segunda-feira, dezembro 12, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Concluí hoje a leitura do livro "O Óbvio que Ignoramos", do jornalista e filósofo brasileiro Jacob Pétry. Fui induzido a essa leitura por um artigo publicado na revista Veja, semanas atrás, que me levou a pensar que encontraria algo que lembrasse obras como "Previsivelmente Racional" e "Freakonomics", as quais li e apreciei imensamente. Talvez eu tenha lido o artigo da Veja sem a devida atenção...

Reconheço que o livro é interessante. O autor articula bem as ideias e  recorre à história de personalidades conhecidas como Einstein, Kennedy, Sylvester Stallone, entre outros, o que torna a leitura agradável. Mas pra mim ficou bastante óbvio que se trata de um livro de auto-ajuda, e não era isso o que eu estava buscando.

Também não apreciei a frequente recorrência feita, pelo autor, à vida da modelo Gisele Bundchen, que é citada em todos os capítulos. Sem dúvida, ela é um exemplo de sucesso, mas fiquei com a sensação de que o autor exagerou na dose.
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segunda-feira, dezembro 05, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Recentemente me entretive com a leitura do livro "Alex no País dos Números". O autor, que faz de si um personagem, leva-nos em viagem pelo mundo resgatando história e instrumentos ligados ao universo da matemática. A leitura é, em sua maior parte, agradável e leve, chegando a apresentar pitadas de bom humor em algumas passagens.

Fato interessante que convida à reflexão está relacionado aos índios mundurucus que habitam a Amazônia brasileira e que desconhecem números acima de cinco (entendam que essa é uma tribo que alcançou certo grau de sofisticação, já que há outras na própria região amazônica cuja contagem não vai além do "um", "dois" e "muitos"). Os mundurucus não contam o tempo. Tal ideia não faz sentido para eles, assim como também não faz sentido dizer "eu tenho seis filhos". Seis? O que é isso? Pra que serve? Para que contar? Que diferença faz?

Para nós que vivemos esta realidade impregnada de números e cálculos na qual até os segundos são contados, é difícil acreditar na existência de contextos semelhantes aos dos mundurucus nos quais a pressa não existe e a vida ainda flui em consonância com o ritmo imposto pela natureza!
sábado, dezembro 03, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O ano caminha a passos largos para o fim. Caminha não; corre! Corre não; voa! Onze meses já se foram e a contagem regressiva para o réveillon foi iniciada. Para mim, enquanto amante decorrida de rua, conto quantos quilômetros faltam para atingir a marca dos 1500 quilômetros rodados no ano.

Até aqui foram percorridos 1.429 quilômetros. Faltam poucos para alcançar a meta.

quarta-feira, novembro 02, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Acabei de devorar o livro "Guia politicamente incorreto da história do Brasil" e o recomendo a quem queira apreciar uma leitura leve e estimulante a respeito de alguns capítulos "consagrados" da história de nosso país.

Se o que o autor apresenta é verdade (e há razões para suspeitar que possa ser), então não é seguro confiar cegamente em tudo que nos foi ensinado e que se encontra registrado em muitos livros (alguns dos quais usados em sala de aula) a respeito de nossa história e de alguns de seus personagens centrais. Um belo exemplo é o do "pai da aviação", Santos Dumont. Você sabia que ele só é reconhecido como o inventor dessa máquina de voar em um único país? E você sabe que país é esse?

É bom perceber que esse e outros livros (Ex: 1808, 1822), que abordam a nossa história, têm figurado entre os mais lidos pelos patrícios. No mínimo isso me leva a crer que estamos nos interessando mais pela nossa história. Isso é bom! Espero que essa onda de interesse, de curiosidade, ganhe força e se transforme em uma tsuname que nos aproxime das verdades de nossas raízes, até porque, como diz o velho chavão, "povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".


domingo, outubro 30, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Neste mês recebi a visita indesejada de uma velha conhecida, a dor na panturrilha. Por segurança reduzi o volume e a freqüência dos treinos. É provável que, nos próximos meses, siga a mesma estratégia até me ver totalmente livre dessa "presença" desconfortante. Só então voltarei a aumentar o volume.

Foram apenas 59 Km, de um total de 1.291 percorridos ao longo deste ano.


domingo, outubro 16, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
De repente, como num passe de mágica, o tempo se acelera e, num piscar de olhos, uma hora vira fumaça. É assim que, no dia mais curto do ano, começa o horário de verão. Há quem goste dele; há quem o odeie. A motivação para sua existência é econômica, vem de cima, uma imposição, de modo que não há alternativa a não ser a adaptação.

Particularmente, gosto do horário de verão, da ilusão despertada em mim de que nele os dias se alongam e conseguirei chegar mais cedo em casa. E me pego pensando que agora terei tempo para dar uma corridinha à tarde, ou fazer sei lá o quê que nunca é feito porque os dias normais, aparentemente mais curtos, me negavam a oportunidade de realizá-las.

Hoje, por exemplo, o dia rendeu. Às 6:00h já estava correndo. As ruas do bairro, ainda vazias, pareciam indicar que muitos se esqueceram de adiantar o relógio. Se bem que, aos domingos, muitos paulistanos aproveitam para acertar a conta com Morfeu e, convenhamos, o tempo feio, frio, chuvoso, era um convite quase irrecusável para seguir o exemplo do Sol e relegar o primeiro dia do horário de verão ao esquecimento.

Embora aprecie o horário de verão, há algo que me incomoda nessa história toda: é a lembrança de que o horário de verão começa em meados de outubro e isso significa que o ano está a um passo do fim... Mas o ano não começou outro dia? Como é que já estamos em outubro? Como pode ter passado tão depressa? Não sei... Já procurei em vão por meios eficientes capazes de por freio nessa rapidez insana com que o tempo insiste em fluir. Pra que tanta pressa? Pra onde vai tão veloz? Está atrasado? Sei lá... Até parece que o tempo é paulistano... Disso não gosto! Eu, se pudesse, reduziria a velocidade do tempo pela metade e, aí sim, esses dias de horário de verão seriam grandes o bastante para que neles pudesse resgatar aqueles muitos "quês" que aguardam na longa fila da "falta de tempo" pelo momento utópico em que possam vir a acontecer.

Mas não dá pra frear o tempo! E o domingo já passou, num piscar de olhos! Eu até já me preparei para o dia seguinte (vulgo "segundona brava"), que colocará, de fato, o horário de verão na vida de todos que o amam ou odeiam.

Feliz horário de verão para todos!
sexta-feira, outubro 14, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges

O vídeo acima é um excelente documentário sobre a urbanização de São Paulo, uma cidade que nasceu e prosperou inicialmente entre de dois rios (Tamanduateí e Anhangabaú) e que, em seguida, virou as costas para eles em nome do progresso. De igual modo, outros rios foram ocultados das vistas, canalizados, aleijados de seus leitos naturais, cedendo espaço para o "desenvolvimento urbano".

Esses rios, embora ocultos de nossos olhos, continuam a existir e dão sinal de vida nos verões - alagando ruas, reivindicando espaço, ceifando vidas, instaurando o caos...

Conheça um pouco mais da história dessa cidade e de sua infeliz e insensata relação com seus rios. Separe vinte e cinco minutos de seu tempo para assistir a esse documentário. Você certamente não irá se arrepender!

domingo, outubro 02, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Na vida nem sempre podemos fazer o que queremos ou aquilo de que gostamos. Nem sempre, mas às vezes isso se faz possível. São esses momentos especiais, nos quais o fazer se confunde com o prazer, que dão à vida cores e sabores únicos, peculiares, extraordinários.

Mas o que se mostra agradável e especial a uns pode se manifestar abominável e ordinário a outros. Digo isso por estar ciente de que a corrida de rua, fonte de gozo para mim, por certo não o é para muitos que, por sua vez, se entregam a prazeres que não me seduzem.

Tudo bem! Somos assim mesmos. Essas diferenças enriquecem o mundo das relações humanas. Cada um com suas idiossincrasias – palavra pouco comum que significa "maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa" (Dicionário Aurélio). Dito isso, vamos ao meu resumo mensal de corrida de rua.

Setembro foi um mês de recuperação física, após o desgaste decorrente da maratona de Londrina, no final do último mês. Setembro também marcou meu retorno à atividade física regular em uma academia. Minha esposa e eu estamos nos empenhando nesse desafio. Musculação não me agrada, mas é necessária para se ganhar massa magra. O volume de treino caiu em relação ao mês anterior e ao mesmo mês do ano passado, mas ficou num patamar aceitável: 104 quilômetros.

Outubro já começou e o ano avança a passos largos para o fim. Até aqui forma 1.232 quilômetros de treino. Espero fechar o ano com 1.500, pelo menos.

domingo, setembro 11, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Dias marcantes se diferenciam dos demais nem sempre por serem bons ou especiais. Com freqüência, ficam registradas em nossa memória por conterem cenas fortes, inusitadas e até mesmo trágicas e amargas. Tais dias se tornam inesquecíveis, por mais que os tentemos apagar de nosso registro mental.

11 de setembro de 2001 foi um desses dias que começam e nunca terminam. Aqueles que o viveram por certo nunca o esquecerão. Para esses, as torres continuam incandescentes, fumegantes e desabando sobre os sonhos que acalentamos de viver em um mundo melhor, de paz e harmonia entre os povos.

