domingo, maio 02, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Estou aqui, diante da TV, assistindo à Maratona de São Paulo. Consultei a temperatura de momento no site www.wheater.com: tempo bom e temperatura de 17 graus. A Máxima deverá chegar aos 26, provavelmente por volta das 13:00h. Mais uma vez fiquei de fora, por falta de condicionamento físico para enfrentar o desafio de correr 42 km.

Tenho treinado pouco, como se vê no gráfico ao lado. Foram apenas 53 quilômetros no mês de Abril, mês esse que marcou minha estréia nas corridas de montanha. Fui convidado pelo Cleiton, do blog "Saude, Saber, Virtude", a quem agradeço pelo convite, orientações e apoio. Correr em montanha é diferente de correr no asfalto. A natureza esbelta e envolvente, o ar puro, os obstáculos naturais como rios, aclives e declives acentuados, dão a essa prova um colorido especial e desafiador. Corri seis quilômetros que exigiram mais do que uns 10 ou 12 no asfalto. Gostei e penso em participar novamente. Antes, porém, terei que me condicionar melhor e fortalecer a musculatura da perna, especialmente das panturrilhas, que costumam atrapalhar meus treinos e até interrompê-los de tempos em tempos.

A maratona prossegue na telinha da globo. O Canal do Tempo (wheater.com) informa que a temperatura já subiu para 18 graus. São 9:34h. A Marily lidera no feminino e, no masculino, há um bloco com quenianos e brasileiros. Vou continuar acompanhando e ver no que vai dar.
terça-feira, abril 27, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Terminei hoje a leitura do livro "Caim" de Saramago. Li-o, quase sempre, nas idas para o trabalho, em ônibus cheios e lentos, às vezes em pé e raras vezes sentado. "Caim" foi meu companheiro virtual de viagem nesses últimos dias.

Confesso que estranhei a organização do livro, com seus parágrafos intermináveis (há casos em que o capítulo inteiro se constitui de um único parágrafo), sua pontuação confusa e a grafia de nomes próprios como "caim", "abel", "deus" sempre iniciados com letras minúsculas. Não sei o que levou o autor a organizar assim sua obra, mas se era seu intento causar-me desconforto, certamente conseguiu. Imaginem o quanto sofri, lendo dentro de um ônibus urbano, em meio a solavancos constantes, freiadas bruscas e aceleradas nervosas! Era quase impossível não me perder naqueles parágrafos eternos e de pontuação diferenciada!

Mas Saramago é Saramago. Prêmio Nobel em literatura e, como tal, em posse do direito legítimo de escrever do jeito que melhor lhe apetece e até inventar moda. E, convenhamos, ele escreve bem demais! Em seu livro, Saramago brinca com as palavras com tal facilidade, elegância e beleza que logo despertou em mim o meu sombrio lado "caim". Isso mesmo. Quanto mais o lia, mais a inveja me consumia. Não tardei em ver nele um "abel" que precisava ser eliminado, por ser melhor – muito melhor – que eu no manejo das letras e na arte de escrever. Senti-me preterido pelos deuses que deram a ele (Saramago) o dom da eloqüência verbal, a habilidade de se expressar em palavras com maestria divina. Entre um capítulo e outro, comecei a engendrar planos maquiavélicos para bani-lo da face da terra. Mais uma vez, a história de Caim e Abel se repetia, desta vez tendo a mim como um dos protagonistas. Qual seria o desfecho?

Felizmente, não levei a termo minha más intenções. Primeiro porque o livro chegou ao fim antes que minha cota de inveja e rancor transbordasse em ações homicidas e, segundo, porque o Saramago não deu as caras em nenhum dos ônibus em que eu estava. Pelo visto, além de escrever bem ele também tem muita sorte (rs).

