sábado, outubro 18, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Autor: Carlos Drumond de Andrade


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade.
Porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
Carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

quarta-feira, setembro 03, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Não resisti à tentação de experimentar o novo navegador da Google, o Chrome. Instalei-o hoje e já estou navegando através dele. Gostei do visual e fiquei com a sensação de ser ele mais leve e ágil que o Internet Explorer e o Firefox 3.0 que venho utilizando. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas a primeira impressão foi bastante positiva.

Clique aqui para obter mais informações sobre o Chrome.

quinta-feira, agosto 14, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A revista francesa "Science et Vie" publicou em sua edição deste mês os "dez maiores enigmas da ciência":

1. Por que há qualquer coisa em vez do nada?
2. Como surgiu a vida?
3. Há outros Universos?
4. Como se passa do ovo à galinha?
5. O que é a consciência?
6. O nosso mundo é quântico?
7. De onde vêm as idéias?
8. Qual é a natureza do tempo?
9. O que é que caracteriza o homem?
10. Como é que tudo vai terminar?

sábado, julho 26, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Certo dia, numa aldeia distante lá no Oriente, um menino ganhou um cavalo. Todos ficaram maravilhados e comentavam entre si dizendo: "que menino de sorte". Ao contemplar essa cena, um velho sábio que ali morava exclamou: "vamos ver".

Dias mais tarde, ao brincar com seu cavalo, o menino levou um tombo, quebrou um dos braços e fraturou várias costelas. A notícia correu rapidamente pela aldeia, despertando o comentário geral: "que menino azarado. Agora não pode nem mesmo se mover". Diante do ocorrido e dos comentários, o velho sábio se limitou a dizer: "vamos ver".

Não demorou muito e instaurou-se uma guerra na região. Homens e até mesmo crianças foram convocados para compor o exército que defenderia território em que moravam. A aldeia inteira se reuniu para a despedida. Naquele momento triste, ouviu-se o comentário: "que menino de sorte! Por ter se acidentado, não precisará ir à guerra". O velho sábio, que até então se mantivera calado, sussurou baixinho: "vamos ver".


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quarta-feira, julho 16, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A frase que serve de título para este texto é de autoria do poeta e filósofo espanhol Jorge Santayana.

Ainda cedo o telefone tocou e pensei: "alguém resolveu me despertar para ser o primeiro a me desejar feliz aniversário". Enganei-me. A motivação era outra: o falecimento de minha avó, uma pessoa simples, desconhecida por muitos, insignificante para a maioria. Alguém que viveu uma vida comum entre comuns, sem destaque, sem holofotes. Passei parte do dia ao lado de minha mãe, para quem minha avó não era comum - era especial. E enquanto as horas avançavam em lenta agonia, entre suspiros e saudades, refletia sobre a brevidade da vida e não encontrava motivos para comemorar mais um aniversário.

Por ter nascido neste dia (16 de julho), é até natural que eu tenha guardado em memória alguns fatos que aniversariam comigo. Hoje, contudo, constatei uma infeliz coincidência e resolvi relatá-la abaixo, organizada numa seqüencia semanal.

Domingo: 16 de julho de 1950. Maracanã cheio. Final da Copa do Mundo. Um gol aos 34 minutos do segundo tempo fez o Uruguai sorrir e o Brasil inteiro chorar...

Segunda: 16 de julho de 1979. Saddan Hussein assume o governo do Iraque...

Terça: 16 de julho de 1945. Explode a primeira bomba atômica, num campo de testes próximo a Los Alamos, no Novo México (USA). Essa bomba se chamava "Trinity" ou Trindade. No mês seguinte, duas delas foram lançada sobre o Japão e assustaram o mundo.

Quarta: 16 de julho de 2008. Hoje. Morre minha avó!

Quinta: 16 de julho de 1556. Essa história é curiosa: Morre o primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, conhecido por sua impaciência e rigidez no trato com os nativos. O navio em que se encontrava naufragou na costa do atual estado das Alagoas. Com muito esforço, o bisco de compleição roliça conseguiu chegar à praia. Mas o pior o aguardava. Os índios Caetés o esperavam e reservavam para ele um lugar especial, "pertinho do coração". Assim termina a história do primeiro bispo do Brasil: no estômago dos índios Caetés.

Sexta: 16 de julho de 622. Maomé foge de Meca para Medica, escapando de tribos politeístas que queriam matá-lo por sua crença na existência de um Deus único. Essa data marca o início do calendário muçulmano.

Sábado: Já ouvi essa história um monte de vezes. Hoje eu a ouvi outra vez. Meus pais não se cansam de contá-la. Foi na madrugada de sexta para sábado, por volta das 5:30h da manhã, que eu soltei o primeiro berro. Enquanto eles sorriam eu chorava... Não me lembro desse dia. Eu era pequeno demais reter esse fato em memória. Desde então, muita coisa mudou. Mas há algo que permanece comigo: ainda me sinto pequeno - impotente diante dos mistérios da vida.

Compartilho com todos a música de Erasmo e Roberto Carlos "Sou Uma Criança Não Entendo Nada". Cantem comigo:

Antigamente, quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente, minha mãe dizia:
- Ele é uma criança, não entende nada
Por dentro, eu ria satisfeito e mudo
Eu era um homem, entendia tudo

Hoje, só, com os meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem, quando eu fico sério:
- Ele é um homem e entende tudo
Por dentro, com a alma atarantada
Sou uma criança, não entendo nada
domingo, julho 06, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Inseri uma nova seção aí ao lado chamada "Os mais lidos" que passa apresentar as postagens mais lidas deste blog. Para minha surpresa, o primeiro lugar da lista atual não é de minha autoria: a poesia Canção Mínima de Cecília Meireles. Pois é, até aqui, no meu próprio blog, tenho que me contentar com um segundo lugar...

Faça uma experiência. Coloque um ranking em seu blog e se surpreenda com o resultado. Basta seguir as instruções abaixo:

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Boa sorte!

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sexta-feira, junho 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O significado de uma palavra não deve ser uma coisa para mim, e outra para você. Se assim for, a palavra deixará de nos ser útil, pois não servirá para comunicar um conceito. Quando enuncio a palavra "amor", por exemplo, espero despertar em você o mesmo sentimento de afeição, ternura e profunda ligação para com o objeto amado que sinto em mim ao ouvi-la. Bem sei que a relação semântica entre um símbolo (a palavra) e seu significado (aquilo que a palavra quer dizer) costuma ser afetada pelo contexto de uso. Por isso, nestas divagações pueris sobre o amor, procuro me restringir ao contexto religioso cristão, tão comum a mim e a tantos outros.

Uma das primeiras definições de amor de que me lembro é derivada das páginas da Bíblia. Uma frase curta, forte e de fácil assimilação: "Deus é amor" (I João 4:8). Nunca mais a esqueci. Essa afirmação, embora sucinta na forma, se agiganta em mistérios. Mistérios que hoje despertam em mim mais dúvidas que certezas. Pra começar, de que deus estamos falando? A Bíblia cita vários, dentre os quais Astarote, Renfã, Dagom, Adrameleque, Nibaz, Asima, Nergal, Tartaque, Milcom, Renfã, Marduque, Baal. Qual desses devo tomar como expressão máxima do amor? Nenhum, é o que responde minha essência cristã. Esses aí são deuses falsos, extintos, que não resistiram à ação corrosiva do tempo. Deus bom é deus vivo. A Bíblia é clara ao identificar o Deus verdadeiro (com "D" maiúsculo) como o Deus vencedor, vivo e eterno. Esse Deus é aquele que abençoava Israel no passado e que hoje acompanha, protege e guia seus novos filhos, os cristãos. Assumindo essa premissa como verdadeira, a próxima pergunta é: o que posso entender sobre o amor ao estudar os atos desse Deus na história humana?

Folheando as páginas da Bíblia, não é difícil constatar que o amor divino está associado a alguma forma de sacrifício, o maior dos quais se observa na vida de Jesus. De fato, a mensagem central do Novo Testamento é que Jesus morreu pelos nossos pecados. Que incrível! O homem pecou e deveria morrer, mas Jesus assumiu o nosso lugar. Sacrificou-se. Isso é amor. Por outro lado, posso fazer uma leitura diferente dessa mesma história e concluir que Deus exigiu um sacrifício e que só depois de um inocente ter sido humilhado, torturado e morto de forma cruel é que Ele se permitiu demonstrar-nos amor na forma de perdão. Em outras palavras, Deus manifestou seu amor ao exigir e concordar com o sacrifíco de seu próprio filho. Devo confessar que jamais interpretaria esse ato como expressão de amor se não o tivesse lido na Bíblia! Que estranha forma de amar! Deus deve ser o único pai que submeteu o filho à morte e é venerado por isso. Qualquer outro seria tratado como psicopata. Em vista disso, faço-me a seguinte pergunta: Devo amar os outros da mesma forma como Deus amou a seu filho? Devo, em alguma situação especial e por amor a outros, sacrificar aqueles que são do meu lar, do meu sangue, da minha essência?

E por que Deus teve que nos amar sacrificando o seu único filho? Por que Jesus teve que morrer? A Bíblia responde: porque o primeiro homem, uma criação divina chamada Adão, pecou, isto é, desobedeceu a Deus ao provar de um fruto. De que fruto estamos falando? Do fruto do conhecimento do bem e do mal. Vamos relembrar esse episódio.