O 11 de setembro nos lembra que somos uma espécie belicosa!

Engendramos armas, construímos trincheiras e convocamos guerra: tudo isso em nome da paz! Elaboramos crenças, inventamos deuses, erguemos templos e invocamos cruzadas: tudo isso para promover a paz e a concórdia... Não consigo entender!

Queremos um mundo melhor para todos, mas nos recusamos a rever nossos conceitos. Estamos convencidos de que o mundo melhor para todos é aquele que concebemos em nossa cabeça e organizamos em forma de crenças, em nome das quais nos dispomos a lutar, a brigar e até mesmo a morrer e a matar.

Quanta tolice, irracionalidade, falta de compreensão e de respeito pelas diferenças.

Lá se vão dez anos. Novas torres estão sendo erguidas e, possivelmente, em algum lugar sombrio, planos sinistros estão sendo arquitetados para pô-las abaixo.

Assim caminha a humanidade!
sábado, setembro 10, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Com a palavra, Charles Chaplin:

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. 

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
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quarta-feira, setembro 07, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O Brasil completa hoje 189 anos de independência. O país comemora... ou será que não? Não tenho certeza. Talvez seja mais correto afirmar que o país parou, hoje, em memória ao ato de D. Pedro I, ocorrido no século XVIII, de declarar-se independente da coroa portuguesa. É curioso notar que, no Brasil, a independência foi produto de uma declaração. Não houve guerra, não houve revolução, não houve comoção popular... não houve mudança.

Independência, no meu entender, envolve ruptura com o passado e a introdução de mudanças que se aprofundam com o passar do tempo.  É certo que o Brasil de hoje é, em muitos aspectos, diferentes daquele que existiu na primeira metade do século XVIII. Com efeito, o mundo como um todo mudou e as sociedades que nele convivem evoluíram, incluindo aí o nosso país. Mas no Brasil, as mudanças quase sempre implicam em continuísmo. Mudam-se os atores, mas o palco permanece o mesmo. Outras vezes o palco é reformado, mas não o elenco que nele encena. Há raros casos em que palco e elenco se renovam, mas, nesse caso, para nosso desalento, a peça representada se mantém imutável. Esse é o velho enredo que se repete nesta terra, no país onde mudança não costuma ser sinônimo de transformação. Que pena!

Dizem por aqui que Deus é brasileiro. Balela, invenção, boato falso, mentira deslavada. Não pode ser! Deus, se é que Ele nasceu em algum lugar, provavelmente o fez antes de 1822, tanto é verdade que as naus de Cabral trouxeram em seu bojo alguns emissários divinos, os jesuítas, com a importante missão de convencer os nativos de que Deus já havia nascido em outro lugar. E eles até tentaram, mas os nativos ou não estavam interessados em ouvir ou eram um bando de cabeças duras. Fato é que ainda hoje se diz por aqui que Deus não existia antes de 1822, nasceu no Brasil e que a cidade de Belém, citada na Bíblia, fica no Pará. Dá pra acreditar?

E antes que pensem que estou "descendo o pau" no Brasil, é preciso que se registre aqui que gosto desta terra e de ser brasileiro. É fato que nunca pus o pé em outro país, nem mesmo no Paraguai, e, de igual modo, nunca possuí outra nacionalidade. Mas pelo que leio, vejo, ouço e assisto, o Brasil está longe de ser o melhor país do mundo. Se Deus fosse brasileiro, poderoso do jeito que Ele é, é razoável supor que nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) fosse  mais elevado, não acham?

Deus, pelo que dizem, não gosta de corrupção, e essa praga viceja aqui como se fosse capim. Nasce em todo canto e cresce como praga. O "jeitinho brasileiro" é conhecido em todo mundo! Definitivamente, Deus não pode ser brasileiro!

Mas deixemos Deus de lado e voltemos ao tema desse texto, a independência do Brasil. Dizem os livros que D. Pedro I estava em uma encruzilhada: era independência ou morte. Balela novamente, tanto que ele não escolheu nem um nem outro, apenas balbuciou algumas palavras e foi se aliviar, já que estava com uma tremenda diarreia. Conclusão: O Brasil se declarou independente, mas continuou nas mãos da mesma alcateia; não morreu, mas também não chegou a viver em sua plenitude.

E viva o Brasil!
segunda-feira, setembro 05, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
fonte: www.ativo.com

Esse aí ao lado sou eu, ao passar pela marca da meia-maratona (21,1 km) em Londrina. Ainda estava inteiro após 1:48:30h de corrida. Mas minha alegria iria durar pouco, como relatei no post anterior.

A Maratona de Londrina já faz parte do passado, assim como o mês de agosto, no qual consegui percorrer 264 quilômetros, chegando a 1128 quilômetros de treino no ano.

Ontem fui ao Ibirapuera. O parque estava entupido de gente. Foi difícil estacionar. Correr na parte central era impossível e até a "volta da cerca" estava cheio de ciclistas, caminhantes, cachorros, além de grande número de corredores. Foi meu primeiro treino pós maratona. Corri 12 Km e me senti bem.

Próximas metas: continuar treinando e, talvez, encarar mais uma maratona neste ano. Provas candidatas: Foz do Iguaçu, Rio e Curitiba.

terça-feira, agosto 30, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Depois de uma agradável viagem de São Paulo à Londrina, chegamos à cidade no momento em que o sol se despedia. O dia havia sido quente e o calor parecia tornar a cidade e as pessoas mais abertas, agradáveis e alegres. Minha esposa e eu ficamos com uma impressão muito positiva da cidade e do povo de Londrina.

Quanto à maratona, dois atrativos me motivaram a participar dela: O horário da largada (7:00h) e a referência ao "trajeto cuidadosamente planejado" pela organização, conforme página inicial do site do evento. Pensei que o percurso seria plano, mas estava enganado. O percurso foi desafiador. Uma sucessão de subidas e descidas, com predomínio de descida na primeira metade e de subida na metade final.

A largada ocorreu às 7:08h, numa manhã de céu azul, sem nuvens e sol agradável. A organização foi quase impecável.  Água em abundância e vários pontos de gatorade, gel de carboidrato, coca-cola e azeitona. O staff contava também com ciclistas que iam e vinham ao longo do percurso apoiando, servindo água e verificando o estado dos corredores. Realmente, muito bom!

Como não havia feito nenhum treino longo, eu sabia que chegaria bem à metade da prova, mas a partir dali seria uma incógnita e um desafio. Fiz a primeira metade (21,1 Km) em 1:48:30h, com batimentos cardíacos em torno de 155 e desconforto nos pés causado pelo tênis.

A segunda metade foi complicada. Precisei de 2:18:51h para completá-la. A corrida se tornou monótona com poucos corredores em ruas quase desertas ou margeando rodovias, sempre num sobe e desce sem fim.

Comecei a sentir vontade de parar no Km 25, mas resisti até o 30. A partir daí foi um festival de anda e pára até o final da prova.

Lá pelo km 38, em meio a uma longa subida, fui ultrapassado por um senhor de mais de setenta anos. Pensei bastante e tomei a decisão de nunca mais participar de uma maratona.

Concluí em 4:07:21h.

No dia seguinte, já mais refeito, voltei a considerar a possibilidade de correr a Maratona de Porto Alegre, ou a do Rio, ou a das Águas, ou uma fora do Brasil...

segunda-feira, agosto 22, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
É quase certa a minha participação na primeira edição da Maratona de Londrina, prevista para o próximo domingo, 28/08/2011. Já estou inscrito e fazendo contagem regressiva para a chegada do evento.

Lá se vão três anos sem completar uma maratona e, confesso, os quarenta e dois quilômetros de uma maratona nunca me assustaram tanto! Já fui mais inconsequente no passado. Hoje, depois de já ter colocado mais de dez maratonas no currículo, aprendi a respeitar a distância.

Pretendo fazer uma corrida participativa e não competitiva. Gosto de correr contra o relógio, tentando melhorar minhas marcas, mas desta vez, se concluir o percurso já será uma vitória. Isso não significa que não tenha metas. Se me sentir bem, poderei rever as metas conforme seguinte sequência:
  1. Tentar concluir;
  2. Tentar concluir abaixo de 4:15h (meu pior tempo, obtido na dificílima Maratona das Águas que ocorria no interior de São Paulo).
  3. Tentar concluir abaixo de 4:00h.
Vamos ver no que vai dar!

domingo, agosto 07, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Hoje saí por aí, correndo, meio sem rumo, sem direção, sem muita motivação, meio que no piloto automático, como se meu prazer fosse hoje meu dever.

Gosto de correr, de sentir o coração a ditar-me o ritmo e confiar nas pernas que tocam o solo com vigor, disposição e convicção, impulsionando-me sempre para frente. Correr é entregar-me ao prazer!

E como é bom sentir prazer naquilo que estamos fazendo. Nem sempre é isso possível. Às vezes fazemos o que deve ser feito. Temos compromissos, obrigações, deveres e agimos com responsabilidade. Mas a vida às vezes nos presenteia com espaço e tempo para serem dedicados àquilo que nos apraz, que não tem preço e que nos faz sentir realmente vivos. Gosto de correr porque assim me sinto cheio de vida!

