sexta-feira, junho 19, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
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sexta-feira, maio 29, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
No princípio era assim: acima de tudo e de todos estava Deus. Com Sua barba longa, cabelos brancos, corpo roliço e barriga avantajada, lembrava-me o bom e velho Papai Noel. Passava a maior parte do tempo acomodado em Seu enorme trono, em divino e santo ócio. Às vezes bocejava. Eu imaginava que, quando lúcido, Suas atitudes se assemelhassem às de meu avô, um velhinho bonachão e divertido que gostava de contar histórias exageradas. E pouco abaixo dEle estavam seus dois filhos, Jesus e Cristo, aos quais Ele delegara a missão de cuidar do Universo.

O primeiro dos filhos, Jesus, sempre trajava vestes brancas e resplandecentes. Seu aspecto era elegante e nobre e trazia no rosto um sorriso cativante e gentil. Vivia cercado de anjos, num lugar idílico, ocupando-se com a nobre tarefa de edificar mansões e construir uma cidade de ouro para nós. Uma vez concluída essa empreitada, Ele retornaria à Terra com pompa e circunstância, acompanhado por legiões de anjos e ao som de trombetas e cantos. Seria um dia de festa! Em seguida nos conduziria ao nosso novo lar, ao paraíso celeste, onde viveríamos em gozo eterno. Eu adorava Jesus. Ele era um dos meus heróis, o maior de todos, o mais forte e bondoso. E eu, como qualquer criança educada nas tradições cristãs, queria estar com Ele, sentar em Seu colo, ouvir-Lhe a voz macia e sussurrar-Lhe aos ouvidos minhas preces inocentes.

O segundo filho, Cristo, era-me uma fonte de muitos tormentos. Sua presença era sempre evocada em situações constrangedoras, quando eu cometia algum deslize. Diziam-me: "Quando Cristo voltar você vai pagar!". Era o bastante para que o medo e a culpa me apertassem o peito e a tristeza inundasse meu coração. Como temia esse Cristo! Quão melhor seria minha vida se Ele não existisse! Ainda me lembro de Seu aspecto sombrio: vestes negras, semblante austero, olhar intimidador, postura ameaçadora, tendo na mão um livro de capa preta no qual anotava todas as minhas falhas e faltas.

O pior é que todo dia eu aprontava uma. Não que eu fosse uma criança insubordinada. De fato era mais bem comportado que a maioria de meus coleguinhas. Mesmo assim incorria em frequentes desvios de conduta: um atrito com outra criança, uma recomendação não seguida, um comportamento inadequado, uma insubordinação aos pais, um sei lá o quê... e lá vinha uma punição e/ou era pronunciada a maldita sentença: "Quando Cristo voltar você vai pagar!". Ah, como esse Cristo me aborrecia! Queria tanto que Jesus acabasse com Ele! Eu orava em segredo pedindo a Jesus que O exterminasse. Mas Jesus era bonzinho demais, até mesmo com Cristo, e o deixava viver e prosseguir me atormentando.

Vivia assim a curiosa experiência de amar a Jesus e odiar a Cristo. O primeiro era meu amigo, o segundo, inimigo temerário. Um era o mocinho, o outro, o bandido. Buscava o colo de um e fugia da presença do outro. Desejava ardentemente que Jesus voltasse, e tremia nas bases só em pensar na volta de Cristo. Quanta confusão em minha cabeça infantil! Confusão essa que só foi desfeita mais tarde, quando me fizeram crer que Jesus e Cristo eram a mesma pessoa. Que alívio! Eu estava enganado!

Mas essa era apenas uma parte da história. Tudo que eu atribuía ao "Cristo mau", muito mais se consubstanciava em um ser inferior e perigoso chamado Diabo ou Satanás. E foi assim, com uns quatro ou cinco anos de idade, que o Diabo apareceu pela primeira vez em minha vida e começou a me rondar.