Antes de comer desse fruto, Adão vivia num paraíso, em inocente felicidade. Penso não estar agredindo o texto bíblico ao afirmar que Adão era um ignorante (por "ignorante" não o estou caracterizando com grosseiro ou mal-educado, e sim como uma pessoa pura, sem malícia, inocente, inexperiente, que desconhecia a existência de algo, que não estava a par de algumas coisas). Certo dia, Deus resolveu testá-lo. Dou-me aqui a liberdade de imaginar uma conversa entre Deus e o primeiro homem:

"Adão", disse Deus, "não queira saber o que é certo ou errado, apenas obedeça. Eu bem sei que você ainda não sabe o que é certo ou errado e, portanto, ainda não sabe que é certo me obedecer. Mas o que está em jogo aqui não é o saber, e sim o obedecer. Portanto eu lhe ordeno: não experimente o fruto do conhecimento. Ah, e antes que eu me esqueça, a árvore que produz esse fruto é aquela que se encontra bem no centro deste jardim. Fui claro?"

E Adão lhe responde: "Sim, o Senhor foi bastante claro. Ensinou-me algo sobre esse fruto. Já não me sinto tão ignorante. Sei pra quê esse fruto serve. Sei que ele é diferente dos demais. Também conheço o local exato em que posso encontrá-lo. Agradeço-lhe por essas informações preciosas". Após essa diálogo, Adão não hesitou em buscar mais: comeu e conheceu. Comeu e pecou. Inconformado com a desobediência do homem, Deus o expulsou do paraíso e hoje estamos aqui, amargando as conseqüências do pecado de Adão. Por razões que desconheço, a única solução para o pecado de Adão seria a morte vicária de um ser puro, o próprio filho de Deus, Jesus. Apenas o amor de Deus não seria suficiente para nos perdoar. Alguém teria que ser sacrificado.

Ao relembrar essa história, sinto-me induzido a crer que todo o mal existente em nosso mundo nasceu da desobediência e, portanto, a submissão pode ser a resposta. Se assim for, alguns religiosos devem estar certos ao insistirem tanto na obediência cega e resistirem com teimosia aos avanços do saber científico. É que, para esses religiosos, o homem foi criado para a obediência, e não para o conhecimento. Ele deve obedecer a Deus prontamente e, na ausência dEle, ao clero que o representa. Mas é preciso cuidado: não se deve obedecer a qualquer clero, e sim ao clero verdadeiro.

De volta ao tema "amor" – amor que ainda entendo como sentimento de afeição, de bem querer, de ternura, de zelo e cuidado por aquele a quem se ama – me pego a questionar o amor daquele que é puro amor. Seria um sacrilégio da minha parte? Talvez... E aqui confesso que, assim como uma mariposa é seduzida pelo brilho da luz, sinto-me atraído pelo magnetismo irresistível que emana do fruto do conhecimento. Herdei essa atração mórbida de meu pai Adão e, à semelhança dele, vivo comendo, ou melhor, cometendo o mesmo pecado.

Pra minha sorte, Deus é amor e planejou um meio de me resgatar. A fórmula é simples: preciso aprender a amar de verdade. E em matéria de amor, não há exemplo melhor que o próprio Deus. Portanto, devo amar como Deus amou a seu filho, sacrificando-lhe a vida em prol de criaturas ínfimas esculpidas em barro... Devo amar da mesma forma como Deus ama aqueles a quem condenará ao sofrimento eterno por não acreditarem ou não aceitarem o seu amor.... Devo amar da forma como Deus diz que me ama e me protege, mesmo sabendo que ele não poupou do sofrimento e morte o seu próprio filho... Confesso estar confuso diante desses exemplos incomuns de amor divino.

Essa confusão, contudo, tende a se dissipar se eu reconhecer minhas limitações acerca do caráter e amor do Criador. Sou finito. Limitado. Minha mente é pequena demais para entender os misteriosos atos de Deus. O que a mim parece loucura, na verdade, é a maior prova de amor já demonstrada neste Universo. Minha reação confusa depõe contra mim mesmo ao expor minha ignorância e estupidez.

A Biblia deve estar certa. Deus é amor e eu sou um tolo. Reconheço e assumo aqui a minha ignorância. Também preciso reconhecer que, à semelhança de meu pai Adão, provei do fruto proibido e fugi de Deus. Estou escondido. Não me movo. Temo ser descoberto. Adão fugiu por se sentir nu e eu por estar amedrontado com o assombroso jeito divino de amar. Prefiro o amor mais simples, mais comum, mais humano. Amor de pai, de mãe, de irmãos, de amigos... Companheirismo, atenção, proteção, amparo... Ver, ouvir, falar, sentir, tocar... sem medo...

E assim, assutado, permaneço escondido, como se fosse Adão, atrás de uma figueira...



terça-feira, junho 17, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Acabei de ler a poesia inquietante "Eu Acreditava em Papai Noel" publicada no blog "Convictos ou Alienados". Penso que tenha captado a intenção do autor e entendido a mensagem que ele se propôs a passar. Mesmo assim, resolvi me fazer de néscio e sair em defesa do Bom Velhinho. Por isso afirmo em alto e bom tom: Eu acredito em Papai Noel!

Acredito, sim! É verdade, não nego. Acho até que, de certo modo, ele é mais real que eu. Quantas pessoas me conhecem? Quantas sabem que eu existo? Mas a despeito da ignorância de muitos, eu existo, sim. Isto é, penso que existo – Penso, logo existo!

E se eu – esse tão desconhecido – existo, o que dizer do popular Papai Noel? Todos sabem até mesmo onde ele mora: num lugar encantado, mágico, lá no longínquo Pólo Norte. Nunca estive lá e não o conheço pessoalmente, mas desconfio que seria capaz de reconhecê-lo, se os destinos nos fizessem cruzar o mesmo caminho.

Uma das coisas que mais aprecio no Papai Noel é que ele nunca muda. Hoje vivemos num mundo tão descartável! Tudo muda o tempo todo! Mas com o Papai Noel é diferente. Ele é o mesmo ontem, hoje e amanhã. Desde que o conheci, nada mudou: o mesmo uniforme vermelho, a mesma barba branca, a mesma barriga saliente, a mesma risada inconfundível – hou,hou,hou!

Daqui a uns cem anos eu certamente não estarei mais aqui. A vida é curta, efêmera, fugaz. Tentando ser poético, eu diria: "quando penso que sou, fui". Mas imagino que nos próximos cem anos (quem viver, verá) o Bom Velhinho ainda estará por aqui, vivo e imutável no imaginário infantil, presente e atuante nas propagandas e festividades natalinas.

Diante de tantas evidências, não consigo entender por que alguns céticos teimam em duvidar da existência do Papai Noel!

Mas, sendo honesto, devo confessar que algo mudou em mim. O encanto se foi. A magia se perdeu. Que pena... É como se tivesse sido despertado de um sonho encantado, um sonho do qual sinto saudades. O que aconteceu? A responsta é simples: Deixei de ser menino. Virei adulto. Tenho muitas contas pra pagar e pouco tempo pra sonhar. Conseqüentemente, o Papai Noel foi ficando cada vez mais distante...

Constatei, por fim e para meu desencanto, que o Papai Noel existe numa dimensão diferente desta em que vivo, estudo, trabalho, sofro e sonho. Lá, nessa dimensão distante e especial, ele é muito poderoso: conhece todas as crianças do mundo; é capaz de responder às orações, ou melhor, às cartinhas daquelas que nele acreditam; é veloz o bastante para circundar o planeta nas noites de Natal, distribuindo presentes, e por aí vai. Que velhinho poderoso e cativante! Adoro o Papai Noel. Bom seria se ele pudesse se mudar desse plano literário-folclórico em que existe e viesse para a dimensão material-humana na qual estou.

Seria possível essa mudança de dimensão?

Acho difícil. Talvez impossível. Mas nem por isso ouso negar a existência do Papai Noel. Sei que ele está lá, em algum lugar, nas historinhas infantis, no folclore natalino, nas lembranças empoeiradas que preservo de minha infância distante e feliz, no coração de milhares de crianças que continuam a escrever-lhe cartinhas impregnadas de amor e esperança...

Eu ainda acredito em Papai Noel!

domingo, junho 15, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A vida tem que fazer sentido. Não posso ser produto do acaso. Meu cérebro – tão complexo e poderoso – não pode ter sido elaborado por combinações aleatórias ao longo de milhões de anos. Definitivamente, não! Tem que existir um artífice que agiu, movido por um belo propósito. Logo, a descoberta desse propósito e o entendimento, ainda que parcial, das intenções desse ser criador pode e deve dar sentido à minha vida. Então, devo buscar por esse criador. Ele existe sim e, em sendo inteligente, deve ser também inteligível. Talvez até me tenha criado exatamente para isso: para procurá-lo, encontrá-lo e, quiçá, estabelecer com ele uma relação familiar na qual lhe serei como filho e ele me será como pai... Não sei por que esse suposto ser criador desejaria estabelecer comigo tal relação, mas não quero e nem posso pensar nisso agora. Tenho outra questão mais importante e já priorizada a ser tratada: encontrar-me com ele o quanto antes e conhecê-lo bem. Não reside nessa busca e nesse encontro o sentido de minha existência?

Claro que sim, responderá prontamente a mente religiosa. A religião, nas palavras de Rubem Alves, "é o esforço para se pensar a realidade a partir exigência de que a vida faça sentido". Exigência? Sim. A religião exige, reivindica como direito, determina, impõe, preceitua e prescreve: "A vida tem sentido! A vida tem sentido! Não estamos aqui por acaso e sem missão. Somos todos importantes!" E a percepção dessa importância nos tranqüiliza...

Contudo, não posso olvidar que a fé religiosa, por mais forte que seja ou pareça, não tem o poder de legislar sobre a realidade. Por conseguinte, é sensato supor que, fora da limitada e confortável atmosfera criada por ela, pode existir um Universo sem coração, indiferente ao drama humano, insensível às nossas dores, que não conspira contra ou a favor da nossa espécie, que não ouve nossas preces e que não veio a existir movido por propósitos e intenções definidos. Talvez não exista um Criador a ser buscado. Talvez até exista, mas não seja condizente com a imagem paternal e bondosa que dele temos. Talvez exista e até seja paternal e bondoso, mas não onipotente e onisciente... Talvez se assemelhe àquele cientista bem intencionado e dedicado, chafurdado em pesquisas, escondido num laboratório, lançando mão de cobaias e conduzindo experimentos que, talvez no futuro, possam trazer-lhe alguma realização ou benefício...

