quarta-feira, maio 27, 2009 |
Autor: Ebenézer Teles Borges
No próximo domingo, às 9:00h, será dada a largada para mais uma Maratona de São Paulo. Hoje, quarta-feira, é o último dia para inscrição. Eu já me decidi. Desta vez não participarei. Prevaleceu o bom senso, embora não me falte vontade de estar lá entre os muitos que tentarão percorrer os 42 quilômetros da prova.Não foi fácil tomar a decisão de ficar de fora desse evento. Ou melhor, tomar a decisão até que foi fácil, difícil mesmo foi aceitá-la, tanto que, no último domingo, ainda movido pela esperança, saí para um último treino avaliativo, no intuito de me convencer a participar. Estabeleci a seguinte meta: caso conseguisse percorrer qualquer distância superior a 20 quilômetros eu participaria da maratona.
E assim, comecei a correr pouco antes do meio dia, sob o suave sol de outono. Estava motivado e os quilômetros iniciais foram vencidos com facilidade. Cinco quilômetros adiante, fiz uma rápida avaliação e constatei que estava "inteiro". Comecei a crer que superaria a marca de 20 quilômetros e, conseqüentemente, participaria da maratona. Não dizem por aí que "querer é poder"?
O tempo vai passando e o treino prossegue. Gosto de correr. Enquanto corro me desligo de tudo e de todos, afasto-me do mundo, distancio-me de mim... Pura emoção: endorfina fluindo por dentro, suor escorrendo por fora, euforia, entusiasmo, êxtase, prazer. Não quero parar. Quero correr. Querer e Poder!
Aos poucos, contudo, as circunstâncias vão mudando. Observo o relógio: 0:52:36h de corrida e dez quilômetros percorridos. Estou de volta ao corpo, corpo que há pouco parecia não existir. Sinto os primeiros sinais de exaustão. O coração acelerado, as articulações sensíveis, a respiração ofegante e a cabeça em dúvida: querer é poder? Não sei. Já não tenho certeza. Mesmo assim teimo em seguir correndo... e o correr já não me é tão aprazível.
Doze quilômetros e o corpo pede arrego. As pernas hesitam. Logo elas que me pareciam tão fortes, tão firmes, tão resolutas lá no começo! E cada novo passo me leva para longe da maratona... Desta vez, querer não é poder!
Correr é bom. Gosto de correr. Mas quando o cansaço bate não há muito o que se possa fazer. É preciso respeitar os limites do corpo. E foi isso que fiz após ter percorrido apenas quinze quilômetros.
Conclusão: a maratona de São Paulo, que ocorrerá no próximo domingo, para mim já é passado.
Categoria:
corrida de rua
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