sexta-feira, junho 04, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Estabeleci duas metas para mim neste final de semana prolongado que teve início ontem, com o feriado de Corpus Christi: Correr pelo menos quarenta quilômetros e publicar pelo menos quatro textos em meu blog.

A primeira parte está indo bem: ontem corri 12 Km, hoje 15 Km e no domingo correrei os 13 Km que faltam. Alcançar a segunda meta, porém, não vai ser nada fácil. Estou sem disposição para escrever. Mas como promessa é dívida, preciso pelo menos tentar. E já que ontem foi feriado (bendito feriado!!!), vou tentar encontrar nele inspiração para redigir alguns parágrafos.

A motivação religiosa que deu origem ao feriado de Corpus Christi é a celebração da presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, um dos sete sacramentos da igreja Católica. Fiz questão de salientar em negrito essas duas palavras porque, no entender dos pais da igreja e de seus herdeiros que residem no Vaticano, ao participar desse rito sagrado, o fiel não está provando de mero pão e vinho e sim alimentando-se do próprio corpo e sangue de Jesus. Se tal milagre acontece de fato, então é justo afirmar que os fiéis (cientes ou não) estão participando de um rito macabro, que pode ser classificado como antropofagismo e, talvez, vampirismo.

Toda essa confusão de deve à interpretação de uma frase pronunciada por Jesus durante da celebração da última ceia com seus discípulos. À certa altura, Jesus disse em tom solene: "...tomai e comei, este é o meu corpo... tomai e bebei, este é o meu sangue." (Mateus 26:26-28). Pronto! Os pais da igreja interpretaram esse texto ao pé da letra!

Penso que a maioria dos brasileiros que se identificam com o católicismo não está nem aí para essa interpretação literal. A maioria não acredita nesse milagre que transforma pão em carne humana e fiéis em canibais. A maioria não tem tanta fé assim. Para estes, a afirmação de Cristo não passa de uma metáfora. (OBS: julgo importante lembrar que, para os cristãos protestantes, as palavras de Jesus foram, de fato, metafóricas, simbólicas).

Seja como for, o lado bom dessa história é que, graças a ela, ganhamos esse feriado religioso, cujo significado interessa a poucos, mas que nos rende um belo e longo fim de semana de folga. Então, exclamemos todos: "Bendito Corpus Chisti", ou, como se diz na língua dois pais da igreja: "Corpus Chisti beatus est", ou algo parecido.

Bom e longo fim de semana a todos!
domingo, maio 30, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Continuo treinando pouco. Na média, estou perdendo para o ano passado que, por sinal, não foi nada bom. Mas acredito que vou começar a reverter esse quadro.

Em abril participei de uma corrida de montanha e, em seguida, passei quase trinta dias de molho, fazendo exercícios localizados e uma avaliação semanal em esteira, trotando. Por fim, voltei a correr na rua em ritmo lento (acima de 6:00 min/km), aumentando o volume até atingir a marca de uma hora ou dez quilômetros.

Resumo de maio:

- Volume de treino: 69 Km.
- Ritmo médio do mês: 6:01 min/km (cerca de 10 Km/h).
- Expectativa: Aumentar o volume em junho, sem a preocupação de melhorar o ritmo.
domingo, maio 16, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A propósito do artigo "Sobre a vida após a morte..." publicado no site "Convictos ou Alienados", achei por bem colocar aqui minhas impressões: renascer após a morte do corpo, sobreviver ao decaimento da matéria, viver eternamente no tempo, tem sido um sonho da humanidade. De certa forma, somos todos Ponce de Leon em busca da fonte da eterna juventude.

Nesse aspecto não me diferencio dos demais. Cresci acreditando em vida eterna num paraíso encantado onde todos se vestem de branco, tocam harpas e não se cansam de exclamar "Aleluia"! Um lugar onde não há dor, morte, perigos, riscos ou qualquer tipo de ameaça. Um lar de paz...

Paz? Sim. Paz para sempre. Nenhum conflito, nenhuma desavença, nenhuma intriga, nenhuma divergência, nenhuma discordância... Será que eu seria feliz vivendo eternamente em tal lugar? Não sei. Tenho cá minhas dúvidas. Às vezes me parece que viver eternamente possa não ser tão bom quanto costumamos supor. E me sinto tentado a imaginar que até os maiores defensores desse viver sem fim, depois de alguns séculos ou milênios, começariam a se sentir incomodados pela paz inabalável e quietude rotineira desse lugar e passariam a entender melhor o significado da palavra "tédio".

