria ser tomada como uma verdade progressiva, pois teria feito ruir tudo que se julgava saber sobre Júpiter. Restar-nos-ia a atitude humilde e honesta de substituir o que se constatou ser falso pela nova verdade descoberta, a de que Júpiter seria apenas uma ilusão visual.

Ao avançar para o campo religioso em busca do entendimento de "verdade" e "verdade progressiva", o cenário se torna por demais nebuloso. Aqui nada é concreto e tangível como a Lua ou o planeta Júpiter. Mudam-se os referenciais e a terminologia. Fala-se de profecias, doutrinas, dogmas, milagres. Usam-se palavras impregnadas de sentidos dúbios como: reino de Deus, pecado, redenção, (re)encarnação, arrebatamento, apostasia, Babilônia, céu, inferno, purgatório e tantas outras. Termos subjetivos, diáfanos, etéreos, vagos, que, para muitos, não significam absolutamente nada, ao passo que, para outros, constituem-se em questão de vida ou morte... Afinal, do que estamos falando? De verdades ou de crenças? - verdades progressivas ou crenças progressivas?

Vou emitir meu parecer: Não aprecio a expressão "verdades religiosas". Prefiro substituí-la por "crenças religiosas". A meu ver, essa simples substituição de uma palavra provoca um impacto significativo, porque "crenças", no contexto religioso, não exigem provas racionais, e sim fé.

Reli, recentemente, o livro "Teologia da Crise" de Emil Bunner.
Emil Brunner foi um dos maiores teólogos do século XX, ligado à Igreja Reformada Suíça. Ao falar sobre "Deus" ele assim se expressa: "A fé apenas pode provar a realidade de Deus porque Deus não pode ser reconhecido pela razão teórica, mas deve ser compreendido por um ato de decisão" (pág. 69).
A palavra "decidir" em sua origem etimológica significa "separar cortando", "eliminar alternativas"[1], o que nos conduz de volta ao que já foi citado anteriormente: "não existem respostas, apenas escolhas", apenas decisões. Uns escolhem crer em Maomé, outros em Buda, outros em Jesus. Dos que crêem em Jesus e na Bíblia, alguns decidem aceitar como fidedignos os milagres realizados por Nossa Senhora de Lourdes, nos quais outros tantos preferem não acreditar.

Essas "crenças religiosas" não estão estagnadas, e sim em constante evolução. A sociedade muda, trazendo à baila novas necessidades e situações que exigem novas reações e novas crenças. Fala-se muito hoje, por exemplo, em "prosperidade". Basta ligar a TV num programa evangélico para constatar o que digo. Parece-me que Deus, aos poucos, vai deixando de ser o Senhor e passa a ser um "escravo" dos crentes e de suas ambições materiais. Pouco se fala em um céu distante e futuro. O céu é aqui e agora. Verdade progressiva? Não me parece que seja. Crença progressiva? Pode ser...


Sobre a figura: A parte mais escura, à esquerda, delineia um homem narigudo, de perfil, tocando saxofone; na parte clara, à direita, vê-se o rosto de uma mulher. Mas, sinta-se à vontade para tentar enxergar o que quiser, por exemplo: o homem pode não estar tocando saxofone, e sim fumando um cachimbo...



Referências Bibliográficas

[1] Palavra "decidir" – Dicionário Houaiss -
http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=decidir&stype=k

quinta-feira, janeiro 17, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
2008 mal começou e já não se fala mais em "ano novo". Isso é típico dos tempos modernos, de renovação constante e instantânea, nos quais o novo já nasce enrugado, o moderno com feições antigas e o recente com aspecto retrógrado. Tudo muda o tempo todo e em tal velocidade que surpreende os que conseguem parar e pensar a respeito. Paro pra pensar e constato que o "ano novo", apesar dos poucos dias de existência, não é mais novo, é velho. Precisa de renovação.

Em meio a mudanças tão freqüentes e rápidas, sinto-me dominado por um profundo sentimento de inadequação. Estou ficando para trás. Sinto-me como se não fosse ágil o bastante para acompanhar o ritmo frenético dessa metamorfose sem fim. Por mais que tente me manter no presente, me dou conta de que já fui empurrado para o passado. Tal qual 2008, deixei de ser "novo" e a cada instante me torno mais obsoleto e ultrapassado. Portanto, preciso também de renovação, urgente, a começar pela cabeça.

Minha cabeça é palco de constantes mudanças. Pasmo ao observá-la: cabelos caducam e caem, cedendo lugar a lembranças que nascem e crescem com pujança e rapidez. Lembranças são cabelos que crescem para dentro! Minha cabeça está infestada desse tipo sinistro de cabelo que anuvia a visão. São lembranças que evocam saudades de tempos distantes, nos quais o relógio contava as horas sem pressa e os anos demoravam a passar. Lembranças daqueles tempos em que eu não usava relógio, nem possuía agenda: orientava-me pela voz imperativa da mãe; pelo jogo de luz e sombra que demarcavam a aurora e o crepúsculo, os dias e as noites; pelos fins de semana (em especial o sábado) nos quais a dança dos dias se alterava... Notas substituídas por pausas... E, assim, sem estresse e sem pressa, era registrada, na partitura da vida, a melodia suave e lenta de um viver tranqüilo e saudável.

Falando desse modo, até parece que o passado foi colorido e perfeito e contrasta com um presente sem cor e sem sabor. Mas, é esta uma conclusão digna de crédito? Penso que não. Trata-se, na verdade, de uma distorção, de efeitos (ou defeitos) especiais elaborados com maestria e primor por uma cabeça que realmente precisa de renovação: a minha.

O passado foi bom, não nego, mas não tanto quanto se afigura em tais lembranças ébrias de saudade, embriagadas pelo forte álcool da nostalgia. O passado foi bom na medida em que serviu de base para o hoje, mas pode se tornar pernicioso quando, na forma de lembranças romantizadas, substitui o presente – dádiva divina a ser apreciada com lucidez, sabedoria, presença de espírito e gratidão.

É curiosa a forma como minha cabeça funciona: oscila sempre entre lembranças do passado e inquietações quanto ao futuro. Move-se constantemente da história para a ficção. Descola-se, com extrema naturalidade, do que já morreu para o que ainda não nasceu. Está sempre ausente do presente... Definitivamente, tal cabeça precisa de re-no-va-ção!

Por isso, estabeleço aqui uma meta para 2008: Cuidar melhor de minha cabeça! Como? De duas maneiras: Tentarei (1) evitar a queda de cabelos e (2) impedir que as lembranças se alastrem.

Difícil missão! Meta ambiciosa! Desejo a mim mesmo boa sorte!



Referências Bibliográficas:

Imagem:
http://bp1.blogger.com/_qe49fX8mU-c/RjERLebZaHI/AAAAAAAAABw/PIaJmogwrAM/s1600-h/vv.jpg
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