quinta-feira, junho 05, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Fernão de Magalhães foi um navegador português que, a serviço do rei da Espanha, iniciou em 1519 aquela que seria conhecida como a primeira viagem de circum-navegação. Passou pela baía de Guanabara, foz do Rio da Prata, contornou a América do Sul através do estreito que recebeu o seu nome (Estreito de Magalhães) e alcançou, por fim, as águas do oceano Pacífico. Aliás, ele é conhecido, oficialmente, como o primeiro europeu a navegar pelo oceano Pacífico. É de se admirar a ousadia desse navegador que, à bordo de uma frágil caravela, ousou ir tão longe.

Menos conhecido é ele por ter empreendido, com êxito, outra viagem, igualmente fantástica, pelas águas proibidas do mar do saber, da observação, do empirismo, que o colocava em rota de colisão com as forças eclesiásticas dominantes na época. Sobre sua crença na esfericidade da Terra, ouçamos o que ele disse:

"A Igreja diz que a Terra é plana, mas sei que ela é redonda, porque vi a sombra dela na Lua, e acredito mais numa sombra do que na igreja".
terça-feira, junho 03, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Por muito tempo acreditei que Cabral havia descoberto o Brasil. Ainda me lembro das aulas de História, das gravuras estampando o momento da chegada dos intrépidos portugueses, com suas vestes extravagantes que contrastavam com a nudez escancarada dos nativos tupiniquins. Cabral me parecia um ser especial, talvez um herói que, com poderes quase divinos, teria pronunciado a frase mágica: "Haja Brasil" e, do nada, o Brasil passou a existir.

Exageros à parte, constato hoje o quão ingênuo fui – não passava de um tupiniquim do século XX que, embora mantendo o corpo coberto, conservava a cabeça desnuda e acolhedora, pronta para receber e internalizar o que me fosse apresentado por um marujo qualquer, que se dissesse conhecedor dos mistérios e segredos ocultos no grande mar da ignorância humana.

Embora não seja um especialista em História (e talvez por isso), sinto-me à vontade para questionar o que de fato teria acontecido uns 500 anos atrás, por ocasião do tal descobrimento. Oito anos antes de Cabral, em 1492, Colombo teria descoberto a América, da qual o Brasil faz parte. Logo em seguida, em 1494 e com a bênção da Igreja, Portugal e Espanha dividiram o "novo mundo" entre si ao assinarem o tratado de Tordesilhas. Pouco depois, o rei de Portugal, D. Manuel I, teria encarregado o cosmógrafo e geógrafo Duarte Pacheco Pereira a realizar uma viagem secreta com o objetivo de dar uma espiada nas terras situadas além da linha de demarcação de Tordesilhas. Em 1498, Duarte Pacheco Pereira teria aportado entre o Maranhão e o Pará. Não bastando essa investida inicial dos portugueses, em 26 de janeiro de 1500, o navegador espanhol Vincente Pinzon alcançou a costa do Brasil e tomou posse da terra em nome do rei da Espanha. Por fim, em 22 de abril de 1500, Cabral, em viagem à Índia com suas 17 embarcações, ancorou em solo brasileiro, tornando-se, oficialmente, o descobridor do Brasil. Que bela história! Oficial, certamente; verdadeira, nem tanto.

Até onde sei, não é possível mudar a História. O que se pode mudar, e de fato muda, é o grau de conhecimento que dela temos. Novas investigações costumam nos trazer novas informações. Essas novas informações, por sua vez, podem irradiar luz sobre as sombras do passado, tornando visíveis silhuetas esmaecidas, contornos pálidos, detalhes desbotados, cenários obscuros e verdades até então escondidas sob a grossa poeira do tempo e da ignorância.

Ao estudar e revisar a História, aprendemos que o conhecimento da verdade é construído gradualmente, como se fosse uma dança lenta: dois passos pra frente; um passo pra trás...

Sendo bem honesto, pouco me importa o nome do europeu que primeiro pisou em solo brasileiro. Em nada minha vida seria afetada caso se resolvesse reescrever a história do descobrimento, substituindo o nome de Cabral por outro qualquer, como Duarte Pacheco Pereira ou Vincente Pinzon. Mas tudo isso me faz pensar e me questionar sobre outras histórias que me contaram e que, embora oficiais, talvez não sejam mais verdadeiras que a história da descoberta do Brasil, atribuída a Cabral.