Então, troco de roupa, calço o tênis e saio por aí, correndo, enquanto a magia acontece: preocupações se dissipam, ansiedades desvanecem, temores se desfazem, pensamentos desaparecem. A cabeça fica vazia... Enquanto corro, parece-me que o tempo pára e o espaço se contrai. Os quilômetros vão sendo transpostos, embalados em doce euforia produzida pela endorfina que transpira em cada poro. Corredor e corrida se confundem e se fundem em uma mesma emoção.

Mas hoje, ao correr, o milagre parecia relutar-se a ocorrer. E eu corria meio desligado. Um, dois, três quilômetros e nada. Eu apenas corria... Quatro, cinco, seis... e só aí comecei a pensar em correr, mas, à essa altura, já não estava com muito "gás" para seguir adiante, então percebi que hoje não era o meu dia. Às vezes isso acontece...

E assim, após dez quilômetros rodados, resolvi dar descanso ao corpo e desligar as pernas.
sexta-feira, agosto 05, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Em uma rara passada pelo Facebook, encontrei três citações interessantes na página de uma amiga e ex-colega de trabalho, as quais reproduzo abaixo:

1. "É melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta"

2. "Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam"

3. "Somos o que repetidamente fazemos. A excelência não é um feito, mas um hábito"
    quinta-feira, agosto 04, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Julho foi um mês diferente, um mês de mudanças, de rupturas. E rupturas são sempre dolorosas, ainda que necessárias.

    Em julho completei mais um ano de vida: momento de comemoração e, acima de tudo, de reflexão.  Vida que segue, que nos desafia a todo instante.

    E em meio a tantas mudanças, algo permanece: a paixão pela corrida de rua. Em julho conseguir colocar o tênis, o short e a camiseta com mais freqüência. Foram 180 quilômetros – recorde do ano. Um desconforto na panturrilha, uma dor no pé... dores típicas de quem gosta de correr.

    E agosto já começou em bom ritmo. A meta é correr uma meia-maratona em breve, para ver se consigo voltar a pensar em encarar uma maratona novamente.

    terça-feira, julho 26, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Sou apaixonado pela série "O Universo", apresentada pelo  The History Channel.  A série toca em pontos como o big-bang, sol, lua, terra e demais planetas do sistema solar e avança para pontos mais nebulosos como universos paralelos.

    É curioso observar que a "verdade científica" é uma conquista que já nasce sujeita à perda de validade. Não se trata de uma verdade eterna, escrita em pedra, até porque hoje se sabe que nem as pedras duram para sempre.

    Vamos exemplificar: no início do século passado, sabia-se muito pouco sobre a extensão do universo. A verdade quanto a isso era: O universo é a Via-Láctea. O tempo passou e essa verdade cedeu lugar a outra, mais ampla, segundo a qual o universo está em expansão e a Via-Láctea não passa de uma "ilha", um conglomerado de estrelas denominado "galáxia". Há milhões e milhões de galáxias semelhantes a nossa!

    Essa série é, certamente, voltada para o público leigo do qual faço parte. Ela me fala, em cada capítulo, a respeito da grandeza do universo e da finitude e pequenez do ser humano e me conscientiza da importância da humildade: somos pouco em um universo tão grande. Nossa vida é fugaz quando comparado ao período de existência de uma estrela!

    Ao mesmo tempo, essa séria me faz sentir orgulho do gênio humano que, à distância, investiga os segredos ocultos no espaço profundo e tenta criar asas capazes de levar-nos a lugares "nunca dates navegados".
    sábado, julho 23, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Ontem à noite recebi uma ligação telefônica informando-me sobre o falecimento de um tio paterno. "Ele se foi...".

    E quem era ele?

    Em um país cuja população beira duzentos milhões de pessoas e num planeta que abriga quase sete bilhões de habitantes, ele era o que eu e você ainda somos: muito pouco. Todo dia uma multidão anônima nasce e outra perece. Meu tio foi contado entre aqueles que saíram de cena...

    Esse tipo de consideração, de análise baseada em números frios, gélidos, indiferentes, não faz jus ao real valor que um ser humano tem para aqueles que o conhecem e o amam. Se para a maioria somos invisíveis e transparentes, se para quase todos somos como se não fôssemos, para alguns poucos com os quais dividimos experiências e compartilhamentos emoções e sentimos, temos sim muito valor.

    Meu tio se foi e deixou um espaço vazio - e ao mesmo tempo, impregnado de dor, tristeza e luto - na vida da esposa, de filhos, sobrinhos, netos, parentes e amigos. Sua morte abre em nós, que o conhecíamos, uma ferida que só o tempo será capaz de curar. Ela nos lembra que não "somos", apenas "estamos" aqui por um breve tempo e seguimos em direção ao fim indesejado e inevitável.

    A vida tem suas estações, que não são comparáveis às estações do tempo. Com o tempo é assim: há dias frios e dias quentes; dias chuvoso e dias secos. Estamos acostumados com essa alternância, com esse revesamento. Mas com a vida, não é assim que ocorre. Não ficamos ora mais novos e ora mais velhos. A seta do tempo aponta sempre numa mesma direção: vivemos a caminho da morte. Meu tio se foi. Nós também iremos.

    A morte nos convida a uma reflexão sobre a vida. Vivemos quase sempre como se ela (a vida) fosse inesgotável. E a esbanjamos. E a colocamos em segundo plano. E estabelecemos prioridades que comprometem nossa saúde e felicidade. E deixamos tantas coisas importantes pra depois... E a vida vai passando sem que nos demos conta disso. Um dia a vida acaba...

    A vida não é eterna. Pelo contrário, é curta, breve e frágil. Ela resiste e insiste e teima em se conservar enquanto se equilibra com dificuldade na crista de uma onda de entropia. Cedo ou tarde a onda se rompe e a vida se vai. Daí a importância de se aproveitar cada dia, cada encontro, cada momento, porque a vida é isso: uma coleção de momentos, cada um com sua cor e seu sabor. E esses momentos passam e nunca mais voltam.

    Registro aqui meus sentimentos pela morte de meu tio Antônio. Meu pai lamenta a perda de mais um irmão. Ele, que já vive o ocaso da existência, sofre com mais uma despedida, com mais uma perda, enquanto prossegue vivendo.
    sábado, julho 16, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Estou sem inspiração para escrever. Minha amizade com as letras vem se esvaecendo. Já não somos íntimos, se é que em algum dia o fomos. Por isso, quase não passo mais aqui para dar forma aos pensamentos, construir expressões e registrá-los em palavras. Mas hoje... hoje não dá para me manter distante e calado. Preciso escrever!

    Os tempos mudaram. Caneta, lápis e papel são coisas do passado. Hoje é tudo digital. Bits e bytes abandonaram as sombras sinistras do anonimato e se transformaram em atores principais no palco iluminado ocupado pelos computadores. Caneta e lápis cederam lugar aos teclados de notebooks e às telas sensíveis a toque das novas estrelas em ascensão, os tablets.

    Os tempos mudaram, fluíram, passaram: horas formaram dias, que se combinaram em semanas, que se acumularam em meses, que se fundiram em mais um ano de vida – mais um aniversário. Por isso, aqui estou, sem canela ou lápis, deslizando os dedos sobre o teclado suave de um notebook e registrando esse momento, não em papel e sim nas páginas virtuais do caderno digital da internet.

    "Feliz aniversário para mim"! É o que digo, ou melhor, escrevo, ou melhor, digito.

    Os dicionários definem aniversário como "algo que vem, que chega, que volta, que se faz a cada ano" (Houaiss). Essa palavra deriva do latim annus (ano) e versum (voltar, virar). Mas etimologia tem a ver com o passado, com a origem da palavra, e não com seu significado subjetivo e subjacente àquele que, neste dia, se vê completando mais um ano de vida.

    Para uns, aniversário é sinônimo de festas e presentes. Para outros, encontros com pessoas. Para outros ainda, um momento de recolhimento e introspecção. E há aqueles que vêem no aniversário apenas um passo a mais em direção ao fim indesejado e inevitável.

    E para mim, o que é completar mais um ano de vida?

    Talvez seja um pouco de tudo isso aí. Mas esse aniversário, em especial, veio marcado por uma atitude positiva em relação à vida. Eu disse "atitude" e não apenas "reflexão". Vivo um momento único (e existe algum momento que não seja novo ou único?). Decisões têm sido tomadas, escolhas têm sido feitas e, embora o caminho à frente não se mostre nítido e claro, a disposição para prosseguir, para seguir adiante, mantém-se firme e forte.

    Para mim, a vida é uma dádiva, um presente. Gosto da palavra "presente" porque, além de designar este momento no tempo ela também quer dizer "brinde", "graça", "dádiva", "algo que nos é ofertado". Aniversário é um momento para celebração dessa dádiva, a dádiva de estar aqui agora.

    Numa rápida consulta à internet, encontrei dados do IBGE do ano de 2007. Os números não são atuais mais servem como referência para uma rápida reflexão. Naquele ano nasceram 2.750.836 no Brasil e morreram 1.046.135. Caso esses números tenham sido mantidos, entre o aniversário anterior e o atual, morreram mais de um milhão de pessoas em nosso país, mas nós – você e eu – ainda estamos aqui, presentes, respirando.