Mas a mim, tal perspectiva se mostra, por demais, desagradável. Não quero aceitá-la. Não vou aceitá-la, porque, com ela, o meu Ego não se identifica. Meu Ego se sente melhor e mais confortável dentro do cenário colorido e planejado, concebido pela visão religiosa cristã. Meu Ego não quer e não aceita ser aniquilado. Exige a existência de algo mais – um outro Universo, um outro mundo, uma outra vida, o mesmo Ego. Meu Ego precisa de um Deus poderoso o bastante para dar-lhe vida e realizar-lhe o desejo de ser eterno e divino. Por conta disso – desse meu insistente egoísmo – ainda não renunciei à velha busca religiosa pelo sentido da vida. Por isso insisto em lidar com o Universo e com a natureza da mesma forma pessoal com que lido com os seres humanos: com promessas, alianças, pedidos, negociações e algumas bajulações – sempre buscando identificar propósito inteligente por trás de cada acontecimento. E me pego fazendo perguntas infantis e tolas. E me vejo a indagar se as tempestades e tornados, os terremotos e maremotos, as doenças e pestes, os nascimentos e mortes fazem parte de algum plano cósmico. E tento encontrar nesse quebra-cabeça confuso um lugarzinho seguro onde o meu Ego possa, enfim, existir em paz, para sempre...

Seria bem mais simples se eu tão somente abrisse mão desse meu egoísmo... Poderia, como recomenda os orientais, despojar-me de minha identidade, relaxar e me deixar perder como uma gota no imenso oceano da existência...

Resisto firmemente a essa sugestão. Sou egoisticamente apegado à busca religiosa, o que me leva a perguntar se meu grande inimigo é esse tal Diabo, a quem nunca vi, ou se é esse Ego teimoso, o qual nunca deixei de ver...
segunda-feira, junho 09, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Fé, palavrinha corriqueira de efeito raro; pequena na forma, grande na pretensão - monossílabo que move montanhas! Não sei o que é fé; sei o que são montanhas.

Montanhas, conheço-as bem. Meus pais moraram na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas. Saudades... Hoje, vou com freqüência ao litoral, transpondo a majestosa Serra do Mar. Nesta serra, a engenharia humana escavou extensos e formidáveis túneis, mas as montanhas ainda estão lá – firmes, imponentes, impassíveis.

Não sei o que é fé. Sei, sim, o que são montanhas.

Já tive a oportunidade de conviver com pessoas detentoras de fé. Diferentemente de mim, tais pessoas pareciam possuir a capacidade de ver o invisível e tocar o intangível. Pus-me, então, a observá-las, na esperança se ser agraciado com fé semelhante.

O tempo passou... Não sei se observei o bastante. É possível que, além de me faltar fé, faltou-me também paciência...

O que pude constatar é que essas pessoas, que me pareciam ter fé, diziam confiar em Deus, na esperança de que tudo desse certo. Porém, ficavam "vigiando" como se nEle não confiassem.

Seria isso fé? Não sei. Estou confuso.

Alguns dicionários definem fé como "confiança absoluta em alguém ou em algo". Essa confiança absoluta, devo confessar, não enxerguei naqueles que, por algum tempo, observei.

Mas não descarto a possibilidade do problema residir em mim, e não neles. Sofro de miopia física e uso lentes corretivas. Talvez também sofra de igual enfermidade no campo espiritual...

Enfim, não sei o que é fé... Talvez também não saiba o que são montanhas...

Referências:

1. Imagem Inicial - Dedo de Deus, na Serra do Órgãos

quinta-feira, junho 05, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Fernão de Magalhães foi um navegador português que, a serviço do rei da Espanha, iniciou em 1519 aquela que seria conhecida como a primeira viagem de circum-navegação. Passou pela baía de Guanabara, foz do Rio da Prata, contornou a América do Sul através do estreito que recebeu o seu nome (Estreito de Magalhães) e alcançou, por fim, as águas do oceano Pacífico. Aliás, ele é conhecido, oficialmente, como o primeiro europeu a navegar pelo oceano Pacífico. É de se admirar a ousadia desse navegador que, à bordo de uma frágil caravela, ousou ir tão longe.

Menos conhecido é ele por ter empreendido, com êxito, outra viagem, igualmente fantástica, pelas águas proibidas do mar do saber, da observação, do empirismo, que o colocava em rota de colisão com as forças eclesiásticas dominantes na época. Sobre sua crença na esfericidade da Terra, ouçamos o que ele disse:

"A Igreja diz que a Terra é plana, mas sei que ela é redonda, porque vi a sombra dela na Lua, e acredito mais numa sombra do que na igreja".
terça-feira, junho 03, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Por muito tempo acreditei que Cabral havia descoberto o Brasil. Ainda me lembro das aulas de História, das gravuras estampando o momento da chegada dos intrépidos portugueses, com suas vestes extravagantes que contrastavam com a nudez escancarada dos nativos tupiniquins. Cabral me parecia um ser especial, talvez um herói que, com poderes quase divinos, teria pronunciado a frase mágica: "Haja Brasil" e, do nada, o Brasil passou a existir.

Exageros à parte, constato hoje o quão ingênuo fui – não passava de um tupiniquim do século XX que, embora mantendo o corpo coberto, conservava a cabeça desnuda e acolhedora, pronta para receber e internalizar o que me fosse apresentado por um marujo qualquer, que se dissesse conhecedor dos mistérios e segredos ocultos no grande mar da ignorância humana.

Embora não seja um especialista em História (e talvez por isso), sinto-me à vontade para questionar o que de fato teria acontecido uns 500 anos atrás, por ocasião do tal descobrimento. Oito anos antes de Cabral, em 1492, Colombo teria descoberto a América, da qual o Brasil faz parte. Logo em seguida, em 1494 e com a bênção da Igreja, Portugal e Espanha dividiram o "novo mundo" entre si ao assinarem o tratado de Tordesilhas. Pouco depois, o rei de Portugal, D. Manuel I, teria encarregado o cosmógrafo e geógrafo Duarte Pacheco Pereira a realizar uma viagem secreta com o objetivo de dar uma espiada nas terras situadas além da linha de demarcação de Tordesilhas. Em 1498, Duarte Pacheco Pereira teria aportado entre o Maranhão e o Pará. Não bastando essa investida inicial dos portugueses, em 26 de janeiro de 1500, o navegador espanhol Vincente Pinzon alcançou a costa do Brasil e tomou posse da terra em nome do rei da Espanha. Por fim, em 22 de abril de 1500, Cabral, em viagem à Índia com suas 17 embarcações, ancorou em solo brasileiro, tornando-se, oficialmente, o descobridor do Brasil. Que bela história! Oficial, certamente; verdadeira, nem tanto.

Até onde sei, não é possível mudar a História. O que se pode mudar, e de fato muda, é o grau de conhecimento que dela temos. Novas investigações costumam nos trazer novas informações. Essas novas informações, por sua vez, podem irradiar luz sobre as sombras do passado, tornando visíveis silhuetas esmaecidas, contornos pálidos, detalhes desbotados, cenários obscuros e verdades até então escondidas sob a grossa poeira do tempo e da ignorância.

Ao estudar e revisar a História, aprendemos que o conhecimento da verdade é construído gradualmente, como se fosse uma dança lenta: dois passos pra frente; um passo pra trás...

Sendo bem honesto, pouco me importa o nome do europeu que primeiro pisou em solo brasileiro. Em nada minha vida seria afetada caso se resolvesse reescrever a história do descobrimento, substituindo o nome de Cabral por outro qualquer, como Duarte Pacheco Pereira ou Vincente Pinzon. Mas tudo isso me faz pensar e me questionar sobre outras histórias que me contaram e que, embora oficiais, talvez não sejam mais verdadeiras que a história da descoberta do Brasil, atribuída a Cabral.


Referências:

1. Imagem - Cabral - http://www.elizabethan-era.org.uk/pedro-alvares-cabral.htm
segunda-feira, junho 02, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Pois é... não quis ouvir a voz do corpo; acreditei em superação; dei uma de teimoso e paguei caro.

Quais eram esses sinais ?

1. O corpo ainda reclamava dos 25 km corridos uma semana antes;
2. A panturilha estava sensível;
3. Sentia fortes dores de cabeça, na véspera;
4. Não consegui dormir à noite;
5. Levantei-me de madrugada, cansado de rolar pela cama e ainda com a cabeça dolorida.

Dilema Shakespeareano (essa palavra existe?): "Correr ou não correr? ". Falou mais alto a teimosia. Resolvi correr.

Chovia... Fazia um frio terrível... O corpo pedia repouso; a cabeça exigia movimento. Entrei no carro e parti para o Ibirapuera.

Mais problemas:

1. Quase uma hora na fila aguardando o ônibus da organização que me levaria até o local da largada. Fiquei ensopado. Já não sentia os dedos dos pés e das mãos.
2. Cheguei à arena da largada faltando 10 minutos para início da corrida. Mal coloquei o pé na área reservada para os maratonista e ouvi um "bum". Foi dado o tiro de largada.
3. Não fiz aquecimento nem alongamento.

O congestionamento humano era imenso. Primeiro caminhei, depois, ao passar pelo tapete de largada, comecei a trotar, sempre atento à panturrilha. Nem percebi quanto atravessei a nova Ponte Estaiada. Estava mais preocupado com a barreira humana à minha frente e com a turma que iria correr apenas 5 e 10 km e que gritava "abram! abram!".

No km 3 a panturilha esquerda abriu o bico. Ainda faltavam 39 km. Correr ou não correr? Teimei em prosseguir correndo. Meus batimentos cardíacos estavam na casa dos 173 quando não deveriam passar dos 160. A noite mal dormida começava a cobrar o seu preço. O corpo precisava de descanso e não de uma desgastante maratona.