Vida eterna nesse paraíso implica em ausência de risco, e não posso negar que, aos meus olhos, os riscos são ingredientes indispensáveis ao tempero do existir, diferenciando fatos comuns de eventos marcantes, inesquecíveis.

Além disso, na economia da vida (desta vida que é a única que conhecemos), o valor das coisas está associado, em parte, ao seu grau de escassez. Ouro e diamante têm grande valor porque não existem às pencas como seixos e cascalho. De igual modo, essa vida que temos é ouro e diamante justamente por ser curta e fugaz. Cada dia vivido nos aproxima do fim inevitável. Cada passo que damos nos conduz à morada do silêncio, à terra do esquecimento, aos braços da morte. Sabemos disso. Sabemos que a vida não é eterna e nos apegamos a ela com unhas e dentes, dando-lhe o valor que, de fato, ela merece ter. A morte torna a vida preciosa!

Gosto de viver, a despeito das dores e dissabores que fazem parte do meu existir. A grandeza do universo e a inocência de uma criança são exemplos de fenômenos que me encantam e emocionam. E há tantos outros mistérios que gostaria de desvendar, tantas experiências inusitadas que gostaria de vivenciar, tantos caminhos que ainda desejo percorrer... Meus dias são tão curtos, tão breves, tão insuficientes para me ensinar tantas lições, que às vezes me pego dominado pelo sentimento irracional de revolta, de ódio contra sei lá quem ou o quê. E me vejo perguntando: Por que a vida é assim, tão injusta, tão curta? Por que vivemos tão pouco? Que são 40, 70 ou 100 anos de vida quando comparados aos milênios de história da raça humana?

Quero viver mais sim, admito, mas isso não significa que deseje viver para sempre. Temo os superlativos e costumo evitar o uso de palavras que expressam o absoluto, tais como "sempre", "todos", "eterno" e outras do gênero. Quero viver mais. Quero viver muito. Quero viver o suficiente para poder afirmar: "já vivi o bastante". Admito o meu receio de viver eternamente...

Curiosamente, as religiões ensinam que nosso maior inimigo é o EGO. Aprendi essa lição quando criança, embora, naquela época, não a tenha entendido. Ego? O que é isso?

Ego, penso eu hoje, é esse algo que insiste em ter, em ser, em estar, em viver eternamente... No dia em que conseguirmos nos desprender dele, como recomendam as religiões, sobrará algo que possa desejar viver eternamente?
domingo, maio 16, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Ontem assisti ao filme "2012". Em poucas palavras eu diria que o filme é lamentável. Uma coleção de exageros sem graça num enredo fraco e bastante explorado em filmes desse gênero. Esperava mais, mas isso é problema meu, afinal, eu sou responsável pelas minhas expectativas.
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domingo, maio 02, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Estou aqui, diante da TV, assistindo à Maratona de São Paulo. Consultei a temperatura de momento no site www.wheater.com: tempo bom e temperatura de 17 graus. A Máxima deverá chegar aos 26, provavelmente por volta das 13:00h. Mais uma vez fiquei de fora, por falta de condicionamento físico para enfrentar o desafio de correr 42 km.

Tenho treinado pouco, como se vê no gráfico ao lado. Foram apenas 53 quilômetros no mês de Abril, mês esse que marcou minha estréia nas corridas de montanha. Fui convidado pelo Cleiton, do blog "Saude, Saber, Virtude", a quem agradeço pelo convite, orientações e apoio. Correr em montanha é diferente de correr no asfalto. A natureza esbelta e envolvente, o ar puro, os obstáculos naturais como rios, aclives e declives acentuados, dão a essa prova um colorido especial e desafiador. Corri seis quilômetros que exigiram mais do que uns 10 ou 12 no asfalto. Gostei e penso em participar novamente. Antes, porém, terei que me condicionar melhor e fortalecer a musculatura da perna, especialmente das panturrilhas, que costumam atrapalhar meus treinos e até interrompê-los de tempos em tempos.

A maratona prossegue na telinha da globo. O Canal do Tempo (wheater.com) informa que a temperatura já subiu para 18 graus. São 9:34h. A Marily lidera no feminino e, no masculino, há um bloco com quenianos e brasileiros. Vou continuar acompanhando e ver no que vai dar.
terça-feira, abril 27, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Terminei hoje a leitura do livro "Caim" de Saramago. Li-o, quase sempre, nas idas para o trabalho, em ônibus cheios e lentos, às vezes em pé e raras vezes sentado. "Caim" foi meu companheiro virtual de viagem nesses últimos dias.