    A vida é bela e breve, preciosa e frágil. Um mistério que nos surpreende, arrebata e assusta. Um convite à aventura. Viver é bom, mas nem sempre é fácil. Às vezes, viver dói – e como dói! A despeito disso, viver sempre vale à pena. E esse presente, essa dádiva, a oportunidade de ainda estar aqui – às vezes sob a luz fulgurante, quente e dourado do sol, outras vezes sob o brilho pálido, frio e prateado da lua – que eu faço questão de comemorar hoje.

    Mais um ano de vida completo hoje. Ano de lutas, de algumas conquistas e algumas derrotas; de paz temperada com pitadas de angústias; de certezas frágeis e dúvidas resistentes; de superação. Chego aqui com saúde e disposição para prosseguir. Às vezes sinto medo, mas os anos de experiência têm me ensinado a lidar melhor com ele, a encará-lo nos olhos e fazer cara de bravo, a despeito do friozinho na barriga.

    Hoje, olho pra trás com gratidão e pra frente com esperança e fé. Ainda sinto o enorme desejo de encontro tempo – mais tempo – para fazer aquilo que me apraz. Eis aí uma meta para o novo ano que acaba de começar.

    Hoje é meu dia, então, sem falsa modéstia, desejo a mim mesmo um "feliz aniversário" porque eu mereço! (rs)

    Agradeço aos amigos que ligaram, digitaram recados em redes sociais, enviaram sinal de fumaça, etc. Valeu!
    quarta-feira, julho 13, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Há tempos que passo por aqui apressado, "de passagem", sem tempo para parar e digitar algo que vá além do registro mensal de treinos. Os motivos são muitos, entre os quais é fácil citar a falta de tempo e a falta de disposição.

    Tempo é algo cada vez mais raro. E, nos poucos momentos de que dele me disponho, falta disposição para empregá-lo redigindo algo. Escrever o quê? Escrever para quê?

    Tenho observado que os blogs estão em viés de baixa. Há muitos artigos na rede discutindo essa questão. Já fui mais de escrever e ler blogs. Tentei o Twitter, mas não me senti confortável com os 140 caracteres. Pareceu-me superficial demais, instantâneo demais, curto demais. Não curti.

    E as redes sociais? Também me distanciei delas. Perderam o sentido. Não sabia o que fazer com tantos contatos superficiais, quase desconhecidos, distantes e ausentes. Definitivamente, não me parece ser uma boa forma de investir meu pouco tempo.

    E assim, continuo plugado, mas sem tribo. Estou na rede, mas ao mesmo tempo, fora dela.

    E meu blog? Tem futuro? Entendo que sim: um futuro muito parecido com o atual presente dele.
    sexta-feira, julho 08, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Junho veio e passou num piscar de olhos. Fiz muito do mesmo: muita repetição e pouca variação. Os dias se apresentaram como irmãos univitelinos: de casa para o trabalho; do trabalho pra casa. E quando possível, dei uma corridinha básica para não perder o condicionamento de vez.

    Os treinos, em junho, mantiveram a tendência de baixa. O frio pode ser considerado um fator inibidor, mas a falta de tempo continua sendo a grande vilã.

    Dizem que tempo é questão de prioridade... Ainda me lembro da época de faculdade e de um professor, idoso e gentil, tecendo comentários a esse respeito. E eu, no vigor inconseqüente da juventude, ouvia-o atentamente sem, contudo, dar ao tema a devida importância. O tempo passou. Aquele velho professor já se foi dessa vida e minha juventude, de modo semelhante, também se foi: desvaneceu-se nas brumas do passado.

    Dizem que tempo é questão de prioridade... Se isso for verdade, então preciso rever, com urgência, as minhas prioridades. Nos últimos anos, parece-me que o trabalho ganhou muita relevância e se fez senhor de minha vida. Não sei até que ponto conseguirei reverter essa tendência, mas preciso tentar.

    Espero que, nos próximos meses, meu volume de treino volte a subir. Junho já é história, da qual não há muito o que comemorar. É fato que consegui super o mesmo mês do ano anterior. Mas o ano passado foi um ano perdido em matéria de treino. Superá-lo é, no mínimo, uma obrigação.

    Enfim, em junho corri apenas 83 quilômetros.
    domingo, junho 19, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges

    Já estamos em junho e só agora passo aqui para reportar meus treinos no mês anterior. Curiosamente, hoje ocorreu a Maratona de São Paulo, da qual, mais uma vez, fiquei de fora. Uma pena...

    Nos últimos anos venho me esforçando para voltar a treinar com regularidade. A corrida de rua, que sempre me foi uma fonte de prazer, também me tem sido um fator de equilíbrio e de saúde. Hoje, quando penso nos 42,2 Km de uma maratona, sinto um friozinho na barriga, fruto da convicção de que não estou preparado para esse desafio. Mas acredito em mudanças e estou buscando por elas. Mudança é a lei da vida, como dizia Heráclito de Éfeso.

    E voltando aos treinos, em maio o volume caiu bastante. Mesmo assim ficou acima do volume registrado no mesmo mês no ano passado (o ano passado foi um desastre!). Foram parcos 76 quilômetros, somando 600,5 quilômetros de treinos nos cinco primeiros meses do ano.
    sábado, maio 14, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Abril é um mês de transição. Vão-se embora as águas de março e tem-se início o outono. Os dias começam a perder o fôlego e as noites crescem; as chuvas diminuem, o calor se despede, o ar se torna seco...

    Em abril voltei a correr. Participei de uma meia-maratona e cheguei a pensar, por breve tempo, em tentar encarar uma maratona.

    Abril chegou. Abril passou.

    Não sei o que se passa, mas sinto-me tentado a negar uma verdade astronômica. Parece-me que os dias estão ficando cada vez mais curtos, pois o relógio do tempo anda apressado. As horas, os dias e semanas estão fluindo com tal velocidade que me deixam atordoado. Estou ficando para trás...

    Tentei correr atrás do tempo que me falta para fazer aquilo que me apraz. Inseri alguns treinos noturnos, em casa, na esteira, pois lá fora a escuridão e o frio são inimigos que me desanimam. E assim, cheguei ao final do mês tendo percorrido 137 quilômetros.

    Pouco ou muito?

    Isso é relativo. O importante é saber que corri o quanto pude nas circunstâncias atuais, que não me tem sido favoráveis à prática de esporte.

    Abril se foi e maio avança a passos largos, mas dele falarei em uma próxima oportunidade.
    sábado, abril 16, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Domingo passado (10/04/2011) foi um dia especial: participei mais uma vez da Meia Maratona Corpore. Realizei, assim, uma das metas estabelecidas para este ano.

    Noutros tempos, minha meta seria correr pelo menos uma maratona. Mas os tempos mudaram. Tenho treinado pouco e os 42,2 km da maratona hoje me assustam.

    Após uma noite de muita chuva, o domingo amanheceu ameno e propício à prática de esporte. Cheguei à arena de largada sete minutos antes do início e me surpreendi com a ausência de muvuca. A prefeitura da USP havia limitado o número de participantes em 6.000 inscrições, das quais 2.000 foram destinadas a uma prova de cinco quilômetros.

    A largada foi tranqüila e em menos de três minutos passei pelo tapete de largada. Senti um friozinho na barriga ao pensar que teria pela frente 21,1 km, distância que não percorria há uns dois ou três anos. Por precaução, decidi segurar o ritmo. Minha metas eram bem realistas e modestas: (1) correr até o fim, sem parar; (2) se possível, terminar em até duas horas e (3) qualquer tempo abaixo de duas horas seria lucro.

    Preocupava-me o que poderia me ocorrer após os "12 km", maior distância que percorri nos últimos meses. Precisava me poupar para não sofrer demais nos quilômetros finais.

    Para minha surpresa, à medida que o tempo fluía e meu corpo se aquecia, ia me sentindo mais à vontade na prova. Correr era um imenso prazer. Ia superando os quilômetros sem dificuldade, respeitando os limites do corpo, até alcançar a marca de 15 Km. Nesse ponto, o tênis novo que eu usada passou a incomodar bastante. Meus pés ardiam, como se estivessem cheios de bolhas. O que fazer? Pensei em parar...

    Mas faltavam apenas seis quilômetros. Por que não tentar um pouco mais? Negociei comigo mesmo e decidi prosseguir, mesmo que as bolhas estourassem. A temperatura continuava amena, num belo domingo de outono, e o prazer de correr ainda me acompanhava, a despeido do desconforto causado pelo tênis. Passe a fazer contagem regressiva e, sem me dar conta, aumentei o ritmo, até cruzar a linha de chegada em um tempo que me surpreendeu: 1:45:29h e ritmo médio de 4:59 minutos por quilômetro (ou 12 Km por hora)

    Terminei com o pé esfolado. Foi difícil caminhar até o carro, mas a satisfação de concluir uma meia maratona, depois de anos, superou em muito o desconforto nos pés.

    Resumo:
    domingo, abril 10, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges

    No mês de março, graças ao carnaval, consegui treinar um pouco mais. Foram 178 quilômetros, volume raro nos últimos três anos.

    Registro aqui um forte tombo, no Ibirapuera, que avariou o sensor de batimentos cardíacos que uso em treinos e – o melhor – a ausência de lesões musculares neste ano!