Km 1 ao 5 (em 0:27:13h) – Os batimentos cardíacos continuaram elevados. A dor na panturrilha aumentava. O desconforto crescia. A teimosia também. Continuei - sofrendo e correndo.

Km 5 ao 10 (em 0:26:33h) – As dores eram intensas. Não pensava mais na prova e sim em alguma estratégia para lidar com a dor. O ritmo já não era constante. Não queria desistir, mas não havia condições físicas para prosseguir. No km 11 senti uma forte fisgada na outra panturrilha. O bom senso recomendava uma parada imediata, mas foram necessários mais quatro quilômetros para que a cabeça cedesse aos apelos do corpo.

Km 10 ao 15 (em 0:26:26h) – Fiz o possível para continuar, mas não dava mais. Dei-me por vencido. Parei após apenas 15 km. Abaixei a cabeça, como se estivesse envergonhado de meu ato, e voltei, lentamente, caminhando do Villa Lobos até o Ibirapuera, sentindo muito frio. Às vezes garoava. Às vezes ventava. Acompanhava-me a dor da desistência que só não era maior que as dores nas panturrilhas.

Hoje, dois dias depois, ainda sinto dificuldades em caminhar. O jeito agora é parar por uns dois ou três meses e depois recomeçar, lentamente.

Que fiasco!



Referências:

1. Foto: Site Runner Brasil - http://www.runnerbrasil.com.br/
terça-feira, maio 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Pangaea separation animation

Era uma vez, há duzentos e cinqüenta e um milhões de anos...

Meu Deus! Só em pensar nessa cifra sinto vertigem. Está além da minha débil capacidade de compreensão. Para mim, cem anos já é muito, o que dizer de milhões e milhões?

Em apenas um milhão de anos é possível recontar a história do Brasil duas mil vezes! Já pensaram nisso? O português Cabral chegando por aqui para tomar posse do território em 1500; a criação das Capitanias Hereditárias; o massacre das civilizações indígenas; os duzentos anos de escravidão negra... e por aí vai. E toda essa história sendo repetida duas mil vezes para se chegar ao primeiro milhão de anos... Definitivamente, duzentos e cinqüenta e um milhões de anos é demais para a minha cabeça.

De acordo com a escala de tempo geológico, há duzentos e cinqüenta e um milhões de anos, a Terra vivia o final da era Paleozóica, mais precisamente, o final do período Permiano. Sua aparencia diferia da atual. Os continentes se aglutinavam formando uma grande massa de terra conhecida como Pangea. Foi então que algo terrível começou a acontecer, desencadeando a maior onda de extinção em massa até aqui conhecida: 95% das espécies então existentes desapareceram.

O que teria acontecido?

É curioso observar que, quanto o homem se pôs de pé nesse planeta, a maior parte das formas de vida já havia desaparecido. Parece tolice o esforço que fazemos hoje para preservar algumas espécies ameaçadas de extinção, quando, ao que tudo indica, todas as espécies estão fadadas ao aniquilamento, inclusive a nossa. É apenas uma questão de tempo. Mais alguns milhares ou milhões de anos e seremos como se nunca tivéssemos sido. (É claro que, do ponto de vista religioso, o cenário futuro é bem mais otimista.)

O que teria acontecido no final do Permiano? O que provocou tão grande extinção? O vídeo abaixo (de uns 47 minutos de duração), sugere uma possível resposta.



Referências:
1. Imagem inicial - Pangea: http://en.wikipedia.org/wiki/Pangaea
2. Vídeo: http://video.google.com/videoplay?docid=-4119343615649811862
domingo, maio 25, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Neste domingo, comemorei, com quase dois meses de antecedência, meu aniversário, participando dos 25 Km Corpore. Um amigo, o Cleiton, presenteou-me com a inscrição. Havíamos planejado correr juntos, como parte da preparação para a Maratona de São Paulo, com data marcada para a próxima semana. Infelizmente ele não pode comparecer e coube a mim desfrutar, sozinho, desse presente.

O dia amanheceu com ares outonais: céu de brigadeiro e brisa suave. Na ida para a arena de largada (na USP), observei que os termômetros de rua marcavam 15º C. As condições meteorológicas não me preocupavam. O que estava me deixando com a "cabeça quente" era a velha e insistente dor na panturrilha esquerda. Durante a última semana, esse desconforto se fez presente até mesmo ao caminhar, subir escadas e ao dar o primeiro passo pela manhã, ao descer da cama.

Conseguir percorrer os 25 Km nessas condições já seria uma vitória. Ademais, seria o treino de maior duração desde o dia 03/06/2007, ocasião em que conclui a última edição da Maratona de São Paulo. Fiz o aquecimento, seguido de alongamento da panturrilha. Constatei que não seria fácil, mas também não seria impossível. Posicionei-me no final do pelotão estrategicamente, para impedir que a afobação inicial me levasse a correr num ritmo para o qual não estava condicionado e forçasse ainda mais a panturrilha já sensível.

O sinal soou e comecei a desfrutar do prazer de correr, após quase um ano ausente desses eventos. A estratégia inicial deu certo: um barreira humana quase intransponível segurou o meu ímpeto inicial e só depois de uns três quilômetros é que pude estabelecer o meu ritmo de prova. A panturrilha reclamava o tempo todo. Fiquei atendo. Caso o desconforto aumentasse teria que abandonar a prova, o que acabou não sendo necessário.

Concluí os 25 km bem melhor que imaginava ser possível. Agora é dar atenção à panturrilha e torcer para que ela não me impessa de participar da Maratona de São Paulo, no próximo domingo.

Resumo da Corrida:

Intermediárias:

a) 0 a 5 km em 0:27:18h ;
b) 5 a 10 km em 0:26:09h;
c) 10 a 11 km em 0:26:09h (diferença na casa dos centésimos);
d) 11 a 20 km em 0:25:33h;
e) 20 a 25 km em 0:25:21h .

Ritmo Médio: 5:13 min/km.
Tempo Líquido: 2:10:32h.
Tempo Bruto: 2:12:52h.
terça-feira, abril 22, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Lembrei-me esta semana, daquela velha história de uma mãe judia, separando-se do filho convocado para servir o exéricito do czar contra os turcos:

"Não se dedique demais" aconselhava ao filho, "mate um turco e descanse; mate outro turco e descanse outra vez".

"Mas mamãe", diz o filho " e se o turco me matar?"

"Matá-lo?" Ela grita indignada, "Por quê? que mal você fez a ele?"



Referência:

sexta-feira, março 28, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

quarta-feira, março 26, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

"A Linguagem de Deus" é o título do livro de autoria de Francis Collins, geneticista americano e um dos mais respeitados cientistas da atualidade. Entre seus feitos, merece destaque o papel desempenhado como diretor do Projeto Genoma, mantido pelo governo americano.

Pretendo adquirir e ler esse livro assim que possível. Como ainda não o li, sinto-me desconfortável em recomendá-lo a alguém. Contudo, aos que tiveram sua curiosidade despertada, posso recomendar a leitura de dois artigos publicados pela Revista Veja, que fazem referência à Collins e sua crença inabalável na existência de Deus:

O primeiro, sob o título A Ciência não Exclui Deus, apresenta uma entrevista com esse afamado e respeitado cientista norte-americano; o segundo, intitulado O Conflito entre Fé e Ciência, traz alguns dados estatísticos e históricos sobre esse debate antigo e, ao mesmo tempo, atual.

É possível que, depois de ler esses dois artigos, você também se sinta "tentado" a adquirir e ler o livro "A Linguagem de Deus".

Referências:

[1] Wikipédia – Francis Collins – http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Collins
[2] Revista Veja 24/01/2007 – A Ciência não Exclui Deus – http://veja.abril.com.br/240107/entrevista.html
[3] Revista Veja 26/12/2007 – O Conflito entre Fé e Ciência – http://veja.abril.com.br/261207/p_078.shtml
sábado, março 22, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Dificilmente conseguimos abordar certos temas sem paixão. Jesus é um desses temas, talvez o mais polêmico para nós que vivemos no Ocidente cristão.

Fruto de fecundação incomum à cultura judaica (e corriqueira à mitologia grega, na qual divindades fertilizam mulheres), Ele nasceu de parto natural, de mãe virgem e que virgem permaneceu após ter dado à luz. Sua história é permeada de mistérios, a começar por um longo período de silêncio, seguido por um curto e tumultuado ministério marcado por discursos polêmicos, parábolas enigmáticas, profecias ambíguas, milagres inacreditáveis e teofanias extraordinárias. Amado por uns, odiado por outros, incompreendido pela maioria, encontrou-se com a morte durante as comemorações da principal festa nacional de Israel, a Páscoa - três anos após o início de Seu ministério. Mas, isso não foi o fim. Jesus ressurgiu do túmulo, voltou à vida, venceu a morte e reapareceu triunfante para escrever o final apoteótico de Sua missão na Terra: seu retorno ao Céu, morada de Deus, evento esse testemunhado por alguns seguidores fiéis, os quais receberam, como recompensa, a promessa de que, em algum dia num futuro próximo, o próprio Jesus voltaria para resgatá-los deste mundo de dor e lágrimas.

Dois mil anos se passaram e muitos ainda aguardam o cumprimento dessa promessa; relêem a Bíblia, buscando, nas palavras de Cristo, sinais que reforcem essa fé e alimentem essa esperança... Nesta semana de Páscoa, o Ocidente cristão relembra, mais uma vez, a paixão (isto é, o sofrimento) de Jesus na Terra, nutrindo, desse modo, uma tradição milenar de fé nAquele que é considerado ao mesmo tempo Deus, Homem e Salvador da humanidade.

O que dizer de tudo isso? Verdade ou falsidade?

