quarta-feira, agosto 05, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Não dá para falar sobre minhas crenças sem recuar no tempo e regressar a minha infância. Então, vamos lá! Lembro-me muito bem do dia em que meu irmão me surpreendeu com a seguinte pergunta: "Quem é seu maior inimigo?". Hesitei um pouco antes de lhe responder que era o Diabo. "Não!", retrucou, ele, com firmeza e aparente convicção: "seu maior inimigo é o Ego". E eu, que até então desconhecia a existência dessa palavra, não tive outra alternativa senão lhe perguntar quem era esse tal de Ego. A resposta me pareceu sem nexo: "O Ego é você mesmo!". Fiquei pensativo, confuso e resolvi "consultar os universitários", isto é, o meu pai, que confirmou a história: Eu era, de fato, meu maior inimigo!

Nada daquilo fez sentido para mim. Como poderia eu mesmo ser meu maior inimigo? Não percebia em mim essa auto-hostilidade toda, nem me via como uma ameaça dissimulada a mim mesmo. Contudo, vindo de meu irmão e tendo o aval de meu pai, não havia por que discordar e, resignado, acolhi essa nova crença como verdadeira, passando a divulgá-la entre meus amigos.

Esse episódio serve para ilustrar o que me aconteceu reiteradas vezes no passado e que, talvez, possa ter-lhe ocorrido também. Ao longo da vida, dei guarida a muitas crenças cuja única âncora era o testemunho de pessoas em quem eu depositava confiança cega. A lógica por trás dessa minha atitude é de fácil compreensão: se tais pessoas eram de minha confiança, logo tudo que me diziam era confiável, fidedigno, verdadeiro, inquestionável. A vida, no entanto, se encarregou de me abrir os olhos para o fato de que as boas intenções e o cuidado sincero daqueles que nos amam não são salvaguarda inabalável contra o engano.

Por isso hoje, ao tentar falar sobre minhas crenças, faço questão de começar enfatizando algo que você certamente já sabe: eu sou humano e fui educado por humanos. Saliento isso porque nós, humanos, às vezes nos esquecemos que "os outros" também o são. A imperfeição faz parte de nossa natureza e, por conta disso, incorremos em erros freqüentemente. Eu, por exemplo, não posso negar que já falhei diversas vezes na vida e até perdi a conta das muitas escolhas equivocadas que fiz. E não me refiro aqui apenas a erros intencionais, aos quais sempre busquei evitar, mas principalmente àqueles deslizes sutis que cometemos ao tentar acertar!

Com relação as minhas crenças, sempre almejei aquelas que pudessem estampar o selo da verdade. Mais que isso, eu sempre acreditei ter acertado na escolha delas. Mas sou humano e cognitivamente imperfeito. Portanto, posso sim ter me equivocado e albergado crenças falsas.

É por essa razão que me faço a seguinte pergunta: Será que me enganei em crer no que sempre cri? Logo eu, que sempre acreditei que os outros é que estavam enganados?

Admitir essa possibilidade não me foi tarefa fácil ou agradável. Causou-me certo desconforto por ir de encontro à minha natureza. Como todo ser humano, gosto de estar certo sempre, de pisar em solo firme, de me sentir seguro em minhas convicções. Ser-me-ia mais cômodo assumir a autenticidade de minhas crenças e insistir na defesa deles, mesmo que, para isso, fosse necessário fechar os olhos às evidências, distorcer fatos e fazer alguns ajustes na realidade.

Confesso-lhe que por um breve tempo tentei agir assim. Tentei acomodar a realidade aos moldes de minhas crenças. Esforcei-me para "empurrar" o mundo numa determinada direção. Mas falhei... Aprendi uma lição: empurrões honestos e sinceros também provocam acidentes!