    Em abril, acredito que o volume será menor que esse de março, mas ainda assim, tende a ser superior ao do mesmo mês no ano passado.
    terça-feira, março 08, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    O educador Geoffrey Canada, em artigo publicado na revista Veja desta semana, assim se expressa ao relembrar um momento de sua infância:

    "Sempre achei que a salvação era o Superman. Um dia, minha mãe me disse que o Superman não existia. Eu tinha 8 anos. Minha mãe disse: 'Não, não, não tem Superman nenhum'. Comecei a chorar, porque achava realmente que o Superman viria nos salvar do caos, da violência, do perigo. Mas não havia herói nenhum. Descobrir que ninguém viria nos socorrer foi uma das experiências mais chocantes da minha infância" (Veja, edição 2207, 09/03/2011, página 68).

    Embora nunca tenha crido na existência real do Superman, admito já ter acreditado em outros heróis. Super-heróis. Com o tempo, acabei sendo forçado a rever meu ponto de vista. Heróis são seres fascinantes por seu poder, bondade, nobreza, altruísmo e disposição para o sacrifício. Vivem para os outros e se fazem presentes quando deles mais necessitamos. Superman reúne esses atributos. Ele é tão perfeito que parece não ser de verdade e, de fato, não é. Não pode ser!
    domingo, março 06, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Fevereiro é um mês curto, pobre em dias. Os romanos o viam com reserva: era de mau agouro. Com o advento do calendário Juliano, a sorte do mês de fevereiro não mudou. Mudança mesmo ocorreu décadas mais tarde quando lhe afanarm um dia para que o mês de sextilis, ao ser rebatizado como agosto em homenagem a Cesar Augusto, passasse a ter trinta e um dias. Desde então, fevereiro mantém seus vinte e oito dias, exceto nos anos bisextos, quando lhe é acrescido um dia.

    Em 2011, fevereiro passou voando. Mesmo assim, consegui superar o volume de treino do mesmo mês do ano anterior. É fato que no ano passado corri muito abaixo de minha média histórica, mas vou deixar essa média histórica de lado, por enquanto, e comemorar a conquista recente.

    Também continuo treinando de maneira irregular. Estou perdendo, em média, algo próximo a cinco horas por dia no trânsito de São Paulo. É tempo demais para quem, a semelhança do mês de fevereiro, é pobre em dias.

    Algo não mudour: continuo sem motivação para participar de eventos (corridas de rua) e, sem uma prova alvo, não vejo por que levantar de madrugada para treinar ou ir para a rua após o dia de trabalho e cinco horas no trânsito. Conseqüentemente, meus treinos continuam se concentrando nos finais de semana e feriados.

    Penso que em março, graças à semana de carnaval, conseguirei superar o volume de março do ano passado. O placar tende a ser de 3 x 0 para 2011.
    sábado, fevereiro 26, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Já ouvi diversas vezes que "os homens são eternos meninos, o que muda é o valor dos brinquedos".

    Faz sentido?

    Começa a me parecer que sim, que a vida não deva levada a sério. Não em demasia. É preciso, sim, agir com responsabilidade. Organização e planejamento são necessários, mas tudo dentro de certos limites. Seriedade demais talvez atrapalhe.

    Viver é complicado. Viver em sociedade é um desafio cheio de deveres, compromissos, responsabilidades, obrigações, contas a pagar e sapos a engolir. Sobreviver nessa teia social requer austeridade, maturidade, juízo, isto é, agir e comportar-se como adulto, num mundo dominado por adultos.

    Adultos tendem a ser mais sérios que crianças. Estas, geralmente vivem o momento presente e o fazem de modo intenso, apaixonado. Adultos, nem tanto. Adultos vivem divididos entre o agora e o depois, entre o agora e o antes. Adultos são sérios. Bebem a vida com moderação, como recomendam os comerciais de cerveja.

    Eu sou do tipo que tem a propensão de levar a vida a sério demais. Curiosamente, não gosto da palavra "sério", talvez porque ele me lembre o prefixo latim "seri-" que está associado a "fila", "encadeamento" e me lembre "produção em série". Produção em série é interessante para fábricas que, dessa forma, ganham em escala e reduzem custos. Pra gente de carne e osso, não encaixa bem. Somos peças únicas, sui generis. Não fomos fabricados; fomos concebidos. Mas, estranhamente, nossos modelos, nosso sistema educacional, a indústria do consumo e nossa necessidade quase insada de reconhecimento e aceitação nos levam a abdicar de nossa singuralidade e a nos perder no plural social (deixo de ser o que "sou" para ser o que "são"). Nossa vida passa a ser um "encadeamento" de atividades, uma "fila" de compromissos. Tempos modernos, como no filme de Chaplin. Comportamento civilizado, robótico, sério ou em série, sei lá... dias pré-fabricados, que reproduzem com precisão de relógio suíço a mesma rotina cinza cínica. Dias que são cara de um, focinho do outro.

    Penso muito antes de quebrar a rotina. Sou sério! Penso muito antes de tomar uma decisão. Às vezes minha esposa me dá umas alfinetadas, senão não saio do transe. "De pensar, morreu o burro", como diz a sabedoria popular. O burro é um bicho sério. Eu sou sério. Logo...

    Silogismo à parte, toda essa ladainha é apenas para dizer que, há uns dois meses, deixei a seriedade de lado e me dei um presente (não antes de vários meses de pesquisa, muito pensar, refletir, calcular, comparar, analisar e até me angustiar, afinal, sou tão sério quanto um burro). Por fim, graças à intervenção de minha esposa, resolvi me presentear com um smartphone (Milestone 2 da Motorala) e voltei a ser menino, a despeito dos muitos cabelos brancos que coroam minha cabeça e denunciam minha idade.

    Levei quase um mês para receber a primeira ligação no aparelho. Explico: na média, recebo duas ligações por mês: uma é de minha esposa, a outro é engano. No último mês fiquei abaixo da média.

    À rigor, não preciso de celular, mas ando com um o tempo todo, como todo mundo. Coisas da vida em sociedade. Teimosia em ser igual aos demais, para não ser rotulado de diferente ou esquisito. É certo que muitos precisam de celular, alguns até tem mais de um... Pra mim, celular é enfeite e, agora, um brinquedo. Brinquedo caro! Um verdadeiro computador de mão no qual já instalei um bom número de aplicativos, utilitários e, é claro, vários joguinhos divertidos.

    Depois que adquiri esse smartphone, com seu fantástico sistema operacional Android do Google, passei a ser um testemunho vivo da sabedoria popular: "os homens são eternos meninos, o que muda é o valor dos brinquedos". Com o Milestone consegui por de lado a seriedade e me envolver com o lúdico. Redescobri o prazer de brincar. Belo aparelho! E embora eu quase não o use para fazer ligações, posso afirmar que ele funciona muito bem como telefone. Pelo menos é o que diz o manual fabricante (rs).
    quinta-feira, fevereiro 24, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges

    A correria da vida tem me privado de tempo para pensar. Sou um ser pensante, ou pelo menos deveria ser. Tenho sido um "pensante não praticante". Ultimamente tenho abusando do piloto automático. De casa para o trabalho, do trabalho pra casa. E entre uma coisa e outra, longas e enfadonhas horas no trânsito neurótico de São Paulo.

    Tenho tomado, à cada manhã, a pílula da condescendência com essa realidade mórbida e, sob seu efeito, passo a encarar os fatos como "normais". Sigo, ao longo do dia, sonolento, entorpecido, distante... até que um fato novo se encarregue de me despertar. E foi isso que aconteceu. Nos últimos dias fui tocado por dramas vividos por colegas de trabalho e familiares diante do inexorável, do inevitável: A morte.

    O tempo passa para todos e leva consigo a beleza da forma, o vigor da juventude e, por fim, a própria vida. A morte mora ao lado. Segue-nos como sombra. Está sempre em nosso encalço e se aproxima perigosamente à medida que o tempo de vida avança. Por fim ela sempre nos alcança, abraça, envolve, aniquila.

    Começamos a morrer assim que nascemos. Contradição insuperável: a vida traz em seu cerne a semente da morte! Essa semente brota, cresce e se faz árvore, cujas sombras densas nos cobre.

    Dizem que a única certeza absoluta que se pode ter é que a vida terá um fim, cedo ou tarde. Há os que acreditam que é dessa certeza indigesta que brotam os delírios da imortalidade e as crenças na ressurreição do corpo, na imortalidade da alma, na vida após a morte, ou algo do gênero. Faz sentido?

    E eu que seguia embalado pela rotina - meio vivo, meio morto - fui chacoalhado por sinais vindos de vários lados alertando-me para o fato de que é preciso viver de forma plena.

    Pois é... Hoje, antes de ir dormir, resolvi resgatar minha capacidade (quase perdida) de pensar. E pensei. E me dei conta de que o tempo está passando e a vida se desbotando. É preciso viver!
    domingo, fevereiro 06, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Fevereiro chegou depressa. Pelo jeito, não sou o único que gosta de correr. O tempo parece ser mais amigo da velocidade que eu. Janeiro se foi célere, ligeiro, e fevereiro avança a passos largos.

    Eu aproveitei as férias para aumentar a quilometragem. Agora, de volta à labuta, o ritmo de treino voltou ao normal, isso é, apenas nos finais de semana, com raras exceções.

    Como o ano passado foi o pior dos últimos dez anos em volume de treino, creio que em 2011 me sairei melhor. Quanto às metas, nada de maratona, mas uma meia irá bem. Vou me planejar para a Meia Corpore. Creio que até lá (abril) já estarei em condições de rodas 21 quilômetros em duas horas.

