segunda-feira, janeiro 17, 2011 | Autor: Ebenézer Teles Borges
A palavra "natureza" deriva do latim "natura" que significa nascimento. De certo modo, somos todos filhos da natureza, o que nos induz a vê-la como uma espécie de mãe, a "mãe-natureza". Será isso verdade?

Carlos Drumond Andrade, no poema "Para Sempre", assim se expressa a respeito da figura materna:

Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,
água pura,
ar puro,

puro pensamento.


Mãe, diz ele, "é tempo sem hora" – alguém sempre presente, especialmente nos momentos difíceis, "quando sopra o vento e a chuva desaba".

Quanto à natureza, o mesmo poeta não a descreve como uma mãe (não que eu saiba). Ele apenas declara em tom taciturno: "A natureza não faz milagres; faz revelações".

Os recentes fenômenos naturais que provocaram a morte de mais de seiscentas pessoas no Rio de Janeiro, revelam-nos uma face sinistra da natureza que nada tem a ver com a mãe afetuosa descrita por Drummond. O vento soprou, a chuva desabou e a serra, outrora firme como uma rocha, desfez-se em lama que soterrou vales, destruiu casas e ceifou vidas. O Rio de janeiro se transformou em rio de lágrimas. Filhos da natureza se viram órgãos de uma mãe que não se poupou da própria viuvez.

Costumamos contemplar a natureza com olhos poéticos. Dessa forma ela nos parece bela, provedora, acolhedora, amiga e maternal. Mas poesia não é sinônimo de realidade. Os fatos recentes mostraram, mais uma vez, que a natureza é uma força cega, desprovida de consciência e insensível as nossas dores. Não nos reconhece como seus filhos nem sente a nossa falta.

Ela pode ser tudo, menos uma mãe, embora muitos insistam em reverenciá-la como tal.

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3 comentários:

On 17 de janeiro de 2011 16:53 , CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Faria parta da "natureza" o matar e o morrer? A natureza mata?

 
On 14 de maio de 2012 01:11 , Anônimo disse...

Imagine... se alguém começa a dar marretadas nas paredes da própria casa, jogar lixo na privada, arrancar pedaços do chão, perfurar o telhado, etc. Vai chegar um dia que as paredes vão cair, o poço negro vai entupir, o telhado quebrado vai desabar. E de quem é a culpa???

Tudo na vida segue um príncípio básico...
"Ação e Reação"
Ou seja, tudo retorna! Os seres humanos vem interferindo no equilíbrio natural da vida, assim, as tragédias naturais são as "reações" provocadas pelas "ações" nada ecológicas que os humanos vem tendo há décadas... Então, devemos cuidar do planeta Terra, é nossa casa. Afinal, a Natureza NÃO precisa dos humanos por aqui, porque as pessoas destróem o próprio habitat e o habitat dos outros animais também. Mas NÒS precisamos da Natureza, quem consegue viver sem ar, água, alimento, luz solar???
Repetindo, devemos cuidar do planeta Terra, é nossa casa.
Tudo que se faz à Terra, fazemos a nós mesmos.
E existe um outro princípio... o da sobrevivência... tudo o que tem vida tem consciência. E a Natureza está reagindo para se rearranjar, para se manter viva, se é de um jeito hostil, culpa do homem. Alguém que leva porrada, vai reagir, e não vai ser nada gentil.
Então, devemos mudar a nós mesmos, ser mais conscientes, pois somos parte da vida, da natureza. Queremos um planeta mais harmonizado, então devemos preservar os recursos naturais aprendendo mais sobre sustentabilidade.
Quer se manter vivo, preserve!

 
On 21 de agosto de 2012 08:36 , Anônimo disse...

Questionar se somos ou não filhos da natureza é negar nossa própria exisência. Dizermos que não somos filhos da terra simples mente por mortes causadas por feômenos, mas o que nos como filhos temos feito para preserva- las, ela nos nutre, nos sustenta e nos abriga é um organismo vivo e nem se quer cuidamos dela. Não é questão dela nos reconhecer como seus filhos mas de nos aceita-la como mãe, somo filhos da Terra e um dia todo ser o humano retornara pra ela.

 
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