Meu alívio durou pouco. Descobri que esse tal Diabo era uma ameaça bem maior, além de ser feio de doer: cabeça grande, orelhas pontudas, pé-de-bode, pele encarnada, corcunda, olhar sinistro, boca grande, dentes afiados, língua de cobra... bota feio nisso! Era só eu ficar sozinho ou em lugar mal iluminado que o Capeta se revelava. Que medo! Sentia um frio na barriga e saía em disparada em busca de proteção. Pra piorar, disseram-me que o Diabo não estava sozinho. Sob seu comando havia um monte de diabinhos que fariam de tudo pra me levar para o inferno. E o inferno, que era a cada do Diabo, era um lugar medonho, quente, abafado, com labaredas enormes pra todo lado. Um segundo lá e eu viraria torresmo. Mais um e viraria fumaça. Que horror! O jeito era ficar na luz, me pegar com Jesus e tratar de ser bonzinho pra escapar do Chifrudo.

Não entendia por que Jesus não voltava logo para acabar com o Diabo. Isso ninguém me explicava. Por que Ele estava demorando tanto? Eu estava disposto a abrir mão da mansão de ouro que Ele estava preparando para mim, contanto que Ele me livrasse logo da presença incômoda do Diabo. Mas Jesus não voltava e eu fui crescendo e aprendendo a lidar melhor com meus medos e minhas crenças.

Hoje, enquanto escrevo esse texto, essas lembranças me divertem. Mas naquela época, com tão pouca idade, tudo me parecia muito real e assustador. Minha angústia e sofrimento eram verdadeiros e profundamente dolorosos. Tinha medo da escuridão e dormia sempre com a luz acesa. Por um bom tempo, vivi num mundo assombrado por demônios. Por que será que adultos bem intencionados contam esse tipo de história para crianças?

Enfim, tudo isso é passado. Nada mais que lembranças. Hoje, a forma como vejo a Deus, a Jesus Cristo e ao Diabo mudou bastante. Outra boa notícia é que não temo mais ficar sozinho, nem tenho medo da escuridão. Mas, por precaução, prefiro não assistir a filmes de terror. Vá lá que o Demônio volte...
quarta-feira, maio 27, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
No próximo domingo, às 9:00h, será dada a largada para mais uma Maratona de São Paulo. Hoje, quarta-feira, é o último dia para inscrição. Eu já me decidi. Desta vez não participarei. Prevaleceu o bom senso, embora não me falte vontade de estar lá entre os muitos que tentarão percorrer os 42 quilômetros da prova.

Não foi fácil tomar a decisão de ficar de fora desse evento. Ou melhor, tomar a decisão até que foi fácil, difícil mesmo foi aceitá-la, tanto que, no último domingo, ainda movido pela esperança, saí para um último treino avaliativo, no intuito de me convencer a participar. Estabeleci a seguinte meta: caso conseguisse percorrer qualquer distância superior a 20 quilômetros eu participaria da maratona.

E assim, comecei a correr pouco antes do meio dia, sob o suave sol de outono. Estava motivado e os quilômetros iniciais foram vencidos com facilidade. Cinco quilômetros adiante, fiz uma rápida avaliação e constatei que estava "inteiro". Comecei a crer que superaria a marca de 20 quilômetros e, conseqüentemente, participaria da maratona. Não dizem por aí que "querer é poder"?

O tempo vai passando e o treino prossegue. Gosto de correr. Enquanto corro me desligo de tudo e de todos, afasto-me do mundo, distancio-me de mim... Pura emoção: endorfina fluindo por dentro, suor escorrendo por fora, euforia, entusiasmo, êxtase, prazer. Não quero parar. Quero correr. Querer e Poder!