    Hoje rodei 10 quilômetros no Ibirapuera. O parque estava fervilhando de gente, mas a volta da cerca é sempre tranqüila e rica em sombra. Corri bem devagar, apreciando o momento e poupando-me para atingir a meta. Muito bom!
    sábado, janeiro 22, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    A frase acima, usada como título para esse texto, é de autoria do cantor e compositor John Lennon e é citada por a Richard Dawkins no documentário "A raiz de todo mal" e no livro "Deus um delírio", nos quais ele argumenta com fervor e eloqüência em defesa de um mundo sem ataques suicidas, sem o 11 de setembro, sem o Talibã, sem as infindáveis guerras entre judeus e palestinos, sem muçulmanos, sem cristãos, enfim, um mundo sem religião. Você é capaz de imaginar como seria esse mundo? Eu bem que tentei imaginá-lo, mas me esbarrei em algumas limitações.

    Até onde consegui pesquisar, não se tem conhecimento de nenhuma cultura que seja estruturalmente não religiosa ou atéia. Com efeito, ao longo dos séculos, o ateísmo foi sempre um fenômeno escasso, minoritário, periférico. Imaginar um mundo sem religião estando inserido em um mundo essencialmente religioso requer muita abstração e criatividade, a menos que tomemos um atalho e peguemos o nosso mundo, tal qual é, e simplesmente removamos a religião dele. Essa atitude, contudo, não me parece ser a forma mais honesta de lidar com a questão, mas foi o que eu fiz (e penso que seja o que muitos façam) ao aceitar o desafio de John Lennon em sua música "Imagine".

    Para muitos, o mundo seria melhor se não houvesse religião. Alguns, pela forma como se colocam, parecem ter certeza disso. Sinceramente, não sei como chegaram a essa conclusão, mas não quero aqui polemizar sobre o que me parece ser resultado de escolhas pessoais. Quanto a mim (e aqui exponho tão somente meu ponto de vista numa reflexão sabática despretensiosa), estou inclinado a crer que a religião não seja a raiz de todo o mal, porque, para mim, religião não é "causa" e sim "efeito". Conseqüentemente, sua remoção não seria suficiente para o estabelecimento de um mundo novo e melhor, já que a verdadeira causa permaneceria.

    É fato inegável que sempre houve atritos, conflitos e guerras baseados em princípios religiosos. Reconheço que, em nome de Deus muitas atrocidades foram cometidas. Lembro-me agora, para citar um exemplo, das Cruzadas que, sob o pretexto de reconquistar a cidade de Jerusalém – local sagrado para os cristãos – legitimou crueldades, saques, destruições e mortes, deixando um rastro de sangue ao longo de quase dois séculos de história (1096-1272). E tudo isso conduzido sob as bênçãos da igreja e, supostamente, com a aprovação do "Senhor dos exércitos, o Deus de Israel". Confesso-lhes que, ao refletir sobre esse capítulo sombrio de nossa história, sinto-me propenso a pensar que o mundo sem religião seria melhor que este em que vivemos.

    Por outro lado, admito a existência de um outro lado da experiência religiosa que me faz hesitar em colocá-la no cadafalso. São casos como o do quase desconhecido frade franciscano Maximiliano Kolbe, que se voluntariou para morrer em lugar de um pai de família no campo de concentração nazista de Auschwitz. Durante a segunda guerra mundial ele abrigou muitos refugiados, incluindo aí dois mil judeus. Relatos como esse me comovem!

    A religião, no entender de especialistas, é um fenômeno "polissêmico". O que isso significa? Essa palavra, pouco usada em nosso dia-a-dia, deriva do grego "poli" (muitos) e "sema" (significado) e é empregada pelos estudiosos da religião para dizer que ela é um signo aberto, que pode assumir significados diversos de acordo com o contexto e ser usada para praticamente tudo. Em nome da religião estimulou-se a inquisição e a caça às bruxas; em nome da religião promoveu-se a arte e a poesia. Em nome da religião se mata; em nome da religião se salva. Em nome da religião, tudo pode ser justificado. É isso que os especialistas querem dizer quando se referem a ela como "polissêmica".

    Quando analisamos os textos sagrados nos quais as religiões se alimentam, fica mais fácil entender esse comportamento metamórfico que as caracteriza. Tomemos o cristianismo como exemplo, apenas por ser essa a religião com a qual temos maior afinidade. Em certa ocasião, Jesus disse que não veio ao mundo para trazer paz e sim espada (leiam em S. Mateus 10:34-36). Em outro momento ele afirma o contrário. Diz ele: "bem-aventurado os pacificadores" (leiam em S. Mateus 5:9). Afirmações como essas, aparentemente conflitantes e incoerentes, abrem margem para interpretações dúbias, divergentes, contraditórias, antagônicas. Qualquer um pode se sentir no direito de invocá-las ou interpretá-las em benefício próprio ou conforme a conveniência do momento, justificando assim tanto a guerra (por motivos "nobres", sempre) quanto a paz. Atualmente, presenciamos uma explosão de novas denominações religiosas cristãs, cada uma com suas singularidades e incongruências e todas ancoradas no mesmo texto sagrado. A natureza polissêmica desse texto sagrado favorece (e até justifica) esse fenômeno bizarro.

    Com base no que foi colocado até aqui, parece-me razoável presumir que a religião, por ser polissêmica, isto é, aberta e sujeita a interpretações circunstanciais e influências pessoais, pode ser usada (e de fato tem sido usada) para apoiar movimentos que promovem tanto a paz quanto a guerra, tanto a concórdia quanto o conflito, tanto a vida quanto a morte. Ora, isso me leva a concluir que a religião em si não passa de um instrumento, que pode ser usado (e de fato o é) de acordo com a habilidade de quem o domina. E em sendo um instrumento, então não pode ser "a causa" do bem ou do mal, porque não há intenção em um instrumento.

    Se me permitem a comparação, o mesmo pode ser dito a respeito da ciência. Ela também é um instrumento, uma ferramenta e, como tal, seu propósito é o propósito de quem a utiliza. Há quem faça bom uso da ciência, mas há também quem não o faça. Após a segunda gerra mundial, muitos se perguntavam se ainda era possível acreditar em Deus depois de Auschwitz. Por outro lado, outros também se questionam se ainda era possível acreditar na ciência depois de Hiroshima.

    Não sei se estou conseguindo ser claro, mas o que estou tentando dizer é que, assim como a ciência, a religião não deve ser tomada como a "causa" de certos males que afetam nosso mundo e concluir que, sem ela, estaríamos mais próximos do paraíso terrestre. Isso porque, no meu entender, a verdadeira causa de tais males precede a própria manifestação religiosa.

    Evidentemente, o que expus aqui é apenas o "meu" ponto de vista atual. Sei que muitos discordariam dele se porventura viessem a ler o que acabo de escrever. Por isso e de antemão, registro aqui meu sincero respeito e apreciação por essas opiniões contrárias. Contudo, reafirmo o que disse e que resumo da seguinte forma:

    (1) O sentimento religioso é inerente ao ser humano. Conforme disse antes, não se tem conhecimento de qualquer cultura que seja estruturalmente não religiosa ou atéia. Em sendo assim, não consigo imaginar como seria um mundo sem religião, a menos que imagine um mundo sem seres humanos. Se a religião não existisse, nós a inventaríamos, talvez com outro nome, mas com essência semelhante.

    (2) Entendo que os problemas que existem na sociedade são decorrentes da natureza humana. Somos seres belicosos, sedentos de poder e essencialmente egoístas. A própria sociedade (que também é uma invenção humana) se apóia nesse nosso egoísmo (aprendemos com o tempo a impor limites a esse egoísmo em troca de um bem maior). Em sendo isso verdade, então, com religião ou sem religião, continuaríamos a ser o que somos: egoístas, violentos e ávidos por poder.

    E depois de tanto falar a pergunta persiste. Hipoteticamente falando, o mundo sem religião seria melhor ou pior do que este em que vivemos?

    Não me parece que seja possível responder a essa pergunta de maneira honesta. Faltam-nos elementos para análise. Podemos fazer suposições. Podemos eleger uma das opções como preferida e elencar características positivas e/ou negativas para apoiar nossa escolha, mas o fato é que só conhecemos um mundo – o mundo com religião – e o outro não passa de uma hipótese ou utopia.

    Julgo importante lembrar que, na maioria dos casos, as utopias são elaboradas não com o fim de se criar um novo mundo ou uma nova sociedade e sim reformar o mundo e a sociedade em que vivemos. Em sendo assim, vale à penas considerar a proposta de John Lennon e tentar imaginar como seria esse mundo sem cristãos, muçulmanos, budistas e outros rótulos religiosos que causam tantas divisões. Talvez esse exercício nos ajude a melhorar o mundo que conhecemos, a começar por nós mesmos.

    E para concluir o tema, evoco as palavras do historiador e filósofo Dr. Leandro Karnal, professor na Unicamp, em um Café Filosófico que não canso de assistir: "Volto a insistir: ateísmo ou religião não tornam o mundo pior ou melhor, apenas tornam o mundo do jeito que ele é".
    sexta-feira, janeiro 21, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    O dia amaneceu radiante e quente. Até o sol sentiu calor, pediu água e foi-se refrescar sob um guarda-sol de nuvens. Hesitei um pouco e por pouco tempo antes de sair para meu trote diário.

