sábado, outubro 18, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Autor: Carlos Drumond de Andrade


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade.
Porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
Carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

quarta-feira, setembro 03, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Não resisti à tentação de experimentar o novo navegador da Google, o Chrome. Instalei-o hoje e já estou navegando através dele. Gostei do visual e fiquei com a sensação de ser ele mais leve e ágil que o Internet Explorer e o Firefox 3.0 que venho utilizando. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas a primeira impressão foi bastante positiva.

Clique aqui para obter mais informações sobre o Chrome.

quinta-feira, agosto 14, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A revista francesa "Science et Vie" publicou em sua edição deste mês os "dez maiores enigmas da ciência":

1. Por que há qualquer coisa em vez do nada?
2. Como surgiu a vida?
3. Há outros Universos?
4. Como se passa do ovo à galinha?
5. O que é a consciência?
6. O nosso mundo é quântico?
7. De onde vêm as idéias?
8. Qual é a natureza do tempo?
9. O que é que caracteriza o homem?
10. Como é que tudo vai terminar?

sábado, julho 26, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Certo dia, numa aldeia distante lá no Oriente, um menino ganhou um cavalo. Todos ficaram maravilhados e comentavam entre si dizendo: "que menino de sorte". Ao contemplar essa cena, um velho sábio que ali morava exclamou: "vamos ver".

Dias mais tarde, ao brincar com seu cavalo, o menino levou um tombo, quebrou um dos braços e fraturou várias costelas. A notícia correu rapidamente pela aldeia, despertando o comentário geral: "que menino azarado. Agora não pode nem mesmo se mover". Diante do ocorrido e dos comentários, o velho sábio se limitou a dizer: "vamos ver".

Não demorou muito e instaurou-se uma guerra na região. Homens e até mesmo crianças foram convocados para compor o exército que defenderia território em que moravam. A aldeia inteira se reuniu para a despedida. Naquele momento triste, ouviu-se o comentário: "que menino de sorte! Por ter se acidentado, não precisará ir à guerra". O velho sábio, que até então se mantivera calado, sussurou baixinho: "vamos ver".


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quarta-feira, julho 16, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A frase que serve de título para este texto é de autoria do poeta e filósofo espanhol Jorge Santayana.

Ainda cedo o telefone tocou e pensei: "alguém resolveu me despertar para ser o primeiro a me desejar feliz aniversário". Enganei-me. A motivação era outra: o falecimento de minha avó, uma pessoa simples, desconhecida por muitos, insignificante para a maioria. Alguém que viveu uma vida comum entre comuns, sem destaque, sem holofotes. Passei parte do dia ao lado de minha mãe, para quem minha avó não era comum - era especial. E enquanto as horas avançavam em lenta agonia, entre suspiros e saudades, refletia sobre a brevidade da vida e não encontrava motivos para comemorar mais um aniversário.

Por ter nascido neste dia (16 de julho), é até natural que eu tenha guardado em memória alguns fatos que aniversariam comigo. Hoje, contudo, constatei uma infeliz coincidência e resolvi relatá-la abaixo, organizada numa seqüencia semanal.

Domingo: 16 de julho de 1950. Maracanã cheio. Final da Copa do Mundo. Um gol aos 34 minutos do segundo tempo fez o Uruguai sorrir e o Brasil inteiro chorar...

Segunda: 16 de julho de 1979. Saddan Hussein assume o governo do Iraque...

Terça: 16 de julho de 1945. Explode a primeira bomba atômica, num campo de testes próximo a Los Alamos, no Novo México (USA). Essa bomba se chamava "Trinity" ou Trindade. No mês seguinte, duas delas foram lançada sobre o Japão e assustaram o mundo.

Quarta: 16 de julho de 2008. Hoje. Morre minha avó!

Quinta: 16 de julho de 1556. Essa história é curiosa: Morre o primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, conhecido por sua impaciência e rigidez no trato com os nativos. O navio em que se encontrava naufragou na costa do atual estado das Alagoas. Com muito esforço, o bisco de compleição roliça conseguiu chegar à praia. Mas o pior o aguardava. Os índios Caetés o esperavam e reservavam para ele um lugar especial, "pertinho do coração". Assim termina a história do primeiro bispo do Brasil: no estômago dos índios Caetés.

Sexta: 16 de julho de 622. Maomé foge de Meca para Medica, escapando de tribos politeístas que queriam matá-lo por sua crença na existência de um Deus único. Essa data marca o início do calendário muçulmano.

Sábado: Já ouvi essa história um monte de vezes. Hoje eu a ouvi outra vez. Meus pais não se cansam de contá-la. Foi na madrugada de sexta para sábado, por volta das 5:30h da manhã, que eu soltei o primeiro berro. Enquanto eles sorriam eu chorava... Não me lembro desse dia. Eu era pequeno demais reter esse fato em memória. Desde então, muita coisa mudou. Mas há algo que permanece comigo: ainda me sinto pequeno - impotente diante dos mistérios da vida.