Quanto ao enredo, confesso que esperava mais. Entre pitadas de humor, ironias e sarcasmos, o caim de Saramago é-nos apresentado como um herói, um homem ressentido contra seu deus, um andarilho que viaja no tempo e que sempre aporta em momentos da história bíblica nos quais as ações divinas podem ser tomadas como más, absurdas, irracionais, violentas, desumanas e nada divinas. Parece-me que, no entender desse caim, o problema do mundo e o sofrimento humano são conseqüências da existência desse deus imaturo, invejoso, rancoroso e tirano a quem temos o dever de adorar e servir. Esse "caim" teria matado "abel" por não ser capaz de matar o próprio "deus". Por intenção, portanto, deus estava morto para ele.

Depois de concluída a leitura, peguei-me perguntando a mim mesmo se ao Saramago, tão hábil com as palavras, não faltou perícia no uso de algumas expressões e colocações. Como é do saber de todos, a Bíblia é uma relíquia religiosa e cultural, o livro sagrado de milhões e milhões de pessoas, muitas das quais se sentem ofendidas ao perceberem o descaso e suposto desrespeito demonstrando por uma sumidade laureada com o Prêmio Nobel. É certo que, ao Saramago, não faltou perícia. Ele sabia muito bem o que estava escrevendo. Parece-me que ele gosta desse tipo de provocação. Lembremo-nos de sua afirmação pregressa, polêmica, provocante de que "a Bíblia é um manual de maus costumes".

Concluindo, é sempre bom ler Saramago. Admito que algumas perguntas levantadas por ele em alguns diálogos entre "caim" e "deus" são intrigantes. A despeito disso, classifico o livro como entretenimento, distração, um sedativo que me ajudou a encarar os ônibus lotados e trânsito moroso de São Paulo.
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sábado, abril 24, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Deparei-me há pouco com uma pesquisa interessante realizada pelo Datafolha em dezembro de 2009 e divulgada em Janeiro deste ano. Trata-se do ranking das maiores torcidas do Brasil.

O Flamengo aparece no topo com 19% da preferência, seguido pelo Corinthians e demais times. O curioso é que lá embaixo, em "último" lugar e superando até mesmo a grande nação flamenguista, aparece o percentual de brasileiros que sequer torcem pela nossa seleção. Esses, representam 23% da população.

Ademais, ouso afirmar que boa parte dos que se declararam torcedores de um ou de outro time, não está nem aí para futebol. Entre esses me situo. Acompanho as notícias para não ficar por fora. Quando dá, assisto aos jogos das finais de campeonatos e me reconheco como um admirador da arte de se jogar bola, arte como o que vem sendo apresentado pelo Santos ultimamente. Mas se houver algo mais interessante para fazer, dispenso, sem remorso, até mesmo um jogo da seleção em copa do mundo.


Para mais detalhes, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_maiores_torcidas_de_futebol
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sábado, abril 17, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Não resisti à tentação e adquiri ontem o último romance de José Saramago, chamado "Caim". Por enquanto, li apenas o primeiro capítulo, suficiente apenas para aguçar meu interesse na leitura.

Como é de se esperar, o enredo se ancora no personagem bíblico que veio a ser o terceiro humano a habitar este planeta e o primeiro a, de fato, nascer nele. Saramago não é cristão. Não acredita em Deus e chega mesmo a afirmar que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana." [1]

O livro (e seu autor) tem sido alvo de muitas críticas, principalmente da igreja católica.

Em breve, colocarei aqui minhas impressões sobre essa leitura.


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domingo, abril 11, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Divirtam-se com o vídeo abaixo (duração: 2 minutos).

sábado, abril 10, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
"Prosa" é o que se elabora ao digitar textos iguais a este, organizados em parágrafos e sem nenhuma divisão rítmica intencional. "Poesia", por outro lado, é a arte de usar a linguagem humana com fins estéticos; de dar a elas nuanças sublimes - difusas, mágicas - que as fazem transcender seu significado literal e as capacitam a expressar aquilo que as palavras, por si só, não conseguem dizer.