    Ontem não corri devido a um desconforto muscular na panturilha direita, tratada com muito gelo. Ficar dois dias seguidos, em pleno período de férias, sem correr seria doloroso demais. Não resisti e, mesmo com a panturrilha sensível e o calor escaldante, troquei de roupa, fiz um longo aquecimento e segui em passos de tartaruga em direção à praia.

    Corri na água uma boa parte do tempo, num dos treinos mais lentos que fiz nos últimos anos. O saldo foi positivo: oito quilômetros administrando a dor e desfrutando da endorfina que fluia nas veias.
    quinta-feira, janeiro 20, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    O dia está prestes a findar. O sol caminha lentamente em direção ao poente, enquanto nuvens escuras se concentram nas encostas da Serra do Mar. É verão e o que se vê não parece inusitado nem ameaçador. A vida segue seu caminho. Uns trabalham, outros descansam, turistas aproveitam suas férias na montanha.

    O tempo passa. O céu se torna mais negro. O sol adormece e o dia se faz noite, precocemente. Começa mais um espetáculo da natureza.

    O vento rosna. Raios inflamados lampejam no céu. Trovões raivosos fazem sua voz soturna e grave ecoar pelo vale. A serra imponente contempla em reverência a demonstração de força que brota do âmago de nuvens escuras e densas. As comportas do céu se abrem despejando chuva em profusão. É o começo do fim. Dilúvio. Destruição.

    A chuva não pára, pelo contrário, intensifica-se. O que antes parecia mais uma chuva de verão adquire contornos dramáticos de juízo final. A natureza se mostra hostil, indomável e furiosa, expondo sua face sombria, assustadora e mortal, despertando o medo adormecido nos corações de adultos e crianças.

    Com efeito, em tais situações, é difícil distinguir adultos de crianças. Estatura e a idade deixam de ser referenciais confiáveis. Todos se nivelam e se igualam em impotência e fragilidade, cientes da pequenez e insignificância da existência humana. Ambos temem pela vida que vacila, pela morte que se aproxima, pelo fim que parece iminente e, talvez, inevitável.

    O alarido da natureza em fúria abafa a voz rouca de pais aflitos e filhos desesperados que clamam em vão pelo auxílio que não vem. Evocam-se santos, enunciam-se promessas, apega-se pela fé a uma "mão invisível" que, naquele instante de desespero, parece ser o que de mais sólido há em que se possa agarrar.

    Dinheiro, poder, prestígio - tudo perde o valor. São impotentes, insignificantes, incapazes de tocar o coração da natureza, que não os reconhece nem respeita. Para ela (a natureza), homens, animais, árvores e pedras se equivalem e recebem o mesmo tratamento.

    O tempo passa. A tempestade recrudesce. A esperança fraqueja. A racionalidade cede lugar ao instinto de sobrevivência. É "cada um por si e Deus por todos". Salve-se quem puder!

    Enquanto isso, pequenos regatos de águas cristalinas, atrações turísticas da região, transformam-se em torrentes caudalosas que descem das encostas com violência e furor, alagando o vale abaixo onde, outrora, prosperavam belas cidades serranas. Árvores são arrancadas do solo. Pedras enormes se desprendem e iniciam sua trajetória mortal de horror e destruição. A Serra se derrete e escorre como se fosse areia. Rios de lama formam cachoeiras. A geografia da região é reconfigurada. Casebres e mansões são aterrados, lares desfeitos, corpos humanos esmagados. Nada parece resistir à força e à fúria da natureza.

    O que está acontecendo? Será a mão do destino, do divino ou do diabólico? Para muitos, não há tempo para respostas, não há sequer tempo para a vida. A morte os venceu.

    E os que sobrevivem a esse drama tentam juntar os trapos e seguir em frente.

    E os que, de longe, contemplamos a tudo sem por o pé na lama, encontramos tempo para fazer perguntas e procurar respostas. E muitos afirmam que tem, sim, as tais respostas... Eu não chego a tanto...

    Para mim, não há respostas, mas há escolhas. Posso escolher acreditar que foi tudo obra do acaso, ou que foi a mão de Deus, ou ação das forças do mal. E essas escolhas, embora não mudem os fatos, afetarão o modo como eu os encaro e, certamente, influenciarão minha vida.

    Seja como for, o verão prossegue. Chuvas voltarão a cair. Novas tragédias ocuparão os telejornais. Muito será dito e, provavelmente, pouco será feito... Coisas da vida! Coisas do Brasil!
    quarta-feira, janeiro 19, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Tenho percebido com certa freqüência nos telejornais, a associação livre entre a catástrofe ocorrida na serra do Rio e o alardeado fenômeno do aquecimento global. É certo que não tenho autoridade acadêmica para discordar dessas colocações, mas aprendi, com os anos, a desconfiar do senso comum e da lisura de alguns conteúdos jornalísticos.

    Chuvas intensas ocorrem com regularidade nos verões brasileiros. Nessa estação, deslizamentos de encostas na Serra do Mar acontecem sistematicamente. Nem sempre no mesmo lugar. Às vezes no Rio, outras vezes em São Paulo, em Santa Catarina e por aí vai. Pedras enormes e árvores de grande porte descem ladeira à baixo, envoltas em lama e barro, arrasando tudo que encontram pela frente. Rios transbordam, alargam suas margens e invadem regiões ribeirinhas. Nada disso é novidade. Já era assim nos dias de Cabral.

    Quando acidentes naturais acontecem em regiões pouco habitadas ou completamente desabitadas não dão "ibope" e, conseqüentemente, não ecoam na mídia. Se a serra carioca ainda estivesse despovoada, essa mesma chuva que desabou por lá não seria forte o bastante para merecer quinze minutos do horário nobre das TVs brasileiras.

    O que despertou a atenção para esse evento foi o elevado número de vítimas humanas, mais de setecentos óbitos até o momento. Esse elevado número de mortes induz-nos a supor que a natureza esteja em mutação e a intensidade das chuvas aumentando, quando o que de fato aumentou foi a ocupação humana, desordenada, em áreas de risco.

    Foi a combinação desses dois elementos (chuvas de verão x ocupação humana de áreas de risco) que transformou um fenômeno natural e previsível em tragédia de comoção nacional.

    Não tenho motivos para duvidar da afirmação de especialistas quanto ao aquecimento global, mas deduzir que o que vem acontecendo aqui no Brasil seja conseqüência desse aquecimento global me parece uma conclusão prematura demais. Nosso problema é outro e igualmente conhecido por todos: falta de planejamento, falta de investimento, falta de... Nossa! Faltam tantas coisas nesse nosso Brasil!

    E por falar em chuva e serra, estou passando uns dias em Bertioga, no litoral de São Paulo. Tem chovido muito por aqui. Enquanto escrevo, ouço o retumbar dos trovões. A Serra do Mar circunda a cidade. Uma enorme e imponente muralha verde que parece desafiar o céu ao reter as densas e negras nuvens de chuva. Oitenta e cinco por cento do município (85%) é coberto pela vegetação natural, a densa e exuberante florestal tropical. Não há ocupações irregulares de encostas e, por conseguinte, não há espaço para tragédia semelhante à que ocorreu na mesma serra, no estado do Rio.
    segunda-feira, janeiro 17, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    A palavra "natureza" deriva do latim "natura" que significa nascimento. De certo modo, somos todos filhos da natureza, o que nos induz a vê-la como uma espécie de mãe, a "mãe-natureza". Será isso verdade?

    Carlos Drumond Andrade, no poema "Para Sempre", assim se expressa a respeito da figura materna:

    Mãe não tem limite,
    é tempo sem hora,
    luz que não apaga
    quando sopra o vento

    e chuva desaba,

    veludo escondido

    na pele enrugada,
    água pura,
    ar puro,

    puro pensamento.


    Mãe, diz ele, "é tempo sem hora" – alguém sempre presente, especialmente nos momentos difíceis, "quando sopra o vento e a chuva desaba".

    Quanto à natureza, o mesmo poeta não a descreve como uma mãe (não que eu saiba). Ele apenas declara em tom taciturno: "A natureza não faz milagres; faz revelações".

    Os recentes fenômenos naturais que provocaram a morte de mais de seiscentas pessoas no Rio de Janeiro, revelam-nos uma face sinistra da natureza que nada tem a ver com a mãe afetuosa descrita por Drummond. O vento soprou, a chuva desabou e a serra, outrora firme como uma rocha, desfez-se em lama que soterrou vales, destruiu casas e ceifou vidas. O Rio de janeiro se transformou em rio de lágrimas. Filhos da natureza se viram órgãos de uma mãe que não se poupou da própria viuvez.

    Costumamos contemplar a natureza com olhos poéticos. Dessa forma ela nos parece bela, provedora, acolhedora, amiga e maternal. Mas poesia não é sinônimo de realidade. Os fatos recentes mostraram, mais uma vez, que a natureza é uma força cega, desprovida de consciência e insensível as nossas dores. Não nos reconhece como seus filhos nem sente a nossa falta.