Aos poucos, contudo, as circunstâncias vão mudando. Observo o relógio: 0:52:36h de corrida e dez quilômetros percorridos. Estou de volta ao corpo, corpo que há pouco parecia não existir. Sinto os primeiros sinais de exaustão. O coração acelerado, as articulações sensíveis, a respiração ofegante e a cabeça em dúvida: querer é poder? Não sei. Já não tenho certeza. Mesmo assim teimo em seguir correndo... e o correr já não me é tão aprazível.

Doze quilômetros e o corpo pede arrego. As pernas hesitam. Logo elas que me pareciam tão fortes, tão firmes, tão resolutas lá no começo! E cada novo passo me leva para longe da maratona... Desta vez, querer não é poder!

Correr é bom. Gosto de correr. Mas quando o cansaço bate não há muito o que se possa fazer. É preciso respeitar os limites do corpo. E foi isso que fiz após ter percorrido apenas quinze quilômetros.

Conclusão: a maratona de São Paulo, que ocorrerá no próximo domingo, para mim já é passado.
sábado, maio 23, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Há dias em que não sinto a menor vontade de sair da cama. Não que a cama esteja assim tão boa. É que o que me espera fora dela desanima. Até onde sei essa indisposição pode acontecer (e acontece) com qualquer um, menos com o Super-Homem, que não é deste mundo. E eu, que não sou kriptoniano, me peguei ontem em um desses dias de desencanto e mal-estar.

O motivo? Nada de grave. Nada que você ou qualquer um que já cresceu não tenha experimentado: um probleminha aqui, uma preocupaçãozinha ali, um incômodo acolá. Apenas isso. Nada demais. Coisas de adulto... Em dias assim, sabe-se lá por que, essas coisinhas pequenas tornam-se grandes o bastante para me assustar. E a ansiedade aparece, o desconforto cresce e o rio da vida deixa de fluir com leveza. Melhor seria se pudesse permanecer na cama...


Mas não dá. É preciso levantar, erguer a cabeça e ir à luta. Somos adultos. Descobrim
os que não somos especiais nem estamos imunes aos males que a vida traz. É claro que a vida tem seu lado bom e belo. Sabemos disso. Mas, em dias assim, cinzentos, esse saber não nos consola. Prevalece a falta de ânimo. O corpo padece, a alma entristece e a vida perde o brilho. Dá vontade de voltar a ser criança e escapar dos compromissos e obrigações da vida adulta... E quem nunca se sentiu assim que atire a primeira pedra!

Tenho pra mim que o mundo da criança é bem mais interessante que o do adulto. Ele se apresenta cheio de vida, encanto, vibração e surpresas. É um mundo que se renova a cada instante, que se revigora a cada novo olhar.

O mundo do adulto, por outro lado, afigura-se um tanto sisudo e chato,
cansativo e monótono, enfadonho e repetitivo. Nele, trabalha-se muito, diverte-se pouco e a inocente exploração da realidade cede lugar à tediosa e responsável luta pela sobrevivência. As preocupações aumentam, o vigor físico diminui e a saúde começa a vacilar. O tempo deixa de ser um aliado e o futuro não se mostra mais tão amigo e amistoso quanto antes. Ser adulto não é fácil e nem sempre é bom. Às vezes chega a ser terrível e assustador. É quando, no íntimo da alma, sobrevém o espanto. E o homem se sente inseguro como menino, qual ave que saiu do ninho, sem saber se é capaz de voar.

Quem, alguma vez na vida, não se cansou de ser adulto? Quem nunca sentiu saudades da infância? E quem nunca desejou ter um pai amoroso, protetor e provedor, que assuma a responsabilidade e pague nossas contas? (Penso que tolo é quem não quer ter vida mansa).