Confesso que estranhei a organização do livro, com seus parágrafos intermináveis (há casos em que o capítulo inteiro se constitui de um único parágrafo), sua pontuação confusa e a grafia de nomes próprios como "caim", "abel", "deus" sempre iniciados com letras minúsculas. Não sei o que levou o autor a organizar assim sua obra, mas se era seu intento causar-me desconforto, certamente conseguiu. Imaginem o quanto sofri, lendo dentro de um ônibus urbano, em meio a solavancos constantes, freiadas bruscas e aceleradas nervosas! Era quase impossível não me perder naqueles parágrafos eternos e de pontuação diferenciada!

Mas Saramago é Saramago. Prêmio Nobel em literatura e, como tal, em posse do direito legítimo de escrever do jeito que melhor lhe apetece e até inventar moda. E, convenhamos, ele escreve bem demais! Em seu livro, Saramago brinca com as palavras com tal facilidade, elegância e beleza que logo despertou em mim o meu sombrio lado "caim". Isso mesmo. Quanto mais o lia, mais a inveja me consumia. Não tardei em ver nele um "abel" que precisava ser eliminado, por ser melhor – muito melhor – que eu no manejo das letras e na arte de escrever. Senti-me preterido pelos deuses que deram a ele (Saramago) o dom da eloqüência verbal, a habilidade de se expressar em palavras com maestria divina. Entre um capítulo e outro, comecei a engendrar planos maquiavélicos para bani-lo da face da terra. Mais uma vez, a história de Caim e Abel se repetia, desta vez tendo a mim como um dos protagonistas. Qual seria o desfecho?

Felizmente, não levei a termo minha más intenções. Primeiro porque o livro chegou ao fim antes que minha cota de inveja e rancor transbordasse em ações homicidas e, segundo, porque o Saramago não deu as caras em nenhum dos ônibus em que eu estava. Pelo visto, além de escrever bem ele também tem muita sorte (rs).

Quanto ao enredo, confesso que esperava mais. Entre pitadas de humor, ironias e sarcasmos, o caim de Saramago é-nos apresentado como um herói, um homem ressentido contra seu deus, um andarilho que viaja no tempo e que sempre aporta em momentos da história bíblica nos quais as ações divinas podem ser tomadas como más, absurdas, irracionais, violentas, desumanas e nada divinas. Parece-me que, no entender desse caim, o problema do mundo e o sofrimento humano são conseqüências da existência desse deus imaturo, invejoso, rancoroso e tirano a quem temos o dever de adorar e servir. Esse "caim" teria matado "abel" por não ser capaz de matar o próprio "deus". Por intenção, portanto, deus estava morto para ele.

Depois de concluída a leitura, peguei-me perguntando a mim mesmo se ao Saramago, tão hábil com as palavras, não faltou perícia no uso de algumas expressões e colocações. Como é do saber de todos, a Bíblia é uma relíquia religiosa e cultural, o livro sagrado de milhões e milhões de pessoas, muitas das quais se sentem ofendidas ao perceberem o descaso e suposto desrespeito demonstrando por uma sumidade laureada com o Prêmio Nobel. É certo que, ao Saramago, não faltou perícia. Ele sabia muito bem o que estava escrevendo. Parece-me que ele gosta desse tipo de provocação. Lembremo-nos de sua afirmação pregressa, polêmica, provocante de que "a Bíblia é um manual de maus costumes".

Concluindo, é sempre bom ler Saramago. Admito que algumas perguntas levantadas por ele em alguns diálogos entre "caim" e "deus" são intrigantes. A despeito disso, classifico o livro como entretenimento, distração, um sedativo que me ajudou a encarar os ônibus lotados e trânsito moroso de São Paulo.
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sábado, abril 24, 2010 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Deparei-me há pouco com uma pesquisa interessante realizada pelo Datafolha em dezembro de 2009 e divulgada em Janeiro deste ano. Trata-se do ranking das maiores torcidas do Brasil.

O Flamengo aparece no topo com 19% da preferência, seguido pelo Corinthians e demais times. O curioso é que lá embaixo, em "último" lugar e superando até mesmo a grande nação flamenguista, aparece o percentual de brasileiros que sequer torcem pela nossa seleção. Esses, representam 23% da população.

Ademais, ouso afirmar que boa parte dos que se declararam torcedores de um ou de outro time, não está nem aí para futebol. Entre esses me situo. Acompanho as notícias para não ficar por fora. Quando dá, assisto aos jogos das finais de campeonatos e me reconheco como um admirador da arte de se jogar bola, arte como o que vem sendo apresentado pelo Santos ultimamente. Mas se houver algo mais interessante para fazer, dispenso, sem remorso, até mesmo um jogo da seleção em copa do mundo.


Para mais detalhes, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_maiores_torcidas_de_futebol
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