domingo, abril 04, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O título acima me remete ao décimo e último capítulo do livro "Deus Existe" de Antony Flew. Pareceu-me que esse título conseguiu captar, de forma concisa, sua atitude e postura atuais, que se contrapõem a sua história de defesa do ateísmo. História essa que se estendeu por mais de cinco décadas e ficou registrada em diversas publicações que lhe renderam popularidade e respeito entre que defendem a hipótese da não existência de Deus. Tal mudança de rumo em sua vida despertou em mim enorme curiosidade, embora não me tenha surpreendido.

Curiosidade porque Antony Flew é conhecido como um dos maiores defensores do ateísmo nos últimos cinqüenta anos; por ser, ele, um grande vulto no campo acadêmico e uma referência em se tratando de apologia ao ateísmo. Fiz a mim mesmo a pergunta que muitos certamente fizeram também: o que o levou a mudar de lado?

A despeito dessa curiosidade, confesso não ter ficado surpreso, porque entendo que as pessoas verdadeiramente sábias tendem a ser igualmente humildes. O sábio, suponho, ciente da dinâmica da existência e das limitações e inconstância do saber humano, admite e presume que a verdade de hoje possa perder esse status amanhã. E em se confirmando essa suposição, ele se dispõe a rever seus conceitos, reavaliar suas idéias, reestruturar sua posição e reformular sua visão do mundo e da realidade. Flew, em minha opinião, se encaixa nesse perfil de sabedoria.

Durante a leitura fica claro que o lema de Flew sempre foi "seguir o argumento até onde ele o levasse". Tal atitude o levou à defesa do ateísmo, sempre ancorado em argumentos racionais, que podem ser lidos nos vários livros e artigos que publicou. Contudo, em dado momento, esse mesmo princípio – o de seguir o argumento até onde ele o levasse – o conduziu a conclusões inusitadas, que o levaram a reconsiderar sua posição, mudar de lado e a declarar publicamente que Deus existe. Julgo importante destacar que essa afirmação não resultou de um "encontro com o Sagrado", mas de uma descoberta de natureza puramente racional.

Não pretendo, aqui, discutir os argumentos apresentados e defendidos por Flew. Reconheço e admito não ter autoridade para concordar ou discordar deles. Não sou filósofo nem cientista. O máximo que posso fazer é emitir uma opinião pessoal que, como qualquer opinião, vale mais para quem a emite do que para quem a lê ou ouve.

Já adianto que tenho grande admiração por aqueles que, consciente e deliberadamente, mudam de posição quando convencidos de que essa é a decisão a ser tomada. É preciso muita coragem para sair da zona de conforto e enfrentar os desafios impostos pela mudança. Essa atitude, por si só, despertou em mim respeito pelo autor e interesse em ouvir o que ele tinha a dizer.

Quanto ao conteúdo do livro em si, gostei da leitura e a recomendo a todos que se interessam por esse tema. Porém, é possível que aqueles que esperam encontrar nas páginas desse livro referências ao Deus cristão se decepcionem um pouco. O Deus em quem Flew passou a acreditar é descrito por ele como "um Ser auto-existente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente"[1], até aqui, parecido com o Deus da Bíblia. Mas as semelhanças param por aí. Não encontrei, em seu livro, nenhuma alusão a um Deus pessoal, amigo e interessado nas particularidades da vida de seus filhos. Flew faz questão de afirmar que não acredita em outra vida ou sobrevida ou vida após a morte. Conseqüentemente, não há um céu a buscar ou inferno a temer. Em outras palavras, embora acredite em Deus, seria errôneo de nossa parte presumir que ele tenha se tornado um cristão.

Seja como for, é bom saber que homens como Flew, e outras tantas autoridade do mundo acadêmico citados por ele, fazem parte de uma comunidade crescente de filósofos e cientistas que acreditam na existência de uma Mente Criadora.

Deus existe! É a conclusão a que Flew chegou. Para não me alongar mais, colocarei um ponto final nesta postagem e publicarei , em breve, as próprias palavras dele, extraídas do último capítulo de seu livro, que sintetizam muito bem seu pensamento e posição.

Até mais!

Referência:
[1] Deus Existe, página 144.
domingo, abril 04, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges

"Quando eu estava subindo a escada,
Encontrei um homem que não estava lá.
Ele não estava lá hoje também.
Ah, como eu queria que ele fosse embora!"


Autor: Willian Hughes Mearns.

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sábado, abril 03, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges

O feriado de páscoa prossegue. Desci a serra do mar e estou aqui, descansando sob um cobertor de nuvens que deixa o tempo bastante abafado no litoral. Choveu fraco pela manhã e o Sol, preguiçoso, não fez questão de brilhar. No fim do dia a chuva voltou, suave e constante, aliviando o calor e deixando a noite agradável.

Aproveitei boa parte do dia para concluir a leitura do livro de Antony Flew "Deus Existe", faltam ainda os apêndices "A" e "B", os quais lerei mais tarde. Pretendo postar aqui, em breve, minhas impressões sobre essa leitura.

Por enquanto, segue o resumo de minhas corridas em 2010. De certa forma, é mais do mesmo, portanto não precisarei me alongar: pouco treino, algumas lesões, nenhuma participação em eventos e por aí vai. O ponto positivo é que, apesar de tudo, ainda estou treinando e o prazer de correr permanece comigo, não tão intenso quanto no passado, mas ele está aqui, digitando esse texto comigo.

