domingo, agosto 07, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Hoje saí por aí, correndo, meio sem rumo, sem direção, sem muita motivação, meio que no piloto automático, como se meu prazer fosse hoje meu dever.

Gosto de correr, de sentir o coração a ditar-me o ritmo e confiar nas pernas que tocam o solo com vigor, disposição e convicção, impulsionando-me sempre para frente. Correr é entregar-me ao prazer!

E como é bom sentir prazer naquilo que estamos fazendo. Nem sempre é isso possível. Às vezes fazemos o que deve ser feito. Temos compromissos, obrigações, deveres e agimos com responsabilidade. Mas a vida às vezes nos presenteia com espaço e tempo para serem dedicados àquilo que nos apraz, que não tem preço e que nos faz sentir realmente vivos. Gosto de correr porque assim me sinto cheio de vida!

Então, troco de roupa, calço o tênis e saio por aí, correndo, enquanto a magia acontece: preocupações se dissipam, ansiedades desvanecem, temores se desfazem, pensamentos desaparecem. A cabeça fica vazia... Enquanto corro, parece-me que o tempo pára e o espaço se contrai. Os quilômetros vão sendo transpostos, embalados em doce euforia produzida pela endorfina que transpira em cada poro. Corredor e corrida se confundem e se fundem em uma mesma emoção.

Mas hoje, ao correr, o milagre parecia relutar-se a ocorrer. E eu corria meio desligado. Um, dois, três quilômetros e nada. Eu apenas corria... Quatro, cinco, seis... e só aí comecei a pensar em correr, mas, à essa altura, já não estava com muito "gás" para seguir adiante, então percebi que hoje não era o meu dia. Às vezes isso acontece...

E assim, após dez quilômetros rodados, resolvi dar descanso ao corpo e desligar as pernas.
sexta-feira, agosto 05, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Em uma rara passada pelo Facebook, encontrei três citações interessantes na página de uma amiga e ex-colega de trabalho, as quais reproduzo abaixo:

1. "É melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta"

2. "Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam"

3. "Somos o que repetidamente fazemos. A excelência não é um feito, mas um hábito"
    quinta-feira, agosto 04, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Julho foi um mês diferente, um mês de mudanças, de rupturas. E rupturas são sempre dolorosas, ainda que necessárias.

    Em julho completei mais um ano de vida: momento de comemoração e, acima de tudo, de reflexão.  Vida que segue, que nos desafia a todo instante.

    E em meio a tantas mudanças, algo permanece: a paixão pela corrida de rua. Em julho conseguir colocar o tênis, o short e a camiseta com mais freqüência. Foram 180 quilômetros – recorde do ano. Um desconforto na panturrilha, uma dor no pé... dores típicas de quem gosta de correr.

    E agosto já começou em bom ritmo. A meta é correr uma meia-maratona em breve, para ver se consigo voltar a pensar em encarar uma maratona novamente.

    terça-feira, julho 26, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Sou apaixonado pela série "O Universo", apresentada pelo  The History Channel.  A série toca em pontos como o big-bang, sol, lua, terra e demais planetas do sistema solar e avança para pontos mais nebulosos como universos paralelos.

    É curioso observar que a "verdade científica" é uma conquista que já nasce sujeita à perda de validade. Não se trata de uma verdade eterna, escrita em pedra, até porque hoje se sabe que nem as pedras duram para sempre.

    Vamos exemplificar: no início do século passado, sabia-se muito pouco sobre a extensão do universo. A verdade quanto a isso era: O universo é a Via-Láctea. O tempo passou e essa verdade cedeu lugar a outra, mais ampla, segundo a qual o universo está em expansão e a Via-Láctea não passa de uma "ilha", um conglomerado de estrelas denominado "galáxia". Há milhões e milhões de galáxias semelhantes a nossa!

    Essa série é, certamente, voltada para o público leigo do qual faço parte. Ela me fala, em cada capítulo, a respeito da grandeza do universo e da finitude e pequenez do ser humano e me conscientiza da importância da humildade: somos pouco em um universo tão grande. Nossa vida é fugaz quando comparado ao período de existência de uma estrela!