Outra lição que aprendi à duras penas é que minhas crenças nunca tiveram o poder de legislar sobre a realidade. Isso mesmo. Minhas crenças, por mais que me parecessem verdadeiras, por mais que me trouxessem conforto e segurança, por mais que me fizessem sentir-me especial, eram apenas crenças, isto é, um palpite vago, uma aposta incerta, um desejo hesitante, uma esperança frágil e trêmula de revestir de sentido essa realidade fria e rude que nos cerca, envolve, fascina, assusta e surpreende.

Que devo, então, fazer com minhas crenças? Desfazer-me de todas elas?

Penso que não. Devo, isto sim, revisá-las com cuidado, atenção, interesse e o máximo de isenção possível, consciente de que nem todas são falsas e nem todas verdadeiras.

Outrossim, devo proceder com humildade e me dispor a abrir mão daquelas crenças que se mostrarem falsas: crenças alienantes, crenças que me distanciam da realidade, que me afastam dos seres humanos, que me induzem a ver a mim mesmo como um ente especial e me instigam a virar as costas para o mundo por julgá-lo vil e mal.

Este mundo, com seus encantos e dores, é nossa casa e devemos nos unir na árdua tarefa de transformá-lo em um lar melhor para todos nós. Eis aí uma bela crença a ser cultivada e incentivada – a crença de que podemos dar as mãos e, juntos, construir aqui mesmo um mundo melhor para todos!
sábado, agosto 01, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Ponto final em mais um mês do ano. Continuo treinando pouco e apenas nos fins de semanas. Em julho foram apenas 62 quilômetros e em agosto não deverá ser diferente, a menos que aconteça algum milagre.

O problema é que milagre é algo raro, tão raro que não convém contar com ele. E ao revirar as páginas do passado e despertar antigas lembranças adormecidas, percebo não me recordar de já ter presenciado algum deles. Os que conheço (se é que posso usar a palavra "conhecer" aqui) chegaram a mim por meio de narrativas que me remetem a tempos distantes e a lugares remotos.

Fato é que, hoje, não se vê o mar se abrir, ou alimento cair do céu, ou ainda o tempo parar de fluir para que possamos concluir as tarefas do dia. Nada disso. Milagres fantásticos como esses se restringem às páginas da Bíblia e a algumas produções cinematográficas hollywoodianas.

Eu bem que gostaria que um milagre acontecesse - que o tempo parasse de fluir - para que eu pudesse voltar a correr!
quinta-feira, julho 16, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Ninguém se deita jovem numa noite e acorda velho na manhã seguinte. Envelhecemos aos poucos. Mudanças sutis, pequenas, minúsculas, quase insignificantes e nem sempre perceptíveis vão se acumulando ao longo do tempo e transformando a criança em adulto e o novo em velho. A aritmética é simples: cada dia que passa nos deixa um dia mais velho.

Nem sempre nos damos conta do valor de um dia. Mas há um dia diferente, em que levamos um susto, pois constatamos que, de um em um, os dias se acumularam e se transformaram em ano. Hoje é esse dia para mim, o dia do susto. Completei mais um ano de vida! Estou um ano mais velho!

Susto à parte e pensando melhor, não me parece apropriado empregar a palavra "velho" a minha pessoa. Permitam-se substituí-la por "maduro". Hoje estou ficando um ano mais maduro e tenho muitos motivos para comemorar. Então vamos lá: Parabéns para mim!

Devo admitir que, na maior parte do tempo, viver tem sido bom. Aos poucos venho aprendendo a dominar a sublime arte de construir momentos felizes e de dar maior sentido ao meu existir. Hoje consigo lidar melhor com meus fracassos, bem como desfrutar com mais intensidade de minhas conquistas. Portanto, parabéns para mim!

Tenho um lugar para o qual posso retornar ao final de cada dia de trabalho. Um lugar a que chamo de "lar". Um espaço pequeno e simples, porém aconchegante e acolhedor, seguro e protetor. Gosto de nele me abrigar, de me largar, de me sentir "em casa" em minha casa. E por ter esse espaço, parabéns para mim!