Compartilho com todos a música de Erasmo e Roberto Carlos "Sou Uma Criança Não Entendo Nada". Cantem comigo:

Antigamente, quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente, minha mãe dizia:
- Ele é uma criança, não entende nada
Por dentro, eu ria satisfeito e mudo
Eu era um homem, entendia tudo

Hoje, só, com os meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem, quando eu fico sério:
- Ele é um homem e entende tudo
Por dentro, com a alma atarantada
Sou uma criança, não entendo nada
domingo, julho 06, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Inseri uma nova seção aí ao lado chamada "Os mais lidos" que passa apresentar as postagens mais lidas deste blog. Para minha surpresa, o primeiro lugar da lista atual não é de minha autoria: a poesia Canção Mínima de Cecília Meireles. Pois é, até aqui, no meu próprio blog, tenho que me contentar com um segundo lugar...

Faça uma experiência. Coloque um ranking em seu blog e se surpreenda com o resultado. Basta seguir as instruções abaixo:

1. Acessar o site que oferece esse serviço: http://www.aiderss.com/ e, em estando lá, digite o endereço de seu blog.
2. Clique no botão "Analyzer" e aguarde (pode demorar alguns segundos)
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Boa sorte!

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sexta-feira, junho 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O significado de uma palavra não deve ser uma coisa para mim, e outra para você. Se assim for, a palavra deixará de nos ser útil, pois não servirá para comunicar um conceito. Quando enuncio a palavra "amor", por exemplo, espero despertar em você o mesmo sentimento de afeição, ternura e profunda ligação para com o objeto amado que sinto em mim ao ouvi-la. Bem sei que a relação semântica entre um símbolo (a palavra) e seu significado (aquilo que a palavra quer dizer) costuma ser afetada pelo contexto de uso. Por isso, nestas divagações pueris sobre o amor, procuro me restringir ao contexto religioso cristão, tão comum a mim e a tantos outros.

Uma das primeiras definições de amor de que me lembro é derivada das páginas da Bíblia. Uma frase curta, forte e de fácil assimilação: "Deus é amor" (I João 4:8). Nunca mais a esqueci. Essa afirmação, embora sucinta na forma, se agiganta em mistérios. Mistérios que hoje despertam em mim mais dúvidas que certezas. Pra começar, de que deus estamos falando? A Bíblia cita vários, dentre os quais Astarote, Renfã, Dagom, Adrameleque, Nibaz, Asima, Nergal, Tartaque, Milcom, Renfã, Marduque, Baal. Qual desses devo tomar como expressão máxima do amor? Nenhum, é o que responde minha essência cristã. Esses aí são deuses falsos, extintos, que não resistiram à ação corrosiva do tempo. Deus bom é deus vivo. A Bíblia é clara ao identificar o Deus verdadeiro (com "D" maiúsculo) como o Deus vencedor, vivo e eterno. Esse Deus é aquele que abençoava Israel no passado e que hoje acompanha, protege e guia seus novos filhos, os cristãos. Assumindo essa premissa como verdadeira, a próxima pergunta é: o que posso entender sobre o amor ao estudar os atos desse Deus na história humana?

Folheando as páginas da Bíblia, não é difícil constatar que o amor divino está associado a alguma forma de sacrifício, o maior dos quais se observa na vida de Jesus. De fato, a mensagem central do Novo Testamento é que Jesus morreu pelos nossos pecados. Que incrível! O homem pecou e deveria morrer, mas Jesus assumiu o nosso lugar. Sacrificou-se. Isso é amor. Por outro lado, posso fazer uma leitura diferente dessa mesma história e concluir que Deus exigiu um sacrifício e que só depois de um inocente ter sido humilhado, torturado e morto de forma cruel é que Ele se permitiu demonstrar-nos amor na forma de perdão. Em outras palavras, Deus manifestou seu amor ao exigir e concordar com o sacrifíco de seu próprio filho. Devo confessar que jamais interpretaria esse ato como expressão de amor se não o tivesse lido na Bíblia! Que estranha forma de amar! Deus deve ser o único pai que submeteu o filho à morte e é venerado por isso. Qualquer outro seria tratado como psicopata. Em vista disso, faço-me a seguinte pergunta: Devo amar os outros da mesma forma como Deus amou a seu filho? Devo, em alguma situação especial e por amor a outros, sacrificar aqueles que são do meu lar, do meu sangue, da minha essência?

E por que Deus teve que nos amar sacrificando o seu único filho? Por que Jesus teve que morrer? A Bíblia responde: porque o primeiro homem, uma criação divina chamada Adão, pecou, isto é, desobedeceu a Deus ao provar de um fruto. De que fruto estamos falando? Do fruto do conhecimento do bem e do mal. Vamos relembrar esse episódio.