    Ao mesmo tempo, essa séria me faz sentir orgulho do gênio humano que, à distância, investiga os segredos ocultos no espaço profundo e tenta criar asas capazes de levar-nos a lugares "nunca dates navegados".
    sábado, julho 23, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Ontem à noite recebi uma ligação telefônica informando-me sobre o falecimento de um tio paterno. "Ele se foi...".

    E quem era ele?

    Em um país cuja população beira duzentos milhões de pessoas e num planeta que abriga quase sete bilhões de habitantes, ele era o que eu e você ainda somos: muito pouco. Todo dia uma multidão anônima nasce e outra perece. Meu tio foi contado entre aqueles que saíram de cena...

    Esse tipo de consideração, de análise baseada em números frios, gélidos, indiferentes, não faz jus ao real valor que um ser humano tem para aqueles que o conhecem e o amam. Se para a maioria somos invisíveis e transparentes, se para quase todos somos como se não fôssemos, para alguns poucos com os quais dividimos experiências e compartilhamentos emoções e sentimos, temos sim muito valor.

    Meu tio se foi e deixou um espaço vazio - e ao mesmo tempo, impregnado de dor, tristeza e luto - na vida da esposa, de filhos, sobrinhos, netos, parentes e amigos. Sua morte abre em nós, que o conhecíamos, uma ferida que só o tempo será capaz de curar. Ela nos lembra que não "somos", apenas "estamos" aqui por um breve tempo e seguimos em direção ao fim indesejado e inevitável.

    A vida tem suas estações, que não são comparáveis às estações do tempo. Com o tempo é assim: há dias frios e dias quentes; dias chuvoso e dias secos. Estamos acostumados com essa alternância, com esse revesamento. Mas com a vida, não é assim que ocorre. Não ficamos ora mais novos e ora mais velhos. A seta do tempo aponta sempre numa mesma direção: vivemos a caminho da morte. Meu tio se foi. Nós também iremos.

    A morte nos convida a uma reflexão sobre a vida. Vivemos quase sempre como se ela (a vida) fosse inesgotável. E a esbanjamos. E a colocamos em segundo plano. E estabelecemos prioridades que comprometem nossa saúde e felicidade. E deixamos tantas coisas importantes pra depois... E a vida vai passando sem que nos demos conta disso. Um dia a vida acaba...

    A vida não é eterna. Pelo contrário, é curta, breve e frágil. Ela resiste e insiste e teima em se conservar enquanto se equilibra com dificuldade na crista de uma onda de entropia. Cedo ou tarde a onda se rompe e a vida se vai. Daí a importância de se aproveitar cada dia, cada encontro, cada momento, porque a vida é isso: uma coleção de momentos, cada um com sua cor e seu sabor. E esses momentos passam e nunca mais voltam.

    Registro aqui meus sentimentos pela morte de meu tio Antônio. Meu pai lamenta a perda de mais um irmão. Ele, que já vive o ocaso da existência, sofre com mais uma despedida, com mais uma perda, enquanto prossegue vivendo.
    sábado, julho 16, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Estou sem inspiração para escrever. Minha amizade com as letras vem se esvaecendo. Já não somos íntimos, se é que em algum dia o fomos. Por isso, quase não passo mais aqui para dar forma aos pensamentos, construir expressões e registrá-los em palavras. Mas hoje... hoje não dá para me manter distante e calado. Preciso escrever!

    Os tempos mudaram. Caneta, lápis e papel são coisas do passado. Hoje é tudo digital. Bits e bytes abandonaram as sombras sinistras do anonimato e se transformaram em atores principais no palco iluminado ocupado pelos computadores. Caneta e lápis cederam lugar aos teclados de notebooks e às telas sensíveis a toque das novas estrelas em ascensão, os tablets.

    Os tempos mudaram, fluíram, passaram: horas formaram dias, que se combinaram em semanas, que se acumularam em meses, que se fundiram em mais um ano de vida – mais um aniversário. Por isso, aqui estou, sem canela ou lápis, deslizando os dedos sobre o teclado suave de um notebook e registrando esse momento, não em papel e sim nas páginas virtuais do caderno digital da internet.

    "Feliz aniversário para mim"! É o que digo, ou melhor, escrevo, ou melhor, digito.

    Os dicionários definem aniversário como "algo que vem, que chega, que volta, que se faz a cada ano" (Houaiss). Essa palavra deriva do latim annus (ano) e versum (voltar, virar). Mas etimologia tem a ver com o passado, com a origem da palavra, e não com seu significado subjetivo e subjacente àquele que, neste dia, se vê completando mais um ano de vida.

