terça-feira, abril 21, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Sinto uma aversão profunda às baratas. Já vou adiantando que não é frescura. É um pavor que considero muito bem fundamentado. Sejamos francos: o mundo seria melhor e mais acolhedor sem elas, não é mesmo? Como são feias, nojentas, repugnantes, abomináveis e nocivas! Uma verdadeira praga. Você sabia que, para cada barata encontrada, há outras mil escondidas? Há quem diga (e eu faço questão de concordar) que as baratas são o principal vetor de transmissão de doenças ao homem, tendo sido comprovadas trinta e duas doenças causadas por bactérias, dezessete por fungos, três por protozoários e duas por vírus [1]. Não é de se temer um bicho desses?

E como são resistentes! Dizem por aí que elas resistiriam até mesmo a um apocalipse nuclear! Já pensou nisso? É mais provável, no futuro, um planeta Terra sem seres humanos do que sem baratas! Que horror! Que terrível! Para minha tristeza, as baratas são especialistas em sobrevivência. Já fiz de tudo para acabar com elas: inseticidas, iscas, K-Otrine, penitências, orações, promessas e jejuns. Nada funcionou. Será que magia negra resolve?

De tanto enfrentá-las, aprendi a respeitá-las também. É verdade. Fico consternado em fazer tal confissão. Apesar do meu ódio descomunal às baratas, de minha aversão doentia a elas, de meu desejo quase insano de bani-las da Terra, de meu desconforto e insatisfação em ter que conviver com elas, reconheço sim – a contragosto – que as baratas são um "intelligent design", um projeto bem sucedido, especializado na dura arte da sobrevivência.

Não entendo quase nada de biologia. Por isso, quando comparo o ser humano às baratas, sou induzido a pensar que levamos larga vantagem sobre elas, afinal, somos inteligentes, sofisticados, com um cérebro grande e complexo, ao passo que elas, coitadas, possuem um sistema nervoso rudimentar, um cérebro reduzido, uma visão limitada que as torna quase cegas. Mas é possível que eu esteja enganado...

A cada dia que passa, espanto-me mais com a capacidade adaptativa dessa praga repugnante. Algumas espécies de baratas, por exemplo, sobrevivem até trinta dias sem água; outras (ou as mesmas, sei lá) resistem até dois meses sem comida. E veja que horripilante: mesmo decapitada, uma barata é capaz de sobreviver por nove dias! (Isso me embrulha o estômago). E tem mais: em situações extremas, algumas espécies de barata se reproduzem sem a intervenção de um macho[2]. Deus do céu! Pode um coisa dessa?

Pelo que andei lendo, as baratas são originárias do continente africano e, não sendo boas voadoras, devem ter feito uso de navios para conquistar o mundo [3]. Hoje elas estão presentes em todos os continentes e em todos os lugares. Freqüentam restaurantes, igrejas, mercados, escolas e hospitais. E por mais que lhes neguemos entrada, elas se intrometem sorrateiramente em nossos lares e se transformam em hóspedes indesejados e perigosos. É provável que neste momento, enquanto lê este texto, alguma barata esteja a poucos metros de você. Cuidaaaaaaaaaaaaado!!!

Será que algum dia conseguiremos exterminá-las? Acho Difícil. Muito difícil. Mas sou um homem de fé. Tenho esperança e sonho com um mundo melhor para todos nós. Um mundo mais justo e fraterno, sem guerras, sem fome, sem doenças e sem baratas.

Resisto em crer que Deus as tenha criado. Não pode ser. Não faz o menor sentido para mim. Deus é bom e as baratas são perniciosas. Elas só podem ser obra do Capeta, o que me estimula em prosseguir nessa "guerra santa" contra elas. Preciso avisar a todos que baratas são seres demoníacos, filhas do Cão, agentes do mal, propagadoras de doenças, pecadoras malditas, amaldiçoadas pelo céu, inimigas dos santos, condenadas pelo Papa, destinadas a queimar no fogo do inferno, junto com o Diabo chifrudo que as criou.

E se você concorda comigo então levante também essa bandeira e participe desta guerra santa contra as baratas!

Referências:
[1] - Diário de biologia - "Curiosidades sobre Baratas!" - http://diariodebiologia.com/2008/04/curiosidades-sobre-baratas/
[2] - Pragas - "Baratas: Curiosidades" - http://www.pragas.com.br/pragas/barata/barata_curiosidades.php
[3] - Wikipedia - "Blattaria" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Blattaria
quarta-feira, abril 15, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O título escolhido para esta postagem foi extraído da música "Tempos Modernos" de Lulu Santos. Pareceu-me bastante apropriado usá-lo porque sinto que o tempo tem passando depressa demais. Os dias ganharam asas. São aves de arribação que voam, apressados, para longe. E as horas não são mais horas; são minutos, talvez segundos... tão curtas, tão efêmeras... Quando penso que são, já foram. Evaporaram. Passaram sem que eu me desse conta. Passaram e me desgastaram (corroeram-me, consumiram-me, debilitaram-me...)

Tenho quase absoluta certeza de que foi ontem que o ano começou. Será que estou ficando senil? Vivo em conflito com o calendário, que teima em afirmar que já estamos em Abril. Não é possível! Olho para trás e não vejo tantos dias decorridos assim, neste ano. Meus sentidos me enganam... ou, talvez, os dias tenham sido tão semelhantes, tão iguais entre si, que acabaram se fundindo em um só, em minhas lembranças. 

Seja como for, sinto que o tempo deu uma acelerada e eu, já cansado, não consigo mais acompanhá-lo. Estou ficando para trás. Talvez por isso tenha pensado com tanta freqüência naquela poesia - Retrato - de Cecília Meireles que toca nessa questão com simplicidade, beleza e profundidade. E de tanto pensar nela, resolvi transcrevê-la abaixo e compartilhá-la com vocês. 