Mais que ter um lar, tenho também Alguém para quem voltar. Isso faz toda a diferença... Milhões e milhões de pessoas em São Paulo! Quanta gente! ... Quem sou eu nessa multidão? Um dado estatístico? Um mero figurante? Talvez... Mas, nessa selva de pedra, construímos juntos um ninho. Temos um lar. Tenho Alguém para quem voltar e com quem seguir adiante pelos caminhos incertos da vida. Alguém que aposta em mim, sempre: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na abundância e na escassez. Alguém para quem não sou figurante e sim o ator principal. Alguém que consegue fazer de mim um homem rico, a despeito das muitas contas que tenho a pagar. E por ter Alguém e ser de Alguém, parabéns para mim!

Meus pais ainda estão vivos. Idosos, é verdade... Acabei de visitá-los... Eles estão bem. Às vezes doentes e cansados, outras vezes bem dispostos e animados. Fizeram por mim o melhor que puderam e hoje estou aqui, tocando a vida em frente e preservando certos valores que eles souberam me transmitir. E por isso posso dizer em alto e bom tom: parabéns para mim!

Tenho irmãos e tenho amigos! Não são muitos, mas valem por muitos! Não nos vemos sempre. Contudo, mesmo na distância e na ausência, ainda estamos ligados. Preciso encontrar tempo para investir nessas amizades! Eis aí um desafio e uma meta! Parabéns para mim!

E tenho saúde - posso andar e adoro correr! Estou sem tempo para treinar, mas mesmo assim, conseguiria correr tranqüilamente dez quilômetros agora mesmo. Nos últimos dias, andei pegando uma gripe... Mesmo assim, não posso negar que tenho saúde. Estou me alimentando melhor e, nos últimos anos, até ganhei uns "quilinhos"! Portanto, parabéns para mim!

Tenho muitas perguntas sem respostas... Devo ser grato por isso também? É claro que sim. Aprendi que não são as respostas que movem o mundo e sim as perguntas. O mundo e a vida são mistérios que me fascinam. Como não perguntar? Então, por essa curiosidade sem limites, parabéns para mim!

E eu poderia ir aqui acrescentando outros tantos motivos para comemorar esse aniversário com o coração agradecido, mas vou parar por aqui, pois não quero despertar a inveja alheia (rs). Brincadeiras à parte, é hora de comemorar! Estou em casa e hoje é meu dia! Então, parabéns para mim!
sábado, julho 11, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Na última quinta-feira, feriado em São Paulo, assisti a um documentário na TV sobre as belezas e encantos naturais do Parque do Iguaçu. Água em abundância, cachoeiras exuberantes, floresta majestosa, fauna riquíssima e turistas boquiabertos. E não é pra menos. O cenário é grandioso, imponente, paradisíaco, de tirar o fôlego e despertar em qualquer um suspiros de admiração.

Já na parte final do documentário, minha atenção foi direcionada para um casal de guaxes (ver imagem acima) em sua labuta diária para prover o sustento da prole. Lembrei-me de uma antiga lição aprendida na infância: "Deus cuida dos passarinhos e, de igual modo, cuidará também de nós". Observei que um dos pais esforçava-se para colocar uma lagarta, ainda viva, no bico do filhote, o que acabou conseguindo na terceira tentativa. Pensei: "Se Deus cuida dos passarinhos, quem cuidará das lagartas?"...

Sempre gostei de pássaros, com os quais convivi por toda a infância. Ainda hoje, meu apreço por eles continua grande. Não posso dizer o mesmo das lagartas. De uma forma geral, sinto aversão a insetos, mas naquele momento, enquanto assistia ao documentário, surpreendi-me tomando as dores da lagarta, mesmo reconhecendo como legítima a atitude instintiva do pai-guaxe de prover alimento para seu filhote.

Quem cuidará das lagartas? Quem cuidará das lagartas?

Essa pergunta ainda ecoava em minha mente quando entrou em cena um novo protagonista: um enorme tucano. Tucanos são aves que se alimentam principalmente de frutas. No entanto, para complementar sua dieta, eles se servem também de insetos, lagartos, ovos e - para meu espanto! - de filhotes de guaxes...