O gráfico exibido acima compara o volume de treino atual (2010) com o do ano anterior (2009). Até aqui foram 257 quilômetros de treino em 2010 contra 309 quilômetros no mesmo período em 2009. Preciso dar uma equilibrada nesses números!
sábado, abril 03, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O atual calendário de páscoa é, no mínimo, confuso. Não estou me referindo à forma de se calcular a data em que a páscoa será comemorada e sim à seqüência de eventos relembrados nesse feriado de origem judaico-cristã.

De acordo com a narrativa bíblica, Jesus entrou em Jerusalém numa quinta-feira e seu martírio se deu na sexta-feira, véspera da páscoa judaica. Durante a páscoa ele permaneceu no túmulo e na manhã de domingo ressuscitou. Essa seqüência de eventos difere da que é seguida, hoje, pelo mundo cristão. Vejamos:

Sexta-Feira "santa". Relembramos a morte de Jesus. Ok.

Sábado de "aleluia". Festeja-se a ressurreição de Cristo. Aqui começam as diferenças cronológicas. Deveria ser sábado de "páscoa".

Domingo de "páscoa". A diferença prossegue. Deveria ser domingo de aleluia, em comemoração à ressureição de Cristo.

Seja como for, penso que a maioria não se incomoda com essas incongruências e aproveita a páscoa para viajar e descansar.
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quinta-feira, abril 01, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Faz um tempão que não passo por aqui. O blog ficou entregue às moscas. Mas hoje, véspera de feriado, voltei a este espaço, para remover a poeira e abrir janelas e portas, na esperança de que ar puro e luz solar possam entrar e revigorar as páginas deste site.

A vida vai bem, graças a Deus, apesar do ritmo intenso que me deixa quase sem tempo para investir em mim mesmo. Mas hoje, já em clima de feriado, me permiti revisitar este espaço em que, "de texto em texto" vou tecendo pretextos para falar comigo mesmo sobre temas variados.

Amanhã será feriado, graças a Deus, literalmente! Digo "literalmente" porque, de acordo com a tradição cristã, foi há muito tempo e muito distante daqui, numa sexta-feira, que o comum e o extraordinário se manifestaram "em carne e osso" na pessoa de Jesus de Nazaré, transformando a cruz – horrendo símbolo de morte – em forte e significante emblema de vida.

O tempo passou. Uns dois mil anos... Muito tempo! E o tempo, com seu poder corrosivo, deixou sua marca na história desses dois milênios: arruinou impérios, destruiu nações, sufocou povos, apagou fatos, desgastou lembranças e encobriu grande parte da própria história. Curiosamente, a história de Jesus de Nazaré – o homem que era Deus, ou o Deus que era homem – não só resistiu à ação erosiva do tempo como também ganhou força, renovou-se e conquistou milhões de seguidores em todo o mundo!

O que de fato aconteceu naquela longínqua sexta-feira lá "nos páramos da Palestina" (como dizia um velho amigo, de quem guardo lembranças e saudades) não se pode saber ou afirmar com certeza. Mas a fé cristã, fé que metaforicamente se faz certeza naquele que crê, aceita e entende que, naquele dia, o Céu se abriu para conceder à humanidade o maior dos dons: o direito à vida plena e eterna, desfazendo a maldição da morte que pairava, qual sombra sinistra, sobre todos filho de Adão.

Amanhã terá início o feriado de páscoa... graças a Deus! Pretendo fazer bom uso dele.
domingo, fevereiro 21, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Já estamos em fevereiro e meus treinos seguem no mesmo ritmo do ano passado: volume baixo, ritmo lento, pouca disposição e ausência de metas. Isso não é bom, mas, por enquanto, não sei o que fazer para mudar esse quadro.

Hoje mesmo não consegui ir além dos 5,4 km no sobe-e-desce do bairro. Começo pensando em correr pelo menos 10 km, mas após uns quatro, o desânimo se agiganta e eu me rendo.

Preciso de motivação!

Em Janeiro corri apenas 84 quilômetros. Em fevereiro, até agora, não passei dos 58...
quarta-feira, fevereiro 17, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Neste feriado de carnaval tive a oportunidade de descansar um pouco e fugir da agitação de São Paulo. Desci a serra e busquei refúgio no litoral. É evidente que minha idéia de "refúgio" não foi nada original. Milhares de paulistanos fizeram o mesmo que eu.

Surpresa mesmo foi a presença de vários sóis lá embaixo. Pelo menos um sol para cada paulistano. O calor estava insuportável. Tudo bem que estamos no verão e sabemos que, nessa época do ano, o astro rei costuma se assanhar, mas desta vez ele exagerou na dose. Mesmo com os ventiladores trabalhando em altíssima rotação, o alívio era mínimo. Bastava uma piscada para se começar a suar, mais uma para se desidratar, e na terceira corria-se sério risco de se liquefazer.

Lembrei-me das pragas do Apocalipse. Uma delas dizia que nos últimos dias o Sol se aqueceria sete vezes mais. Sete? Parecia-me que havia, lá embaixo, uns "setenta vezes sete" sóis pulando carnaval e pondo fogo no mar. Isso mesmo, a água do mar não estava fria, estava morna e com viés de alta.

Lembrei-me também da Divina Comédia e, por alguns instantes, cheguei a acreditar na existência do inferno. O inferno não é um lugar bem quente? Pois é, senti-me como se estivesse na ante-sala dele. Não cheguei a ver o Capeta, mas notei alguns vultos estranhos tremulando no ar... Miragens, insolação ou percepção extra-sensorial?

Calor à parte, dei uma bela descansada e consegui me desligar do dia-a-dia de São Paulo. Melhor teria sido se o Sol também tivesse se desligado um pouco...
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