A resposta a essa pergunta dependerá do interlocutar a quem ela for dirigida. Muito provavelmente, a mente racional relutará em aceitar como veraz a fecundação de uma mulher por uma divindade, o nascimento virginal, qualquer um dos muitos milagres a Ele atribuídos, a ressurreição dos mortos e outras tantas narrativas quase impossíveis de serem comprovadas. O coração fiel, por outro lado, não encontrará muita dificuldade em tomar como certas todas essas coisas. É que a fé tem a singular capacidade de nos transportar para o interior de um mundo encantado. E uma vez lá dentro, qualquer narrativa, por mais fantasiosa que seja ou pareça, adquire a solidez de uma rocha.

Então, reformulo a pergunta: essa narrativa, parte importantíssima do discurso cristão, faz algum sentido?

Para esclarecer melhor essa questão, vou parafrasear uma ilustração proposta por Rubem Alves, em um de seus muitos livros[2], que ressalta a diferença entre verdade, falsidade e falta de sentido. Observe: quando afirmo que "o fogo é frio" estou enunciando uma falsidade, pois afirmei algo que todos entenderam, mas que não corresponde à verdade. Não há fogo frio. É da natureza do fogo ser quente. Porém, se faço uma afirmação incoerente como esta: "o fogo, diante da probabilidade, escureceu o silêncio", você ficará confuso, pois mesmo reconhecendo cada uma das palavras, não perceberá qualquer sentido na frase. Nesse caso, não posso afirmar que esse enunciado é falso, pois, para que seja declarado falso é necessário, primeiramente, que ele faça algum sentido.

Voltemos à pergunta anterior: a narrativa da vida Jesus conforme a temos nos Evangelhos – repleta de milagres, pontilhada de intervenções divinas, permeada de feitos sobrenaturais – é verdadeira, falsa, ou sem sentido?

Sou do ponto de vista de que a resposta é irrelevante e, ainda que se chegue a um consenso sobre essa questão, tal conclusão pouco influenciaria nos caminhos e nas escolhas do Ocidente cristão: muitos prosseguiriam crendo; outros permaneceriam céticos e um terceiro grupo manter-se-ia indiferente a tudo isso. É possível, ainda, identificar um quarto grupo, composto por "empreendedores", que enxergaria em tudo isso uma oportunidade comercial e a usaria para alavancar seus "negócios", seja vendendo cerveja, ovos de Páscoa, pacotes de viagens ou um lugarzinho no céu ao lado de Jesus.

Então, sendo que, para mim, a resposta à pergunta anterior é um tanto irrelevante, vou propor uma nova questão que me soa mais significativa e passível de ser respondida: o que há de verdadeiro na comemoração da Páscoa, que possa ser relacionado à pessoa de Jesus de Nazaré?

Talvez o sentimento sincero de alguns fiéis que, de fato, acreditam naquilo que seus lideres religiosos lhes ensinaram. Talvez o desejo oculto no coração humano de se encontrar com Alguém (Jesus) que lhe seja maior e mais forte; que seja humano o bastante para nos compreender e divino o suficiente para nos socorrer; que tenha resposta para as nossas indagações e solução para nossos problemas; que seja amigo, irmão e pai presente e palpável, que nos faça sentir capazes de enfrentar os desafios da vida, de cabeça erguida e com o coração aquecido pela certeza de que nossa existência faça algum sentido... Talvez a esperança de que tudo o que foi dito acerca de Jesus de Nazaré seja verdadeiro e que, de fato, Ele possa e queira nos valer e, um dia, regresse a este mundo, para nos explicar o porquê da vida ser tal qual é.

Com efeito, a Páscoa nos lembra, ainda, que existem algumas evidências favoráveis à existência desse Jesus histórico que andou pelas estradas empoeiradas do antigo Israel, dois mil anos atrás. Se esse Jesus foi o Filho de Deus ou um simples carpinteiro (ou pedreiro?) de Nazaré; se ressuscitou corpos ou se deu nova vida a espíritos desfalecidos; se curou cegos ou se ensinou os homens a enxergarem a vida sob nova perspectiva; se fez coxos andarem ou se injetou nas pessoas a convicção de que é possível sair da inércia e locomover-se em busca dos próprios sonhos; se prometeu um céu futuro ou se nos facultou a possibilidade e a capacidade de viver em um céu presente... não saberei responder.

Gosto de pensar que esse Jesus existiu e aproveito a Páscoa para relembrar alguns de Seus ensinamentos: viver uma vida de amor e respeito, acreditar no impossível, olhar para frente com esperança e otimismo, nunca abdicar da fé em si mesmo ("tua fé te salvou", disse Ele reiteradas vezes) e, se porventura a esperança enfraquecer, o otimismo cessar e a fé desfalecer, ainda assim, dar um passo adiante e apegar-se ao impossível: acreditar em milagres, acreditar em Deus...

Como você pôde perceber, fiz várias perguntas ao longo desse texto e reconheço que fui incapaz de oferecer respostas conclusivas a qualquer uma delas. Lamento. Resta-me fazer uma última recomendação: separe um tempo nessa Páscoa para refletir sobre a enigmática figura de Jesus de Nazaré. E, se desejar, poste aqui suas impressões a respeito dAquele que, para muitos, é o Deus que se fez homem para dar sentido à vida dos homens e, para outros, o homem a quem fizemos Deus, para, de igual modo, dar sentido à nossa própria existência.



Referências:

[1] Imagem - http://www.semipa.org.br/especiais/apaixao/images/intro.jpg
[2] O que é Religião - Rubem Alves, 1981, p. 39.
sexta-feira, março 21, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Dá-se o nome de "dia útil" àquele em que o comércio, o mercado financeiro e as instituições públicas funcionam. Penso de modo diferente. Para mim, dia útil é aquele em que disponho de tempo para mim mesmo. Hoje, por exemplo, feriado de Páscoa, foi um dia extremamente útil para mim. Aproveitei parte dele para fazer algo que aprecio: correr!

Saí de casa logo após às 10h da manhã, sentindo na pele a carícia suave do vento e o toque dourado do sol de Outono. Adoro o Outono! É, de longe, minha estação favorita, que me fala de transições e mudanças: aos poucos o calor cede lugar ao frio e as chuvas vão embora; com o declínio da temperatura, cobrimo-nos de roupas, enquanto o céu se despe de nuvens e se mostra nu, sem pudor, sem vergonha, sem medo de se deixar contemplar em toda sua profunda intimidade! Adoro essa intimidade azul anil do meio-dia, que se torna alaranjada e nostálgica ao pôr do sol... E quando a noite cai, o céu desnudo se enche de estrelas! Brilho intermitente, luz trêmula, cintilante, piscante... parecem flertar comigo e me sussurrar segredos que despertam em mim saudades de mundos que não conheço...

Comecei a correr lentamente. Enquanto poupava energia, o dia esbanjava beleza. Que maravilha! Que dia útil!! Aos poucos fui me distanciando do bairro onde moro e seguindo em direção à Marginal Pinheiros. Segui até o Extra que fica próximo ao Parque Burle Max e de lá retornei pelo mesmo caminho. Ao todo foram 13 km percorridos em 1h12min54 (ritmo médio: 5,36 minutos por km, que equivale a 10,7 km/h).

O resto do feriado - isto é, do "dia útil" - passei-o no conforto do lar, dedicando-me ao ócio criativo... ou terá sido apenas ao ócio?
quinta-feira, março 20, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

sábado, março 15, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O último sábado do verão amanheceu com cara de inverno. Olhei pela janela do quarto e saudei o dia que acabara de nascer. Observei que o sol, mais preguiçoso que eu, ainda estava deitado e se escondia sob espesso cobertor de nuvens plúmbeas. Por um breve instante me senti tentado a lhe seguir o exemplo e retornar à cama, agasalhar-me sob a manta quente e aconchegante e dar vazão ao ócio, aproveitando o sábado (que significa "descanso") para me recuperar da semana exaustiva que chegava ao fim.

Mas, se por um lado o corpo se sentia seduzido por cama e repouso, por outro, a mente se mostrava inquieta e faminta por ação. Ainda bem que ação mental combina com inércia corporal e assim, reconciliado interiormente, pus-me a pensar e, em seguida, a entreter um diálogo amistoso e sereno com minha esposa, diálogo esse que se enveredou pelos meandros da lingüística e da crítica textual. Reconheço que, para muitos, tal assunto não seria objeto de conversa serena e agradável, e sim um tema acre, maçante e impróprio para uma manhã de sábado. Não é esse o nosso caso. Minha esposa é especialista em língua portuguesa e lingüística e eu sofro de uma atração (quase) insana por línguas (quase) mortas, como grego antigo, latim, hebraico e o brasileiríssimo tupi. E foi nessa conversa amistosa que a ouvi repetir uma interessante definição de leitura, sobre a qual gostaria de refletir um pouco: "Ler é atribuir sentido".

Ler não é apenas decifrar um código. Decifrar implica em conhecer a correspondência entre um conjunto de símbolos gráficos e seu equivalente valor fonético-visual. Em outras palavras, decifrar é tão somente decodificar. Dá-se o nome de "analfabeto funcional" a quem consegue somente decodificar a escrita sem, contudo, interpretar o sentido do texto como um todo. No Brasil, por exemplo, embora o percentual de analfabetos seja de apenas 11,8%, o índice de analfabetismo funcional é assustador, chegando a 75% da população.