Referências:

1. Imagem - Cabral - http://www.elizabethan-era.org.uk/pedro-alvares-cabral.htm
segunda-feira, junho 02, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Pois é... não quis ouvir a voz do corpo; acreditei em superação; dei uma de teimoso e paguei caro.

Quais eram esses sinais ?

1. O corpo ainda reclamava dos 25 km corridos uma semana antes;
2. A panturilha estava sensível;
3. Sentia fortes dores de cabeça, na véspera;
4. Não consegui dormir à noite;
5. Levantei-me de madrugada, cansado de rolar pela cama e ainda com a cabeça dolorida.

Dilema Shakespeareano (essa palavra existe?): "Correr ou não correr? ". Falou mais alto a teimosia. Resolvi correr.

Chovia... Fazia um frio terrível... O corpo pedia repouso; a cabeça exigia movimento. Entrei no carro e parti para o Ibirapuera.

Mais problemas:

1. Quase uma hora na fila aguardando o ônibus da organização que me levaria até o local da largada. Fiquei ensopado. Já não sentia os dedos dos pés e das mãos.
2. Cheguei à arena da largada faltando 10 minutos para início da corrida. Mal coloquei o pé na área reservada para os maratonista e ouvi um "bum". Foi dado o tiro de largada.
3. Não fiz aquecimento nem alongamento.

O congestionamento humano era imenso. Primeiro caminhei, depois, ao passar pelo tapete de largada, comecei a trotar, sempre atento à panturrilha. Nem percebi quanto atravessei a nova Ponte Estaiada. Estava mais preocupado com a barreira humana à minha frente e com a turma que iria correr apenas 5 e 10 km e que gritava "abram! abram!".

No km 3 a panturilha esquerda abriu o bico. Ainda faltavam 39 km. Correr ou não correr? Teimei em prosseguir correndo. Meus batimentos cardíacos estavam na casa dos 173 quando não deveriam passar dos 160. A noite mal dormida começava a cobrar o seu preço. O corpo precisava de descanso e não de uma desgastante maratona.

Km 1 ao 5 (em 0:27:13h) – Os batimentos cardíacos continuaram elevados. A dor na panturrilha aumentava. O desconforto crescia. A teimosia também. Continuei - sofrendo e correndo.

Km 5 ao 10 (em 0:26:33h) – As dores eram intensas. Não pensava mais na prova e sim em alguma estratégia para lidar com a dor. O ritmo já não era constante. Não queria desistir, mas não havia condições físicas para prosseguir. No km 11 senti uma forte fisgada na outra panturrilha. O bom senso recomendava uma parada imediata, mas foram necessários mais quatro quilômetros para que a cabeça cedesse aos apelos do corpo.

Km 10 ao 15 (em 0:26:26h) – Fiz o possível para continuar, mas não dava mais. Dei-me por vencido. Parei após apenas 15 km. Abaixei a cabeça, como se estivesse envergonhado de meu ato, e voltei, lentamente, caminhando do Villa Lobos até o Ibirapuera, sentindo muito frio. Às vezes garoava. Às vezes ventava. Acompanhava-me a dor da desistência que só não era maior que as dores nas panturrilhas.

Hoje, dois dias depois, ainda sinto dificuldades em caminhar. O jeito agora é parar por uns dois ou três meses e depois recomeçar, lentamente.

Que fiasco!



Referências:

1. Foto: Site Runner Brasil - http://www.runnerbrasil.com.br/
terça-feira, maio 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Pangaea separation animation

Era uma vez, há duzentos e cinqüenta e um milhões de anos...

Meu Deus! Só em pensar nessa cifra sinto vertigem. Está além da minha débil capacidade de compreensão. Para mim, cem anos já é muito, o que dizer de milhões e milhões?

Em apenas um milhão de anos é possível recontar a história do Brasil duas mil vezes! Já pensaram nisso? O português Cabral chegando por aqui para tomar posse do território em 1500; a criação das Capitanias Hereditárias; o massacre das civilizações indígenas; os duzentos anos de escravidão negra... e por aí vai. E toda essa história sendo repetida duas mil vezes para se chegar ao primeiro milhão de anos... Definitivamente, duzentos e cinqüenta e um milhões de anos é demais para a minha cabeça.