E eu, que pouco antes me compadecia da lagarta que foi servida como alimento ao filhote de guaxe, agora me condoía com o próprio filhote, transformado repentinamente em iguaria pelo tucano...

E o Parque do Iguaçu, até então retratado como majestoso e belo no documentário, perdeu, aos meus olhos, grande parte de seu encanto. E o ruído imponente e forte das cataratas já não era capaz de alcançar meus ouvidos, abafado que foi pelo gemido frágil do indefeso filhote de guaxe.

O documentário chegou ao fim, mas minha cabeça prosseguiu pensando. Aprendi que Deus cuida das aves... Mas será que Ele tem preferência pelas maiores e mais fortes? Se for esse o caso, então bem-aventurados sejam os tucanos.

Mas, e as lagartas, quem cuidará delas?...
terça-feira, junho 30, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Sempre me lembro do Drummond em minhas andanças por Sampa. Viajo todos os dias. Moro longe e trabalho distante. Vivo na estrada, entre os carros, ora indo, ora vindo, horas parado! Quantos acidentes...

À noite, de volta pra casa, passo pela Castelo, percorro o Rodoanel, prossigo pela sinuosa Raposo e esbarro no congestionamento da Marginal. Haja paciência...

Ouço os motores nervosos dos carros parados e as buzinas irritantes das motos apressadas que avançam na marra, coleando aqui, esbarrando ali, caindo mais adiante. E o tráfego que já era caótico fica indescritível. O tempo passa... Motoqueiros passam... Tartarugas passam... E o trânsito não flui. Deus do céu, o que está acontecendo?

E os céus me ouvem. A resposta tarda (e como tarda), mas não falha. Ali está a causa. Ali, no meio da pista, no meio do caminho, comprometendo a fluidez: uma pedra, digo, um motoqueiro, caído, bem no meio do caminho, ou melhor, da Marginal, rodeado por outros tantos motoqueiros agitados. E não resisto à tentação de parafrasear Drummond:

No meio do caminho tinha um motoqueiro
tinha um motoqueiro no meio do caminho
tinha um motoqueiro
no meio do caminho tinha um motoqueiro.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um motoqueiro
tinha um motoqueiro no meio do caminho
no meio do caminho tinha um motoqueiro.
sábado, junho 27, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Aqui estou eu, com mais uma gripe!

Dor de cabeça, congestão nasal, coriza, desconforto físico, espirros freqüentes e alguns calafrios. Ela apareceu timidamente na última quarta e, aos poucos foi ficando à vontade. Agora encontra-se instalada confortavelmente em meu organismo, para meu desconforto.

Esta não é das mais fortes. Também não é das mais fracas. Sem dúvida, um incômodo. Respirar deixou de ser atividade natural, passando a exigir esforço.

Remédios? Evito-os ao máximo, mas não teve jeito. Já mandei pra dentro chazinho vick e analgésico, combinados com uma boa dose de paciência.
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quarta-feira, junho 24, 2009 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O gráfico acima demonstra que continuo com baixa quilometragem mensal. Vontade de treinar não me falta, mas o tempo tem sido escasso. De janeiro até aqui, ao todo, foram quase 450 quilômetros de treino. Para alguns, pode até parecer ser muito, mas não é. Na média, corresponde a modestos 16,9 quilômetros de treino por semana.

Hoje, aproveitei o feriado de S. João em Barueri e treinei ao meio dia. Corri no bairro. O tempo estava fechado e fazia um pouco de frio. Foram 10 quilômetros em 0:52:18h.

Até agora, não participei de nenhum evento. Pensei em correr a Maratona de São Paulo, mas não consegui me preparar. Passei a visar a Maratona das Praias, em setembro, mas não sei se até lá atingirei o condicionamento mínimo necessário. Talvez eu compareça apenas para correr a meia maratona.

Vamos aguardar...
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