segunda-feira, novembro 26, 2007 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Quem é Godot?

Essa foi a pergunta que muitos fizeram em 1953, após a estréia da peça "Esperando Godot" de Samuel Backett, considerado um dos principais nomes do chamado teatro do absurdo e laureado em 1969 com o prêmio nobel de literatura.

"Esperando Godot" é uma obra curiosa!

As cortinas se abrem para o primeiro ato. Duas pessoas amigas e aparentemente desocupadas são vistas em um lugar indefinido, com um propósito aparentemente definido: esperar por Godot. Um deles rompe o silêncio com a frase: "nada a fazer". O tempo passa lentamente embalado por um diálogo trivial que só é quebrado com a chegada de dois outros personagens vagabundos e exóticos. A conversa prossegue sem muito nexo, até que um garoto aparece para dizer-lhes que aquele a quem esperam, Godot, não virá hoje; talvez amanhã...

O segundo ato é muito semelhante ao primeiro, com um encerramento pra lá de absurdo. Um personagem diz "Devemos partir?" ao que o outro responde "Sim, vamos". Mas ambos permanecem no mesmo lugar.

Talvez seja mera coincidência a semelhança entre os nomes Godot e God (Deus, no idioma do autor). Coincidência ainda maior parece existir entre o título "Waiting for Godot" (Esperando Godot) e a expressão vulgar anglo-irlandesa "Waiting for Godda" (Esperando Deus), o que me leva a relacionar essa peça à grande esperança que embala a vida dos cristãos quanto ao retorno de Jesus a este mundo.

A população brasileira é predominantemente cristã. De acordo com o censo demográfico de 2000 realizado pelo IBGE, 90% dos brasileiros se declaram cristãos. Sabe-se que boa parte destes não é praticante, contudo, é razoável supor que um número significativo de conterrâneos esteja esperando por algo: Esperando Jesus (ou esperando Godot?).

Faz sentido essa espera? O que se faz durante esse esperar? E quando se anuncia que ele (ou Ele) não virá hoje, talvez amanhã, como reage o crente?

Um ato se encerra e outro tem início. Os personagens se revezam no palco da vida. O tempo passa. Os anos acumulam-se em séculos e milênios. O drama prossegue. A espera parece não ter fim. O que é mesmo que se espera?

O que dizer de tudo isso que, para alguns, não passa de um absurdo irracional, enquanto para outros constitui-se na mais genuína experiência de fé?

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1 comentários:

On 10 de setembro de 2010 19:34 , R.C. disse...

Citarei o seu blog no meu...abraços.

 
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