Antes de comer desse fruto, Adão vivia num paraíso, em inocente felicidade. Penso não estar agredindo o texto bíblico ao afirmar que Adão era um ignorante (por "ignorante" não o estou caracterizando com grosseiro ou mal-educado, e sim como uma pessoa pura, sem malícia, inocente, inexperiente, que desconhecia a existência de algo, que não estava a par de algumas coisas). Certo dia, Deus resolveu testá-lo. Dou-me aqui a liberdade de imaginar uma conversa entre Deus e o primeiro homem:

"Adão", disse Deus, "não queira saber o que é certo ou errado, apenas obedeça. Eu bem sei que você ainda não sabe o que é certo ou errado e, portanto, ainda não sabe que é certo me obedecer. Mas o que está em jogo aqui não é o saber, e sim o obedecer. Portanto eu lhe ordeno: não experimente o fruto do conhecimento. Ah, e antes que eu me esqueça, a árvore que produz esse fruto é aquela que se encontra bem no centro deste jardim. Fui claro?"

E Adão lhe responde: "Sim, o Senhor foi bastante claro. Ensinou-me algo sobre esse fruto. Já não me sinto tão ignorante. Sei pra quê esse fruto serve. Sei que ele é diferente dos demais. Também conheço o local exato em que posso encontrá-lo. Agradeço-lhe por essas informações preciosas". Após essa diálogo, Adão não hesitou em buscar mais: comeu e conheceu. Comeu e pecou. Inconformado com a desobediência do homem, Deus o expulsou do paraíso e hoje estamos aqui, amargando as conseqüências do pecado de Adão. Por razões que desconheço, a única solução para o pecado de Adão seria a morte vicária de um ser puro, o próprio filho de Deus, Jesus. Apenas o amor de Deus não seria suficiente para nos perdoar. Alguém teria que ser sacrificado.

Ao relembrar essa história, sinto-me induzido a crer que todo o mal existente em nosso mundo nasceu da desobediência e, portanto, a submissão pode ser a resposta. Se assim for, alguns religiosos devem estar certos ao insistirem tanto na obediência cega e resistirem com teimosia aos avanços do saber científico. É que, para esses religiosos, o homem foi criado para a obediência, e não para o conhecimento. Ele deve obedecer a Deus prontamente e, na ausência dEle, ao clero que o representa. Mas é preciso cuidado: não se deve obedecer a qualquer clero, e sim ao clero verdadeiro.

De volta ao tema "amor" – amor que ainda entendo como sentimento de afeição, de bem querer, de ternura, de zelo e cuidado por aquele a quem se ama – me pego a questionar o amor daquele que é puro amor. Seria um sacrilégio da minha parte? Talvez... E aqui confesso que, assim como uma mariposa é seduzida pelo brilho da luz, sinto-me atraído pelo magnetismo irresistível que emana do fruto do conhecimento. Herdei essa atração mórbida de meu pai Adão e, à semelhança dele, vivo comendo, ou melhor, cometendo o mesmo pecado.

Pra minha sorte, Deus é amor e planejou um meio de me resgatar. A fórmula é simples: preciso aprender a amar de verdade. E em matéria de amor, não há exemplo melhor que o próprio Deus. Portanto, devo amar como Deus amou a seu filho, sacrificando-lhe a vida em prol de criaturas ínfimas esculpidas em barro... Devo amar da mesma forma como Deus ama aqueles a quem condenará ao sofrimento eterno por não acreditarem ou não aceitarem o seu amor.... Devo amar da forma como Deus diz que me ama e me protege, mesmo sabendo que ele não poupou do sofrimento e morte o seu próprio filho... Confesso estar confuso diante desses exemplos incomuns de amor divino.

Essa confusão, contudo, tende a se dissipar se eu reconhecer minhas limitações acerca do caráter e amor do Criador. Sou finito. Limitado. Minha mente é pequena demais para entender os misteriosos atos de Deus. O que a mim parece loucura, na verdade, é a maior prova de amor já demonstrada neste Universo. Minha reação confusa depõe contra mim mesmo ao expor minha ignorância e estupidez.

A Biblia deve estar certa. Deus é amor e eu sou um tolo. Reconheço e assumo aqui a minha ignorância. Também preciso reconhecer que, à semelhança de meu pai Adão, provei do fruto proibido e fugi de Deus. Estou escondido. Não me movo. Temo ser descoberto. Adão fugiu por se sentir nu e eu por estar amedrontado com o assombroso jeito divino de amar. Prefiro o amor mais simples, mais comum, mais humano. Amor de pai, de mãe, de irmãos, de amigos... Companheirismo, atenção, proteção, amparo... Ver, ouvir, falar, sentir, tocar... sem medo...

E assim, assutado, permaneço escondido, como se fosse Adão, atrás de uma figueira...



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