Toda essa conversa sobre leitura e atribuição de sentido derivou de um comentário inicial a respeito do texto bíblico. Nossa formação religiosa nos ensinara a enxergar a Bíblia como um livro especial, tanto em sua concepção quanto em sua preservação ao longo das eras. Por muito tempo cremos na existência de uma verdade exarada em suas páginas. Assim sendo, suas palavras e textos encerravam, em si mesmas, verdades preservadas milagrosamente e que, se entendidas "corretamente", poderiam explicar o enigma da vida, elucidar os mistérios do passado e desvelar os segredos do futuro. Em contraposição a essa crença, a realidade nos apresentava um panorama diferente, de contradição dentro da própria comunidade crente, de falta de consenso quanto à interpretação "verdadeira" e "indiscutível" do texto bíblico. Há centenas de denominações religiosas cristãs, todas supostamente fundamentadas na Bíblica, cada uma com suas peculiaridades que as põem em rota de colisão com as demais. O cenário, como um todo, é caótico, isto é, há tantas diferenças interpretativas, que inviabilizam a união dessas igrejas em torno de um corpo doutrinário comum, apoiado no texto bíblico, que é único.

A conclusão a que chego é que ou o "verdadeiro sentido" não é atributo inerente ao texto (ou "apenas" ao texto), ou de fato "ler é atribuir sentido". Nesse caso, cada pessoa letrada (excluem-se aqui os analfabetos funcionais) interpreta o texto bíblico em conformidade com sua essência, na qual se incluem vários fatores: lingüísticos, cognitivos, históricos, socioculturais, interacionais, entre outros [1]. Para confirmar essa suspeita, vou recorrer à exemplificação. Temo, contudo, que este exemplo não seja plenamente compreendido por aqueles que não têm intimidade com o texto bíblico e com as tradições cristãs. Se for esse o seu caso, peço-lhe desculpas, antecipadamente. Tentarei ser didático, estruturando o exemplo em duas partes: (1) citarei um texto bíblico contendo palavras atribuídas a Jesus e (2) apresentarei uma leitura, isto é, uma atribuição de sentido amplamente aceita num passado recente, e atualmente descartada.

Parte 1 – Palavras de Jesus:

"Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas [isto é, guerras, terremotos etc.], sabei que está próximo, às portas [isto é, Jesus em breve voltará à terra]. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mt 24.32-35).

Parte 2 – Busca do sentido do texto.

Qual é o "verdadeiro" sentido dessa parábola? ("parábola" é uma narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta). Como entendê-la e interpretá-la?

Hall Lindsey, famoso evangelista e escritor cristão, expôs sua interpretação desse texto num livro que se tornou campeão de vendas nas décadas de 70 e 80: "A Agonia do Grande Planeta Terra". Tive a oportunidade de ler essa obra em algum momento da década de 1980. Resumidamente ele concluiu o seguinte:

1. Parábola da Figueira – A palavra "figueira" é usada diversas vezes na Bíblia como uma imagem da nação de Israel. Hall Lindsey assumiu que, nessa parábola, a figueira é, de fato, Israel.

2. Quando os ramos da figueira se renovarem e as folhas brotarem... – Israel (a figueira), após um período de inverno, isto é, de inexistência política reconhecida, voltaria à vida, voltaria a florescer como nação. Isso, segundo ele, aconteceu em 1948 quando o estado de Israel foi criado e legitimado pela ONU.

3. Não passará essa geração sem que tudo se cumpra, isto é, sem que Jesus volte – Ele se perguntou: quanto dura uma geração em termos bíblicos? Aproximadamente quarenta anos, foi a resposta assumida. O resto é aritmética básica: 1948 + 40 = 1988. Portanto, o fim desta civilização e o regresso de Jesus à terra deveriam ocorrer em algum momento até 1988, quarenta anos após a reemergência de Israel como nação.

4. Passarão os céus e a terra, mas não as minhas [de Jesus] palavras – Eis aqui a garantia de que isso, de fato, aconteceria.

Considerações finais...

Estamos em 2008, vinte anos após a data limite sugerida por Hall Lindsey, e Jesus ainda não voltou. Cabe aqui refazer a pergunta: qual é o sentido dessa parábola contada pelo Mestre?

Ao longo da História, certamente houve várias interpretações diferentes - e divergentes - desse texto. Cada leitor, movido por convicções sinceras e sentimentos verdadeiros, atribuiu a ele um determinado sentido. Apesar disso, ouso afirmar que esse texto permanece virgem, instigante e disponível a quem o queira ler. Cada novo leitor o verá com novos olhos e, nessa interação, um novo sentido poderá aflorar... Parece magia. Recriação. Renovação. Mas é apenas leitura, afinal, "ler é atribuir sentido".

Referências:
[1] Alfabetização e Construção de um Sentido na Produção Textutal -
www.cereja.org.br/arquivos_upload/Cleusa%20Maria%20AMatos_out2005.pdf
quarta-feira, março 12, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O uso de aparelhos GPS vem se popularizando nos últimos anos. Além dos modelos tradicionais, algumas "adaptações" já estão disponíveis para nichos específicos de mercado. É o caso dos aparelhos Forerunner para os praticantes de corrida de rua e os de navegação para motoristas que circulam pelas ruas de São Paulo e outras cidades. Recentemente, novos aparelhos celulares passaram a oferecer o serviço de GPS aos consumidores mais abastados, dispostos a adquirir algum modelo "top" de linha.

Uma alternativa gratuita (pelo menos até 01/01/2010) pode ser experimentada por muitos que possuem aparelhos celulares mais simples. Trata-se do Nav4All. Após devidamente instalado, o usuário de celular passa a dispor do serviço de navegação. Clique aqui e veja uma demonstração de uso na qual o usuário escolhe um destino e passa a ser orientado por setas de direcionamento e uma voz que lhe diz por onde seguir. No final da navegação, o programa exibe um resumo do trajeto com o tempo, distância percorrida e velocidade média.

Ainda não experimentei esse novo serviço, o que pretendo fazer em breve. Futuramente, postarei aqui minha opinião.

Para mais informações acessem os links abaixo:

1. Leia o que disse quem já usou: http://www.rodrigostoledo.com/?p=832
2. Filme: demonstração de uso: http://www.nav4all.com/site2/www.nav4all.com/porbr/films.php
Referências:
terça-feira, março 04, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Acreditamos em tantas coisas! Em deuses e demônios, duendes e fadas, homens santos e políticos pecadores... Talvez devêssemos acreditar um pouco mais em nós mesmos!

Por que será que sentimos tanta necessidade de acreditar em algo ou em alguém?

Com a palavra o professor Renato Sabbatini, neurofisiologista e professor na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, em entrevista ao "Programa do Jô". São 24 minutos de conversa descontraída sobre a mente humana e sua disposição para a crença.

Segue o vídeo.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ABCovvWwSe0

domingo, março 02, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O dia amanheceu com ares outonais: céu de brigadeiro, sol faceiro e brisa mansa. Esse belo domingo parecia me convidar a pôr um tênis e sair correndo por aí, sem rumo e sem pressa, investindo o tempo em fazer aquilo que me apraz. Não resisti. Aceitei o convite, alonguei a fáscia do pé esquerdo, coloquei uma roupa leve, acionei o freqüencímetro e o sensor de velocidade e fiz de mim um corredor.

Correr desperta em mim uma enorme sensação de liberdade. Durante a semana quase não tenho tempo para mim mesmo. Vivo sob a escravidão do relógio e o imperialismo dos compromissos. Os dias voam e, quando me dou conta, a semana já se foi. Mas nos fins de semana, como num passe de mágica, posso me dar o prazer de abandonar o carro, o metrô, o trem e seguir por aí usando as próprias pernas como veículo de transporte. Posso correr pela contra-mão, subir na calçada, acelerar à vontade sem medo de ser multado, escolher qualquer percurso sem temer congestionamento – e o melhor: sem hora marcada, sem destino certo, sem celular, sem o peso da obrigação. Que maravilha! Quanta vida em apenas uma hora de corrida!

Ando sofrendo de dores na fáscia, uma lâmina de tecido fibroso que se estende ao longo do pé, fixando-se no calcanhar. Já passei por isso antes, em 2002, e precisei de um bom tempo de recuperação usando calcanheira. Naquela ocasião não fui impedido de correr e espero que, agora, não precise parar. Comecei a correr em companhia dessa dor que, definitivamente, não combinava com a exuberância do dia. Se a dor era intensa, maior que ela era o prazer proporcionado pela corrida. Não consegui parar. Começava assim uma queda-de-braço entre o prazer e a dor, até que a dor se cansou e o prazer venceu. Despedi-me dela e prosseguir sozinho, ou melhor, em companhia do sol que reinava absoluto em um céu de azul profundo e quase despido de nuvens.

Mais adiante, passei pelo primeiro termômetro de rua que, por volta das 11h, marcava 27º C. O dia que amanhecera com cara de outono agora assumia os contornos do verão. Apesar disso, os quilômetros foram sendo vencidos com certa tranqüilidade até me deparar com a primeira grande subida. As pernas, antes dispostas, esboçavam agora os primeiros sinais de cansaço e o sol já não se mostrava tão amigo e companheiro como antes. Vi um senhor descansando sob a sombra de uma árvore frondosa e senti o enorme desejo de lhe fazer companhia. Resisti à tentação e prossegui.

Para meu espanto e desespero, lá pelo quilômetro 8, fui surpreendido pela dor que ficara de tocaia aguardando o meu retorno. À essa altura, a disputa entre "dor e prazer" pendia perigosamente em favor da dor. Percebi o quanto me falta para recuperar o condicionamento perdido. Terei que ser persistente! Reduzi ainda mais o ritmo e prossegui "aos trancos e barrancos" até chegar em casa, completando 10 km de corrida em aproximadamente 55 minutos.

Consegui. Cansado, suado, feliz!

Durante a semana prosseguirei em meus poucos e curtos treinos em esteira. É o que dá pra fazer quando não se tem tempo. Tudo bem. Não vou reclamar. Como diz a sabedoria popular, "melhor pingar que secar".


Referências:



sexta-feira, fevereiro 29, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges

Hoje é um dia especial. Só daqui a quatro anos é que teremos outro 29 de fevereiro. Para saber mais sobre esse dia (ano bissexto) recomendo o acesso aos links abaixo.