Não estou só nesse desejo. E se duvidam, peço-lhes que deem uma olhada nas igrejas. Elas estão aí, em todo canto, em cada esquina. São erguidas do dia pra noite. Proliferam-se como se fossem ervas daninhas, embora não sejam. São flores que desabrocham sob chuvas de bênçãos que descem do céu. Observem-nas: a cada dia estão mais cheias de fiéis, pessoas que, cansadas da luta, buscam alívio nas promessas de prosperidade aqui e na esperança de facilidades futuras. Almejam ir para o Céu, um lugar especial no qual doenças não entram, tristezas não há, também não há contas a pagar, nem trabalho extenuante, nem rotina enfadonha, e muito menos adultos... Isto mesmo. No céu não há adultos, apenas crianças. Lá seremos todos inocentes e felizes. E teremos asas, como anjos e pássaros, com as quais poderemos voar sem medo.

Com efeito, o céu é um lugar destinado a crianças. Lá adulto não tem vez. É o que diz a Bíblia (S.Mateus 19:14). Nicodemos, um adulto, não estava credenciado a entrar nele a menos que renascesse como criança (S. João 3:3). Está escrito: "Se não ... vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus" (S.Mateus 18:3).

E ao que me parece, as igrejas estão interpretando esses textos ao pé da letra. Estão tentando transformar adultos em crianças. Tarefa difícil, senão impossível. Mais fácil é condicioná-los à agirem de modo infantil. E nisso elas estão logrando êxito. Duvidam? Então vou lhes dar um exemplo de aluno dedicado e que foi até elevado ao status de "santo", S. Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus (os jesuítas). Ele afirmava e testemunhava da mudança que lhe ocorreu com as seguintes palavras: "Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver determinado" [1]. Pronto. Virou criança!

Sinceramente, gosto de criança, mas adulto com comportamento infantil me enoja.


E retornando ao incidente que motivou esse texto, ontem acordei desmotivado, sem disposição para encarar os compromissos do dia. Senti até o desejo de voltar a ser criança, de poder não ser responsável, de deixar que outros decidissem tudo por mim. Mas ainda ontem, ao me lembrar do exemplo desse "santo", percebi o quão feio é ser pueril depois de já ter crescido. Se para ser santo é preciso agir assim, contento-me em permanecer pecador. Se ser criança é proceder dessa forma, prefiro continuar adulto.

Não pretendo abrir mão de meu discernimento, de minha capacidade cognitiva, da faculdade de pensar, da liberdade de escolher, acertar ou errar. Sei que renúncia ou negação não fará de mim uma criança, e sim um imaturo. Sei também que ser adulto não é fácil e nem sempre é bom. Mas, mesmo assim, estou decidido a continuar agindo como tal.

E você, o que decide?




Referências:
domingo, maio 17, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Que vontade de participar da Maratona de São Paulo! Mas dessa vez não vai dar. Faltam apenas duas semanas e a escassez de tempo me impossibilitou de treinar para encarar esse desafio.

O gráfico acima confirma o que disse: baixíssima quilometragem semanal. Neste mês, por exemplo, foram apenas 47 quilômetros, já computados os 10 km corridos hoje cedo.

Paciência. O jeito é me consolar assistindo ao evento pela TV.
quarta-feira, abril 29, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Era uma vez um sapo. Mas aquele não era um sapo qualquer, era um príncipe. Uma bruxa malvada lançou sobre ele uma maldição: palavras mágicas infectadas de poder malévolo transformaram o humano de sangue azul em anfíbio de sangue frio. Quanto poder nas palavras!

Eu era uma criança e, em minha inocência infantil, ficava fascinado com o poder das palavras que, na boca de uma classe privilegiada, transcendiam a esfera dos símbolos, ganhavam densidade e se realizavam no mundo objetivo. Perguntava-me, num misto de admiração e temor, se tais seres como bruxas, feiticeiros, encantadores, magos, adivinhos, videntes e profetas realmente existiam. Acreditava, isto sim, que acima deles, numa esfera elevada e inatingível, existia um Ser único e supremo em quem a palavra tinha o dom de se manifestar com força incomparavelmente maior e em proporções muito mais surpreendentes. Num passado distante, num tempo em que nem mesmo o tempo existia, esse Ser fez uso da palavra para dar conteúdo ao vácuo e, do nada, trazer tudo à existência. Está na Bíblia: "E disse Deus: Haja... e houve." (Gênesis 1:3).