De acordo com a escala de tempo geológico, há duzentos e cinqüenta e um milhões de anos, a Terra vivia o final da era Paleozóica, mais precisamente, o final do período Permiano. Sua aparencia diferia da atual. Os continentes se aglutinavam formando uma grande massa de terra conhecida como Pangea. Foi então que algo terrível começou a acontecer, desencadeando a maior onda de extinção em massa até aqui conhecida: 95% das espécies então existentes desapareceram.

O que teria acontecido?

É curioso observar que, quanto o homem se pôs de pé nesse planeta, a maior parte das formas de vida já havia desaparecido. Parece tolice o esforço que fazemos hoje para preservar algumas espécies ameaçadas de extinção, quando, ao que tudo indica, todas as espécies estão fadadas ao aniquilamento, inclusive a nossa. É apenas uma questão de tempo. Mais alguns milhares ou milhões de anos e seremos como se nunca tivéssemos sido. (É claro que, do ponto de vista religioso, o cenário futuro é bem mais otimista.)

O que teria acontecido no final do Permiano? O que provocou tão grande extinção? O vídeo abaixo (de uns 47 minutos de duração), sugere uma possível resposta.



Referências:
1. Imagem inicial - Pangea: http://en.wikipedia.org/wiki/Pangaea
2. Vídeo: http://video.google.com/videoplay?docid=-4119343615649811862
domingo, maio 25, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Neste domingo, comemorei, com quase dois meses de antecedência, meu aniversário, participando dos 25 Km Corpore. Um amigo, o Cleiton, presenteou-me com a inscrição. Havíamos planejado correr juntos, como parte da preparação para a Maratona de São Paulo, com data marcada para a próxima semana. Infelizmente ele não pode comparecer e coube a mim desfrutar, sozinho, desse presente.

O dia amanheceu com ares outonais: céu de brigadeiro e brisa suave. Na ida para a arena de largada (na USP), observei que os termômetros de rua marcavam 15º C. As condições meteorológicas não me preocupavam. O que estava me deixando com a "cabeça quente" era a velha e insistente dor na panturrilha esquerda. Durante a última semana, esse desconforto se fez presente até mesmo ao caminhar, subir escadas e ao dar o primeiro passo pela manhã, ao descer da cama.

Conseguir percorrer os 25 Km nessas condições já seria uma vitória. Ademais, seria o treino de maior duração desde o dia 03/06/2007, ocasião em que conclui a última edição da Maratona de São Paulo. Fiz o aquecimento, seguido de alongamento da panturrilha. Constatei que não seria fácil, mas também não seria impossível. Posicionei-me no final do pelotão estrategicamente, para impedir que a afobação inicial me levasse a correr num ritmo para o qual não estava condicionado e forçasse ainda mais a panturrilha já sensível.

O sinal soou e comecei a desfrutar do prazer de correr, após quase um ano ausente desses eventos. A estratégia inicial deu certo: um barreira humana quase intransponível segurou o meu ímpeto inicial e só depois de uns três quilômetros é que pude estabelecer o meu ritmo de prova. A panturrilha reclamava o tempo todo. Fiquei atendo. Caso o desconforto aumentasse teria que abandonar a prova, o que acabou não sendo necessário.

Concluí os 25 km bem melhor que imaginava ser possível. Agora é dar atenção à panturrilha e torcer para que ela não me impessa de participar da Maratona de São Paulo, no próximo domingo.

Resumo da Corrida:

Intermediárias:

a) 0 a 5 km em 0:27:18h ;
b) 5 a 10 km em 0:26:09h;
c) 10 a 11 km em 0:26:09h (diferença na casa dos centésimos);
d) 11 a 20 km em 0:25:33h;
e) 20 a 25 km em 0:25:21h .

Ritmo Médio: 5:13 min/km.
Tempo Líquido: 2:10:32h.
Tempo Bruto: 2:12:52h.
terça-feira, abril 22, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Lembrei-me esta semana, daquela velha história de uma mãe judia, separando-se do filho convocado para servir o exéricito do czar contra os turcos:

"Não se dedique demais" aconselhava ao filho, "mate um turco e descanse; mate outro turco e descanse outra vez".

"Mas mamãe", diz o filho " e se o turco me matar?"

"Matá-lo?" Ela grita indignada, "Por quê? que mal você fez a ele?"



Referência:

sexta-feira, março 28, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

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