Começo com o básico: Na enciclopédia Wikipédia há um bom material. Clique aqui para ter acesso a ele. Um outro link interessante e complementar: "Calendários e o fluxo do tempo". Dê uma olhada e, em seguida, faça sua própria pesquisa via Google. Você certamente encontrará muito material disponível.

Boa sorte!



Referências:

1. Wikipédia – "Ano Bissexto" –
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ano_bissexto
2. Calendário e o fluxo do tempo – http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/calendarios_e_o_fluxo_do_tempo.html

terça-feira, fevereiro 26, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Desejo é um sentimento tipicamente humano. Nele nos irmanamos quando sonhamos com um mundo melhor, uma sociedade mais justa e uma vida mais plena de sentido. Desejar é querer o que não temos, é almejar o que nos falta, é ambicionar, ansiar, sofrer e até chorar por algo a que atribuímos grande valor e do qual não temos a posse. Este é o lado triste do desejo: nunca se deseja aquilo que já se tem. O desejo sempre nos fala de uma ausência. Vou exemplificar:

A saudade está sempre presente quando alguém a quem amamos se faz ausente. Saudade é desejo: desejo de rever, de tocar, de abraçar, de sentir-se perto de quem se fez distante no tempo ou no espaço. Saudade é a percepção de uma ausência e desejo de rever, de reencontrar.

Fome não é apenas vontade de comer. Há muitos que comem sem fome, pelo prazer de comer ou por pura gula. Fome é algo mais profundo: é desejo. Desejo do corpo desfalecido pelo alimento de que se sente privado, é a voz desesperada do organismo, clamando em roncos pela comida ausente, pelo nutriente que lhe falta. Fome é a consciência dessa ausência e o desejo de ser alimentado.

Religião... Há tantos que se dizem religiosos e rezam e oram e fazem promessas e freqüentam igrejas. Seria isso religião? Penso que não. Religião me parece ser algo muito mais subjetivo e enigmático. É a mais profunda expressão de desejo da alma, a busca mais intensa e apaixonada por algo que nos é maior, mais forte e capaz de dar, à vida, o sentido e a certeza que a ela faltam. Religião é o suspiro veemente e inefável que brota do coração humano oprimido e desamparado, que busca por consolo e conforto, abrigo e segurança, tão ausentes nessa vida que se enche de compromissos e se esvazia de significância. Religião é, acima de tudo, desejo. Desejo de dar sentido à vida, ao mundo que nos cerca, ao universo que nos envolve.

E poderíamos ir aqui multiplicando os exemplos de desejos, desse sentimento tão comum a mim e a você, hóspede eterno de corações pueris e idosos, sentimento tão nosso, tão íntimo... É que somos seres do desejo e, provavelmente, frutos dos desejos de nossos pais... Mas não pretendo me alongar. Vou apenas convidá-lo a considerar comigo a palavra "desejo". De onde ela vem? Qual é a sua origem? Para responder a essas perguntas terei que me valer mais uma vez da etimologia (adoro etimologia).

Alguns dicionários apresentam duas possíveis origens. Na primeira, "desejo" deriva do latim desedium (estar sentado), de onde vem a nossa palavra "desídia", que significa "indolência, ociosidade, preguiça". Na segunda, "desejo" procede do verbo latim desiderare, de onde vem a nossa palavra "desiderato", que quer dizer "desejo, aspiração". Particularmente, aprecio mais esta última proposição e vou tomá-la, aqui, como a mais apropriada.

Desiderare (de+siderare) nos reporta a outra palavra latina, siderare (relativo a astros ou estrelas). Na antiga Roma, os adivinhos "consideravam" (con+siderare), isto é, observavam atentamente as estrelas, para extraírem delas alguma conclusão quanto ao futuro. Muitos colocavam sua fé nesses prognósticos baseados em estrelas (sidus) e esperavam ansiosamente pelo seu cumprimento. Com o passar do tempo e em não se confirmando a predição, o crente frustrado abria mão da esperança e "desistia das estrelas". Desiderare é exatamente isso: "desistir das estrelas", dos astros, da esperança e ficar com uma triste certeza: a certeza da ausência de resposta...

A palavra "desejo" carrega em si essa associação negativa. É a consciência de uma ausência forte, de um vazio enorme, de uma fome voraz, de uma saudade sem fim, de uma esperança que ainda não se realizou. Por outro lado, há algo de positivo e mágico nessa palavra que a faz encantadora e bela, que a torna especial para todos nós. É que o "desejo" sempre foi e sempre será a grande fonte de inspiração para todas as formas de arte; o grande agente propulsor das conquistas e realizações humanas; a força indomável que nos move e nos faz sonhar com utopias, como a de um mundo ideal, justo e fraterno para todos.

Posso facilmente "desistir das estrelas" (desiderare), mas não do desejo. E você?


Referências:

Desejo – Dicionário Houaiss -
http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=desejo&stype=k
Desejo – Dicionário Michaellis -
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=desejo
Palavras que deveriam existir -
http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/04/14/palavras_que_deveriam_existir/
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Você certamente já ouviu falar em "evangelho", ou conhece alguém que se declare membro de alguma igreja "evangélica". Talvez você mesmo seja um "evangélico". A questão é: você sabe qual é o significado dessa palavrinha que está na moda?

Significa "boa nova" ou "boa notícia". A nossa palavra "evangelho" tem sua origem no grego "euaggelion" que, literalmente, quer dizer "bom anjo" ou "bom mensageiro". Ora, é natural supor que um bom anjo ou um bom mensageiro sempre nos traga boa notícia ou boa nova. Atualmente, essa palavra mantém estreita ligação com a fé cristã reformada no século XVI, contudo, gostaria de desvinculá-la desse contexto e resgatar-lhe o significado etimológico original e puro, isto é, "boa nova", "boa notícia", simplesmente.

A boa notícia é que voltei a correr. Foram sete longos meses de recuperação, durante os quais até ousei treinar um pouco - e esse pouco me custou muito!

Tudo começou uma semana após a Maratona de São Paulo, ocorrida no primeiro domingo de junho de 2007. Era meu primeiro treino após esse evento e as duas panturrilhas resolveram reclamar. E reclamaram até o final de outubro. Aí foi a vez do tendão de Aquiles, o esquerdo, causar-me problema. Ficou inflamado até meados de janeiro/2008. De lá pra cá alívio, desconfiança e uma dorzinha chata localizada sob o calcanhar esquerdo, que incomoda um pouco, mas não me impede de correr.

Ontem, após algumas semanas de treinos curtos e lentos, matei a saudade do Ibirapuera. Foram 10 km percorridos em quase 52 minutos. Terminei cansado, ou melhor, "acabado", mas, ainda assim, eufórico. Isto mesmo: eufórico, entusiasmado, animado!

"Euforia" é um grande entusiasmo, uma alegria exagerada, um bem-estar físico que nem sempre corresponde ao estado físico objetivo. "Euforia" expressa muito bem o meu estado após esse treino de 10 km ontem: psicologicamente bem, inteiro; fisicamente, nem tanto.

Em tempo, "euforia" e "evangelho" (duas palavras usadas e abusadas neste texto) possuem algo em comum. Você sabe o que é?

Resposta: uma ligação etimológica com o prefixo grego "eu", que significa "bom". Observe:

1. "eu + angellion" (evangelho) = bom + anjo, mensageiro = boa nova ou boa notícia;
2. "eu + phoria" (euforia) = bom + tolerar, suportar = boa capacidade (ou força) para suportar ou tolerar com facilidade. Algo como bom humor, mesmo em situação desfavorável.

Resumindo, este é o meu "evangelho eufórico": tênis no pé, freqüencímetro no peito, cabeça fresca e coração explodindo de emoção – estou de volta ao mundo maravilhoso das corridas de rua.
sábado, fevereiro 16, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Após vinte dias de "abandono", voltei a dar atenção a este blog que, agora, passa a ter novo visual. Essa mudança é bem-vinda. Mudar é preciso! Melhor ainda quando as opções são variadas e o custo é zero (ou quase zero).

Mudar a aparência do blog até que é fácil. Difícil mesmo é mantê-lo atualizado com conteúdo consistente e coerente. Nos últimos dias até que tentei rascunhar alguns textos, mas não consegui ir além disso, de modo que eles permanecem inacabados, à espera de revisões e melhorias. Diante dessa dificuldade em lidar com a essência, investi na aparência, isto é, no visual. Eu gostei. Espero que gostem também.

Seguem algumas dicas para aqueles que desejam dar uma "maquiada" (ou renovada) na aparência de seus blogs.

1. Consulte sempre os sites especializados. Vou sugerir apenas um, a partir do qual outros poderão ser localizados. No site "Sobre Sites" você encontrará informações valiosas sobre opções de hospedagem, contadores de acesso, ferramentas de apoio e muito mais. Acesse pelo link http://www.sobresites.com/blog/index.htm.

2. Dê uma olhada nos templates gratuitos disponíveis na WEB. As opções de layout oferecidas pelo Blogspot (onde meu blog está hospedado) são limitadas. Use o Google (ou outro mecanismo de busca de sua preferência) para localizar "templates para blogger" ou "templates para blogspot". A quantidade de opções é imensa. Para facilitar sua vida, recomendo-lhe dois bons links:

a. Blogspot Template – Aqui você encontrará uma vasta opção de templates disponíveis (Link: http://www.blogspottemplate.com/)

b. Final Sense – Este site disponibiliza dezenas de templates de alta qualidade. Foi nele que encontrei este que "veste" agora o meu blog. (Link: http://finalsense.com/services/blogs_templates.html)

3. Faça Backup – Por segurança, não saia alterando o layout de seu blog sem antes fazer uma cópia que possa ser usada para restauração, caso algo dê errado. Eu recomendo um cuidado a mais: crie outro blog (você pode ter mais de um blog no blogspot) e use-o como "projeto piloto". Se gostar do resultado, aplique o template ao site oficial.