Mesmo hoje, quando minha infância há muito se fez saudade, continuo a me surpreender com poder "mágico" das palavras, às quais recorremos com frequência como instrumento de ação, interação e coação. Por meio da palavra, agimos sobre os outros com incentivos, promessas, elogios, bajulações, mentiras, imprecações, insultos, ofensas e muito mais. E ao assim agirmos – ora exaltando, ora aviltando mediante palavras – é como se, por meio delas, ainda fôssemos capazes de transformar sapos em príncipes e príncipes em sapos.

E é aqui que começo a sentir certo desconforto, sobre o qual me permito falar em poucas palavras. Sinto-me dominado pela forte impressão de que nossa relação com as palavras às vezes se torna promíscua. Os dicionários definem "promiscuidade" como uma "mistura confusa" [1]. Desconfio que, sob condições que não me são claras, usamos a palavra pra criar uma espécie de realidade virtual dentro da qual nos sentimos mais confortáveis. Essa desconfiança ganha força sempre que ligo a TV e me deparo com programas religiosos nos quais reverendos, pastores, padres e apóstolos usam e abusam de palavras em rituais e cultos. Preces longas e invocações veementes são pronunciadas com fervor, evocando forças misteriosas capazes de manipular as leis da natureza. E são tantos e tão frequentes os milagres que supostamente acontecem que me pergunto se aquilo é ficção (fantasia) ou realidade. Não me parece que eu e eles vivemos a mesma realidade.

Permitam-me fazer uso de uma ilustração. Todos nós conhecemos bem um semáforo. Trata-se de um instrumento usado para controlar o tráfego de veículos e que faz uso de uma linguagem bastante simples, composta por três sinais luminosos nas cores verde, amarela e vermelha. A cada uma dessas cores está associado um significado: avançar, atenção e parar. Frequentemente vemos automóveis parando quando o semáforo emite um sinal vermelho e avançando quando o sinal está verde. Sabemos que não há nada de mágico ou sobrenatural no semáforo. Temos plena consciência de que a cor vermelha emitida por ele não possui o poder intrínseco de frear um caminhão. Ela é apenas um signo, um sinal, que o motorista interpreta como "pare!".

Parece simples, mas nem sempre nossa percepção é tão clara. Às vezes nos comportamos como se a palavra (o vermelho do semáforo), na boca de nossos guias, possuísse poder sobrenatural capaz de frear acontecimentos ruins ou mover o Universo em nosso favor. Movidos por essa crença, fechamos os olhos (e possivelmente a cabeça) quando eles oram invocando chuva, cura de moléstias, manutenção da saúde, advento de fortuna e, em alguns casos, a ruína e a morte dos inimigos.

Se ainda fosse criança eu acreditaria em tudo isso... Mas cresci. Hoje, bruxas e feiticeiros já não me metem medo, embora ainda me assombre com o poder das palavras, pois sei que, quando combinadas na dose certa, elas podem ser um sopro de vida ou uma lufada de morte. Usá-las, contudo, para transformar príncipes em sapos (ou coisas do gênero) me parece fantasia da qual gente grande deve desconfiar.


Referências
[1] Houaiss - verbete "Promiscuidade" - http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=promiscuidade&stype=k

terça-feira, abril 21, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Sinto uma aversão profunda às baratas. Já vou adiantando que não é frescura. É um pavor que considero muito bem fundamentado. Sejamos francos: o mundo seria melhor e mais acolhedor sem elas, não é mesmo? Como são feias, nojentas, repugnantes, abomináveis e nocivas! Uma verdadeira praga. Você sabia que, para cada barata encontrada, há outras mil escondidas? Há quem diga (e eu faço questão de concordar) que as baratas são o principal vetor de transmissão de doenças ao homem, tendo sido comprovadas trinta e duas doenças causadas por bactérias, dezessete por fungos, três por protozoários e duas por vírus [1]. Não é de se temer um bicho desses?