    Para uns, aniversário é sinônimo de festas e presentes. Para outros, encontros com pessoas. Para outros ainda, um momento de recolhimento e introspecção. E há aqueles que vêem no aniversário apenas um passo a mais em direção ao fim indesejado e inevitável.

    E para mim, o que é completar mais um ano de vida?

    Talvez seja um pouco de tudo isso aí. Mas esse aniversário, em especial, veio marcado por uma atitude positiva em relação à vida. Eu disse "atitude" e não apenas "reflexão". Vivo um momento único (e existe algum momento que não seja novo ou único?). Decisões têm sido tomadas, escolhas têm sido feitas e, embora o caminho à frente não se mostre nítido e claro, a disposição para prosseguir, para seguir adiante, mantém-se firme e forte.

    Para mim, a vida é uma dádiva, um presente. Gosto da palavra "presente" porque, além de designar este momento no tempo ela também quer dizer "brinde", "graça", "dádiva", "algo que nos é ofertado". Aniversário é um momento para celebração dessa dádiva, a dádiva de estar aqui agora.

    Numa rápida consulta à internet, encontrei dados do IBGE do ano de 2007. Os números não são atuais mais servem como referência para uma rápida reflexão. Naquele ano nasceram 2.750.836 no Brasil e morreram 1.046.135. Caso esses números tenham sido mantidos, entre o aniversário anterior e o atual, morreram mais de um milhão de pessoas em nosso país, mas nós – você e eu – ainda estamos aqui, presentes, respirando.

    A vida é bela e breve, preciosa e frágil. Um mistério que nos surpreende, arrebata e assusta. Um convite à aventura. Viver é bom, mas nem sempre é fácil. Às vezes, viver dói – e como dói! A despeito disso, viver sempre vale à pena. E esse presente, essa dádiva, a oportunidade de ainda estar aqui – às vezes sob a luz fulgurante, quente e dourado do sol, outras vezes sob o brilho pálido, frio e prateado da lua – que eu faço questão de comemorar hoje.

    Mais um ano de vida completo hoje. Ano de lutas, de algumas conquistas e algumas derrotas; de paz temperada com pitadas de angústias; de certezas frágeis e dúvidas resistentes; de superação. Chego aqui com saúde e disposição para prosseguir. Às vezes sinto medo, mas os anos de experiência têm me ensinado a lidar melhor com ele, a encará-lo nos olhos e fazer cara de bravo, a despeito do friozinho na barriga.

    Hoje, olho pra trás com gratidão e pra frente com esperança e fé. Ainda sinto o enorme desejo de encontro tempo – mais tempo – para fazer aquilo que me apraz. Eis aí uma meta para o novo ano que acaba de começar.

    Hoje é meu dia, então, sem falsa modéstia, desejo a mim mesmo um "feliz aniversário" porque eu mereço! (rs)

    Agradeço aos amigos que ligaram, digitaram recados em redes sociais, enviaram sinal de fumaça, etc. Valeu!
    quarta-feira, julho 13, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Há tempos que passo por aqui apressado, "de passagem", sem tempo para parar e digitar algo que vá além do registro mensal de treinos. Os motivos são muitos, entre os quais é fácil citar a falta de tempo e a falta de disposição.

    Tempo é algo cada vez mais raro. E, nos poucos momentos de que dele me disponho, falta disposição para empregá-lo redigindo algo. Escrever o quê? Escrever para quê?

    Tenho observado que os blogs estão em viés de baixa. Há muitos artigos na rede discutindo essa questão. Já fui mais de escrever e ler blogs. Tentei o Twitter, mas não me senti confortável com os 140 caracteres. Pareceu-me superficial demais, instantâneo demais, curto demais. Não curti.

    E as redes sociais? Também me distanciei delas. Perderam o sentido. Não sabia o que fazer com tantos contatos superficiais, quase desconhecidos, distantes e ausentes. Definitivamente, não me parece ser uma boa forma de investir meu pouco tempo.

    E assim, continuo plugado, mas sem tribo. Estou na rede, mas ao mesmo tempo, fora dela.

    E meu blog? Tem futuro? Entendo que sim: um futuro muito parecido com o atual presente dele.
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