É isso aí. Boa sorte!
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domingo, janeiro 27, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Um vídeo sobre o sentido da vida, baseado no livro "Anônimo Incógnito". É "dedicado àqueles que encontram um sentido na vida toda vez que coçam o nariz de um amigo sem braço..."

Duração: 3 minutos e 51 segundo.


Fonte: Youtube - http://www.youtube.com/watch?v=fgMRTxS9Wfg
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sexta-feira, janeiro 25, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A noite passa soturna e fria enquanto a cidade (São Paulo) comemora 454 anos de existência. Aqui, em meu mundinho periférico, as horas se vão, em vão. Morrem em lenta agonia. O tempo se arrasta. O sono não vem. Para onde terá ido? Talvez à Paulista ou ao Mercado Municipal comemorar, por lá, o aniversário da cidade. Foi sem me avisar e, em meio aos festejos, esqueceu-se de voltar. Insônia... Ouço, agora, o primeiro cantar do galo anunciando as luzes do arrebol. Noto que, aos poucos, esse canto é abafado pelo ruído da cidade, que ganha vulto, se agiganta e passa a incomodar. As estrelas, que há pouco brilhavam, tornaram-se pálidas e do céu fugiram. Cederam lugar às aves que ruflam as asas e voam e bailam e cantam e encantam e saúdam o novo dia que nasce e floresce.

"Sampa" comemora e me presenteia com um feriado. Por esse presente esperei inquieto e, agora, diante dele, me aquieto. Degusto-lhe as primeiras horas como se estivesse saboreando algo inteiramente novo, de sabor misterioso. Mistérios me fascinam e emudecem. Calado me ponho a ouvir-lhe a voz, em minha mente, na forma de pensamentos que fluem livremente, qual rio de montanha: ruidoso e firme, sinuoso e bravo, em forma de corredeiras e cascatas, na busca de um caminho que conduza ao repouso, ao mar.

Penso...

Os caminhos da vida são misteriosos... Eles nem sempre são curtos, fáceis prazerosos e seguros. Tendem a ser uma trilha marcada pela insegurança: Surpresas e sustos, admiração e espanto, prazer e pesar. Um avançar constante rumo ao desconhecido, que nos espreita com olhos curiosos, ora compassivos, ora ameaçadores.

Os caminhos da vida são marcados pela incerteza... E nessa incerteza reside boa parte de sua beleza. Afirmação contraditória essa! Mas, se o caminho fosse reto, sem curvas, previsível; se tudo se desse tal e qual planejado; se não houvesse imprevistos e riscos, não sei se valeria a pena trilhá-lo... Talvez a experiência de vida seria por demais restrita: seqüência monótona e enfadonha, rotina maçante e sem viço, solo pobre e impróprio para semear e cultivar a criatividade.

Os caminhos da vida são tortuosos... São rios de montanha que se movem como serpentes: cheios de curvas, retorcidos, coleantes (a vida não corre em trilhos, como os trens). E é aí que residem sua beleza e glória, sua poesia e música, sua dor e delícia, seu prazer e sua aflição: uma surpresa aqui, contrapondo-se a um susto acolá.

Os caminhos da vida... É preciso aprender a percorrê-los, fluir nesse rio de maneira responsável. Ser responsável é mais que cumprir compromissos e obrigações. É ser capaz de "responder" prontamente aos desafios da vida.

E a noite se foi e o dia está indo. Nuvens cinzas e garoa marcam o aniversário de São Paulo. Feriado! Planos traçados aos quais o rio da vida não se deixa submeter. Surpresa (ou melhor, susto): vou para o trabalho. Os caminhos da vida são assim: misteriosos, incertos, tortuosos - rio de montanha. Neste feriado, esperava remanso, e ele se me apresentou na forma de cachoeira... Adeus feriado!

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sábado, janeiro 19, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
Se você está a fim de rir um pouco, assista ao vídeo abaixo. Marco Luque é hilário ao interpreta o motoboy "Jackson Five". Pena que só dure três minutos...


Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=20aByx59uY8
sexta-feira, janeiro 18, 2008 | Autor: Ebenézer Teles Borges
O que você enxerga na figura ao lado? Qual é a "verdade" que ela encerra? Vou responder, mas não agora. Antes, quero tecer alguns comentários sobre um e-mail que recebi hoje, de viés religioso, que discorria sobre o tema desse artigo. O assunto "verdade" sempre desperta em mim grande interesse e, desta vez, me motiva a escrever e postar aqui minha opinião a respeito. Sei, de antemão, que estou adentrando num labirinto do qual, muito provavelmente, sairei do jeito que entrei, isto é, sem saber ao certo por onde andei. Afinal, o que é a verdade? E o que é verdade progressiva?

Há muito venho procurando por uma resposta satisfatória. Reconheço, até aqui, a minha frustração. Disseram-me, algures, que "não existem respostas, apenas escolhas". Se assim for, então cada um poderá escolher sua própria verdade. Grupos de pessoas poderão eleger para si a verdade que lhes seja mais apropriada ou conveniente entre as tantas que existem, por exemplo: a verdade dos católicos, a dos evangélicos, a dos espíritas, a dos muçulmanos e por aí vai. Mas ao concluir dessa forma não estaria eu a confundir "verdade" com a "crença de algo é verdade"?

Crer que algo é verdade não torna esse algo em verdade. Há consenso quanto a essa afirmação. Posso crer, por exemplo, que a Lua seja feita de queijo, porém, o que a Lua é independe de minha crença pessoal. O mundo inteiro pode acreditar que a Lua seja um enorme queijo suíço, mas essa crença, ainda que se torne popular e universal, não mudará a natureza da Lua. A crença não legisla sobre a verdade.

Durante séculos a humanidade foi acumulando informações sobre o planeja Júpiter. Quando, porém, Galileu o observou através de uma luneta, enxergou algo inusitado: quatro luas até então desconhecidas. A verdade a respeito do planeja Júpiter foi acrescida de novos ingredientes. A isso damos o nome de "verdade progressiva". Galileu não inventou esses quatro satélites. Eles sempre estiveram lá. Nós é que não os enxergávamos, por pura limitação de nosso aparato visual. Com o advento do telescópio, nosso campo visual foi ampliado e passamos a enxergar o que antes não víamos – repetindo: verdade progressiva!

Imaginemos agora uma situação absurda: vamos supor que, ao tentar observar Júpiter pelo telescópio, Galileu constatasse que ele nunca existiu, que se tratava apenas de uma ilusão de ótica (estou realmente forçando a barra neste exemplo). Nesse caso, sua descoberta não deveria ser tomada como uma verdade progressiva, pois teria feito ruir tudo que se julgava saber sobre Júpiter. Restar-nos-ia a atitude humilde e honesta de substituir o que se constatou ser falso pela nova verdade descoberta, a de que Júpiter seria apenas uma ilusão visual.

Ao avançar para o campo religioso em busca do entendimento de "verdade" e "verdade progressiva", o cenário se torna por demais nebuloso. Aqui nada é concreto e tangível como a Lua ou o planeta Júpiter. Mudam-se os referenciais e a terminologia. Fala-se de profecias, doutrinas, dogmas, milagres. Usam-se palavras impregnadas de sentidos dúbios como: reino de Deus, pecado, redenção, (re)encarnação, arrebatamento, apostasia, Babilônia, céu, inferno, purgatório e tantas outras. Termos subjetivos, diáfanos, etéreos, vagos, que, para muitos, não significam absolutamente nada, ao passo que, para outros, constituem-se em questão de vida ou morte... Afinal, do que estamos falando? De verdades ou de crenças? - verdades progressivas ou crenças progressivas?

Vou emitir meu parecer: Não aprecio a expressão "verdades religiosas". Prefiro substituí-la por "crenças religiosas". A meu ver, essa simples substituição de uma palavra provoca um impacto significativo, porque "crenças", no contexto religioso, não exigem provas racionais, e sim fé.

Reli, recentemente, o livro "Teologia da Crise" de Emil Bunner.
Emil Brunner foi um dos maiores teólogos do século XX, ligado à Igreja Reformada Suíça. Ao falar sobre "Deus" ele assim se expressa: "A fé apenas pode provar a realidade de Deus porque Deus não pode ser reconhecido pela razão teórica, mas deve ser compreendido por um ato de decisão" (pág. 69).
A palavra "decidir" em sua origem etimológica significa "separar cortando", "eliminar alternativas"[1], o que nos conduz de volta ao que já foi citado anteriormente: "não existem respostas, apenas escolhas", apenas decisões. Uns escolhem crer em Maomé, outros em Buda, outros em Jesus. Dos que crêem em Jesus e na Bíblia, alguns decidem aceitar como fidedignos os milagres realizados por Nossa Senhora de Lourdes, nos quais outros tantos preferem não acreditar.

Essas "crenças religiosas" não estão estagnadas, e sim em constante evolução. A sociedade muda, trazendo à baila novas necessidades e situações que exigem novas reações e novas crenças. Fala-se muito hoje, por exemplo, em "prosperidade". Basta ligar a TV num programa evangélico para constatar o que digo. Parece-me que Deus, aos poucos, vai deixando de ser o Senhor e passa a ser um "escravo" dos crentes e de suas ambições materiais. Pouco se fala em um céu distante e futuro. O céu é aqui e agora. Verdade progressiva? Não me parece que seja. Crença progressiva? Pode ser...


Sobre a figura: A parte mais escura, à esquerda, delineia um homem narigudo, de perfil, tocando saxofone; na parte clara, à direita, vê-se o rosto de uma mulher. Mas, sinta-se à vontade para tentar enxergar o que quiser, por exemplo: o homem pode não estar tocando saxofone, e sim fumando um cachimbo...



Referências Bibliográficas

[1] Palavra "decidir" – Dicionário Houaiss -
http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=decidir&stype=k

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