E como são resistentes! Dizem por aí que elas resistiriam até mesmo a um apocalipse nuclear! Já pensou nisso? É mais provável, no futuro, um planeta Terra sem seres humanos do que sem baratas! Que horror! Que terrível! Para minha tristeza, as baratas são especialistas em sobrevivência. Já fiz de tudo para acabar com elas: inseticidas, iscas, K-Otrine, penitências, orações, promessas e jejuns. Nada funcionou. Será que magia negra resolve?

De tanto enfrentá-las, aprendi a respeitá-las também. É verdade. Fico consternado em fazer tal confissão. Apesar do meu ódio descomunal às baratas, de minha aversão doentia a elas, de meu desejo quase insano de bani-las da Terra, de meu desconforto e insatisfação em ter que conviver com elas, reconheço sim – a contragosto – que as baratas são um "intelligent design", um projeto bem sucedido, especializado na dura arte da sobrevivência.

Não entendo quase nada de biologia. Por isso, quando comparo o ser humano às baratas, sou induzido a pensar que levamos larga vantagem sobre elas, afinal, somos inteligentes, sofisticados, com um cérebro grande e complexo, ao passo que elas, coitadas, possuem um sistema nervoso rudimentar, um cérebro reduzido, uma visão limitada que as torna quase cegas. Mas é possível que eu esteja enganado...

A cada dia que passa, espanto-me mais com a capacidade adaptativa dessa praga repugnante. Algumas espécies de baratas, por exemplo, sobrevivem até trinta dias sem água; outras (ou as mesmas, sei lá) resistem até dois meses sem comida. E veja que horripilante: mesmo decapitada, uma barata é capaz de sobreviver por nove dias! (Isso me embrulha o estômago). E tem mais: em situações extremas, algumas espécies de barata se reproduzem sem a intervenção de um macho[2]. Deus do céu! Pode um coisa dessa?

Pelo que andei lendo, as baratas são originárias do continente africano e, não sendo boas voadoras, devem ter feito uso de navios para conquistar o mundo [3]. Hoje elas estão presentes em todos os continentes e em todos os lugares. Freqüentam restaurantes, igrejas, mercados, escolas e hospitais. E por mais que lhes neguemos entrada, elas se intrometem sorrateiramente em nossos lares e se transformam em hóspedes indesejados e perigosos. É provável que neste momento, enquanto lê este texto, alguma barata esteja a poucos metros de você. Cuidaaaaaaaaaaaaado!!!

Será que algum dia conseguiremos exterminá-las? Acho Difícil. Muito difícil. Mas sou um homem de fé. Tenho esperança e sonho com um mundo melhor para todos nós. Um mundo mais justo e fraterno, sem guerras, sem fome, sem doenças e sem baratas.

Resisto em crer que Deus as tenha criado. Não pode ser. Não faz o menor sentido para mim. Deus é bom e as baratas são perniciosas. Elas só podem ser obra do Capeta, o que me estimula em prosseguir nessa "guerra santa" contra elas. Preciso avisar a todos que baratas são seres demoníacos, filhas do Cão, agentes do mal, propagadoras de doenças, pecadoras malditas, amaldiçoadas pelo céu, inimigas dos santos, condenadas pelo Papa, destinadas a queimar no fogo do inferno, junto com o Diabo chifrudo que as criou.

E se você concorda comigo então levante também essa bandeira e participe desta guerra santa contra as baratas!

Referências:
[1] - Diário de biologia - "Curiosidades sobre Baratas!" - http://diariodebiologia.com/2008/04/curiosidades-sobre-baratas/
[2] - Pragas - "Baratas: Curiosidades" - http://www.pragas.com.br/pragas/barata/barata_curiosidades.php
[3] - Wikipedia - "Blattaria" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Blattaria
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