    Ela pode ser tudo, menos uma mãe, embora muitos insistam em reverenciá-la como tal.

    quinta-feira, janeiro 13, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Há momentos em que as palavras, por mais eloqüentes que sejam, se mostram incapazes de expressar o sentimento de dor, desespero e desamparo que nos abate diante de catástrofes como essa que atingiu a região serrana do estado do Rio de Janeiro.

    São centenas de mortos e um número desconhecido de feridos e desabrigados. A serra, atração turística da região, com sua aparência firme e sólida, tornou-se frágil e instável sob a força da chuva, convertendo-se em um rio de lama e pedra que, em pouco tempo, transformou a paisagem até então paradisíaca em um cenário de destruição e tragédia.

    Para os moradores da serra fluminense, o ano começa em meio ao caos, marcado por uma calamidade de proporções assustadora, que transformou homens seguros e fortes em crianças indefesas e frágeis. Para outros tantos moradores da mesma serra, o ano já terminou...

    Muitos se questionam sobre as causas desse acidente que ceifou a vida de tantos - de homens e mulheres, crianças e idosos, ricos e pobres, marginais e cidadão de bem. As perguntas se multiplicam. As respostas se mostram escassas, sem sentido ou inexistentes. Quando o céu se mostra cinzento e hostil e a terra, sob nossos pés, vacila e cede, a vida parece perder o sentido e somos assombrados pela espantosa grandeza de nossa pequenez e fragilidade.

    Lamento por tantos que morreram: projetos inacabados, sonhos interrompidos...

    Lamentos por tantos que sobreviveram: que seguirão adiante com suas vidas amputadas pela perda de entes queridos...

    Lamento por ser a vida assim: incerta, efêmera e frágil...

    Lamento...
    terça-feira, janeiro 11, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Resisti por muito tempo à tentação de investir em um novo aparelho celular. Razões não me faltaram para assim proceder, entre elas: custo x benefício, o já possuir um celular que atendia às minhas necessidades, o risco de assalto e conseqüente perda do capital investido, etc. Mas, nos últimos meses vi minhas defesas se enfraquecerem rapidamente e, quando me dei conta, já estava seduzido - encantado, fascinado, enfeitiçado - por um diabinho que atende pelo nome de smartphone... Pequei!

    Há vários modelos de smarphones disponíveis no mercado para todos os gostos e bolso$. Pesquisei bastante e acabei optando por um: o "Milestone 2" da Motorola. Desde então estamos em agradável e intensa lua de mel.

    Não vou aqui cometer o deslize de tentar justificar minha aquisição. Por mais que tenha analisado racionalmente antes da compra, na hora o que mais pesou foi o envolvimento emocional. No "século passado" (o século XX) eu desejei muito adquirir um pocket PC - aquele aparelhinho de mão, multifuncional - mas não o fiz. Desta vez, contudo, minha reação foi outra, e aqui estou, redigindo esse texto em meu pequeno e portátil "computador de mão". O teclado físico do Milestone é uma beleza!

    Mas ter um equipamento desses sem um plano de acesso a dados não faz muito sentido. Optei por um pacote pré-pago. Há vários disponíveis. No meu caso, contratei um mês, na operadora Claro, por R$ 11,90. Neste momento estou viajando (em Curitiba) e navegando sem problemas.

    Enfim, loucura feita, reconheço que cedi à tentação: pequei. Pequei? Nada disso. Dei a mim mesmo um belo presente e estou me divertindo bastante com ele. Já instalei alguns aplicativos e estou estudando o Android (sistema operacional) para aproveitar melhor os recursos disponíveis. Se o que importa é ser feliz, então não posso negar que acertei ao fazer essa aquisição.

    Em breve registrarei aqui (com menos paixão) minhas impressões sobre o Milestone e o Android.

    Até breve!
    segunda-feira, janeiro 10, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Tenho a impressão de que o tempo deu uma bela acelerada em 2010. O ano passou depressa. Voou. E, no meu caso, teve boa parte de seus dias amputados pela rotina. Fiz muito do mesmo, em semanas de apenas dois dias: os tais dias úteis (que nem sempre foram úteis) e os fins de semana (esses sim, muito úteis!).

    Trabalhei muito. Isso é bom e, mais que isso, necessário. Não posso me queixar. Mas, aqui para nós, o deslocamento para o trabalho em São Paulo foi uma via crucis. Horas e horas perdidas. Parado. Quando em veículo particular, menos mal. Desfrutei de certo conforto, a despeito do custo elevado. Fazer uso de transporte público, porém, foi um suplício lento, incômodo e incerto. Andei de trem, metrô e ônibus. Desisti do trem rapidinho... Tentei resgatar parte esse tempo em leituras, mantendo-me atualizado e planejando a aquisição de outro carro.

    E as corridas de rua? Em 2010, corri pouco. "Nunca na história desse país" corri tão pouco. Míseros 901 quilômetros. Média de 75 quilômetros por mês... Que 2011 me seja mais favorável.

    O lado bom de 2010 é que, em seus dias, desfrutei de paz em casa e na família. A saúde não vacilou e me esforcei para olhar mais para frente do que para trás. Acho que consegui e sei que posso melhorar.

    E, olhando para frente, comecei 2011 desfrutando de merecidas férias. Hoje, por exemplo, em plena segunda-feira, estou aqui, teclando... Isso não tem preço!
    terça-feira, janeiro 04, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Nem parece que é verão: garoa constante, céu cinzento e muita roupa de frio. Ontem pensei em correr, mas a combinação chuva e frio me inibiram. Hoje o cardápio permanece o mesmo e terei que encará-lo, se de fato desejo correr.

    Muito paz por aqui. A pousada está vazia. Deserta. Silenciosa. Em cenário bucólico, ouve-se a voz do vento, dos passaros, da chuva. Não há muito o que fazer por aqui, além de descansar bastate. Logo mais darei outra volta pela cidade serrana de Campos do Jordão.

    Comecei a ler o livro "1822", do mesmo autor de "1808", Laurentino Gomes. Livro interessante a respeito de um momento significativo para a história do Brasil - um país sem memória, para citar o autor.

    Sabemos que a histórica não pode ser reescrita, mas pode ser recontada. Não se pode mudar os fatos, mas podemos amplicar o conhecimento a respeito deles e enxergá-los sob novas perspectivas. A história não muda, mas a nossa compreensão dela pode sim ser ampliada, revisada e até completamente alterada.

    Laurentino reconstrói em seu livro o período em que o Brasil se declarou nação independente e o faz com clareza, transparência e eloquência. É uma leitura agradável e que recomendo a todos. Um bom remédio para nós, brasileiros, que padecemos do mal quase incurável de "amnésia" cultural.
    domingo, janeiro 02, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
    Estive lá, desta vez para acompanhar um sobrinho que estreava na prova. Foi dada a largada e permanecemos juntos por uns cem ou duzentros metros e quando passei pela linha de largada já o havia perdido de vista. A partir dali segui meu caminho, ciente de minhas limitações físicas.

    Já vivi momentos de grande empolgação em algumas São Silvestres. Desta vez, contudo, estava mais preocupado em concluir a prova sem andar e sem sentir dores. O tempo me ensinou a respeitar os limites do corpo. 2010 foi um ano em que treinei pouco. Não fui constante, por falta de tempo. Nesse aspecto, 2010 foi um ano frustrante.

    Estranhamente, percebi que já era possível trotar assim que passava pela linha de largada. Havia uns 22 ou 23 mil inscritos, além dos penetras, mas a muvuca me pareceu menor.

    Superei o primeiro quilômetro, na Av. Paulista, e comecei a percorrer o trecho em decida. Resolvi me poupar... O tempo foi passando como sempre. Muita gente apoiando e a multidão animada fluia como rio. Vencidos os cinco primeiros quilômetros, já no Elevado Costa e Silva (vulgo "milhocão"), percebi que fizera bem a lição de casa e estava inteiro, pronto para encarar os dez quilômetros restantes.

    Meu ritmo era lento. Sabia que não adiantava forçar. Fui ultrapassado por crianças, idosos e fantasiados. Pensava em aumentar o ritmo para acompanhá-los, mas me continha e seguia em meu ritmo pangaré.

    O tempo ajudou bastante. Céu nublado e temperatura amena. Nada de sol. Às vezes uma brisa fresca nos fazia esquecer que estamos no verão. Nessas condições favoráveis, eu corria com leveza e facilidade. Corria à moda antiga, sem a tecnologia que sempre me acompanha nos treinos e corridas. Sem GPS, sem frequencímetro, apenas um cronômetro, que me diza que meu ritmo era relativamente constante.

    Agora já estava na Av. Rio Branco, no quilômetro dez e ainda me sentindo em ótimo estado, com reserva para encarar o trecho em subida e a famosa Brigadeiro.

    De fato, não foi difícil subir a Brigadeiro. Mantive o ritmo e ainda dei um sprint na chegada, fechando em 01:19:48h e com a sensação agradável de ainda ter reserva para prosseguir correndo por mais uns cinco quilômetros. E isso que acontece quando, cientes de nossas limitações, respeitamos o corpo e corremos de maneira consciente.

    Resumo:

    Do quilômetro 1 ao 5 – Média de 05:26 min/km
    Do quilômetro 6 ao 10 – Média de 05:20 min/Km
    Do quilômetro 11 ao 15 – Média de 05:11 min/Km

    Quando a meu sobrinho, ele terminou muito feliz e em menos de duas horas.
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