Retrato
 
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

(Cecília Meireles)

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domingo, abril 12, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Hoje, assistindo ao programa Esporte Espetacular na Globo, senti um forte desejo de participar da Maratona de São Paulo. Já havia desistido dela por falta de tempo para treinar. Mas agora, um mês e meio antes do evento, fico tentando encontrar um jeitinho de participar mais uma vez.

Desejo à parte, o fato é que treinei muito pouco neste ano. Em janeiro foram apenas 75 quilômetros; em fevereiro, 98; Em março 77 e em abril 24. Na média, não estou rodando nem 20 Km por semana. Com uma quilometragem tão baixa, participar de uma maratona é ser imprudente e masoquista.

O que fazer? Treinar antes de ir trabalhar? Só se me levantar por volta das 3:00h da madruga, o que me parece uma insanidade. Correr após o trabalho? Hum... Lá pelas 20:00h... Muito escuro e, nesse horário, já estou tão cansado que o treino seria pouco produtivo. Até daria para correr meia hora, o que é insuficiente para preparar alguém para enfrentar os desafios de uma maratona.

Não sei o que fazer. Ainda não desisti da Maratona, mas sei que, para participar, dependerei de um milagre, ou algo equivalente.
quarta-feira, abril 08, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Só hoje, com sete meses de atraso, é que me dei conta de uma postagem no blog Filosofando, de meu amigo o Prof. Dr. Frank Carvalho a respeito dos Dez maiores enigmas da ciência. Ao comentar algumas dessas questões intrigantes, o Frank levanta outras igualmente inquietantes. Vale à pena conferir, clicando no link Perguntas Intrigantes.

Esse incidente (atraso de sete meses até localizar e ler o artigo do Frank) me motivou a redigir este artigo recomendando uma solução bastante prática, da qual já lancei mão há algum tempo: o uso de um leitor de feeds.

"Feeds" (do inglês "alimentar") é o termo usado para o processo de distribuição de conteúdo na WEB, empacotados em formatos específicos e padronizados. Justamente por isso, esses feeds (também conhecidos como RSS Feeds) podem ser acessados para leitura em ferramentas específicas, conhecidas como leitores de feeds. Um desses leitores é o Google Reader.

Um leitor de feeds permite que você acompanhe novos artigos e conteúdos publicados em sites, blogs, agências de notícias, etc. e tudo isso de um único ponto central. A grosso modo, é como se você abrisse sua caixa de e-mails e percebesse rapidamente quantas e quais são as mensagens que você recebeu e ainda não leu.

Hoje não corro o risco de perder um artigo publicado pelo Frank ou por outros amigos que possuem blogs. Também acompanho as novidades do mundo de TI e monitoro outros tantos sites que abordam temas que são do meu interesse.

Fica aqui a dica: use também um leitor de feeds para facilitar sua vida e manter-se atualizado. Com a proliferação de sites interessantes, não dá mais pra ficar confiando na barra de "favoritos" de seu navegador. Também não é recomendável confiar apenas na memória. Às vezes a gente se descuida e lá se vão sete meses...

Há vários leitores de feeds disponíveis na WEB. Pelo que sei, o Google Reader é o 4º colocado (veja aqui). Mesmo assim eu o recomendo pela praticidade, simplicidade e facilidade de uso e acesso. Quem tem conta no Google (Ex: GMail, Blogger, Blogspot, Orkut, etc.) já dispõe desse serviço. É só começar a usá-lo.

A seguir, disponibilizo algumas dicas iniciais para que você possa dar os primeiros passos no Google Reader. Vá por mim: é muito fácil e bastante útil.

1. Endereço de acesso: http://www.google.com.br/reader/

2. Informe seu usuário e senha do GMail (Ou do Blogger/Blogspot);
3. Na barra lateral (a sua esquerda) clique em "Procurar coisas";
4. Na área central será exibida uma página com o título "Descubra e pesquise Feeds";

5. Procure por uma caixa de texto identificada pelo rótulo "Pesquisar feeds usando palavras chaves".

6. Como sugestão, digite "detextoemtexto" e pressione o botão "Pesquisar feeds";

7. A página será atualizada com feeds correspondentes a palavra pesquisada (que nesse exemplo foi "detextoemtexto")

8. Agora é só clicar no botão "adicionar a uma pasta" para acompanhar o que publico no meu blog "de texto em texto". Caso não haja nenhuma pasta, selecione "Nova Pasta", informe o nome dessa nova pasta e pronto.

Simples, não é mesmo?

Você pode organizar seus feeds em pastas. Eu tenho uma, por exemplo, chamada "Blogs de Amigos", outra chamada "Tecnologia" e por aí vai.

Faça um teste e facilite sua vida!
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terça-feira, abril 07, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
AS INDAGAÇÕES
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

DOS MILAGRES
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!

SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

AMOR
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo.

POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
terça-feira, março 31, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Estou sob o efeito de uma forte gripe. Forte não; fortíssima. Começou na sexta, prosseguiu durante o fim de semana e ainda está por aqui, atormentando-me.

Febre, dor de cabeça, dores nas articulações, fraqueza muscular, garganta inflamada e hipersensível, indisposição, falta de apetite, dificuldade para dormir, pesadelos, calafrios, congestão nasal e por aí vai.

Remédio? Evito ao máximo usá-los, mas dessa vez tive que ceder: chás, xaropes, analgésicos além do bom e velho mel... Mas a gripe continua por aqui, firme e forte.

Haja paciência!

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domingo, março 29, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges

O soneto abaixo, denominado "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", é de Luís de Camões, considerados por muitos como o maior poeta da língua portuguesa.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
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