Gosto de escrever em prosa, sabem por quê? Porque é a único modo em que consigo escrever! Gostaria de saber me expressar em forma de poesia! Gostaria... Mas esse dom me foi negado; essa habilidade, infelizmente, não consegui desenvolver... Até tentei, sem êxito, porque, como assevera a sabedoria popular, "o poeta nasce..."

Contudo, essa minha limitação não me impede de apreciar a sonoridade métrica de um verso, nem me desencoraja da busca pelo significado abstrato que se funde e confunde com sua forma concreta.

É fato que, nem sempre consigo interagir com uma poesia como, suponho, se deve fazê-lo, isto é, por meio do coração. Quase sempre me deixo influenciar pela cabeça pensante e permito que a razão se interponha como elemento mediador. E ao usar esse filtro, a magia se desfaz. E grande parte da arte se esvai. E os segredos se mantêm velados. E os mistérios permanecem ocultos. E a beleza perde o encanto. E o ler poesia se torna mais pesado do que o ler um jornal especializado em economia...

Em tempos tão corridos, ler prosa tem-se mostrado mais prático e eficiente do que ler poesia. Poesia requer atenção, concentração, sensibilidade, entrega, dedicação, abstração, reflexão e tempo. E quem, hoje em dia, tem tempo para poesia?

Ah! Mas hoje, sábado. E neste hoje, encontrei um tempinho para apreciar uma poesia de inspiração religiosa, que encerra em seus versos tal profundidade e beleza que eu, com minha prosa inculta e insossa, nunca serei capaz de expressar...

E me percebo acometido por um dos sete pecados capitais: a inveja! Como gostaria de ser poeta! Como gostaria de ter esse dom! Como gostaria de ter sido eu o autor de tão bela obra de arte! Como gostaria de... Opa! "Para trás, Satanás"!

O que transcrevo, abaixo, é poesia, pura poesia: arte de dizer o indizível, de dar forma ao informe; de tocar o intocável. E por mais que eu multiplique aqui minhas débeis palavras, não conseguirei transmitir o que essa poesia, em sua simplicidade e beleza, consegue expressar... porque não sou poeta, não tenho alma de poeta, não aprendi usar palavras para superar as limitações e incongruências inerentes às palavras. Resta-me, então, resignar-me em silenciosa admiração - estático e extático.

Faço-lhe um convite: aprecie comigo a poesia de Tereza de Ávila, que viveu no século XVI e foi canonizada cem anos mais tarde.

A Cristo crucificado

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.
domingo, abril 04, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
No texto publicado anteriormente (clique aqui para lê-lo), registrei minhas impressões a respeito da leitura do livro "Deus Existe" de Antony Flew. Transcrevo abaixo algumas palavras do próprio autor, extraídas do último capítulo dessa obra.

A ciência, como ciência, não pode fornecer um argumento a favor de Deus, mas as três peças de evidências que analisamos nesse livro – as leis da natureza, a vida como uma organização teleológica e a existência do universo – só podem ser explicados à luz de uma Inteligência que explica tanto sua própria existência, como a existência do mundo. A descoberta do Divino não vem através de experimentos e equações, mas por uma compreensão das estruturas que eles revelam e mapeiam.

Agora, tudo isso pode parecer abstrato e impessoal. Alguém pode perguntar como eu, como pessoa, reajo a essa descoberta de uma suprema Realidade que é um Espírito onipresente e onisciente. Volto a dizer que minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser auto-existente, imutável, imaterial, onipresente e onisciente...

Para onde irei agora? Em primeiro lugar, estou inteiramente disposto a aprender mais sobre a divina Realidade, especialmente à luz do que sabemos sobre a história da natureza. Em segundo lugar, a questão sobre se o Divino se revela na história humana continua sendo um válido tópico de discussão. Não podemos limitar as possibilidades da onipotência, apenas excluir o que for logicamente impossível. Tudo o mais é aceitável à onipotência.
[1]

Referência
[1] – Deus Existe, páginas 144 e 145.
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